Ataque aéreo russo atinge consulado da China em Odesa; investigação da Ucrânia revela peças de drones chineses

Um funcionário do Partido Comunista Chinês afirmou que Pequim não pode aceitar a derrota da Rússia na guerra contra a Ucrânia, pois isso permitiria que os Estados Unidos voltassem toda a sua atenção para a China.

Por Alex Wu
09/07/2025 12:25 Atualizado: 09/07/2025 12:25

Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.

O consulado do regime comunista chinês em Odesa, na Ucrânia, foi novamente danificado durante um ataque aéreo em larga escala conduzido pela Rússia. Uma investigação das autoridades ucranianas revelou que os destroços dos drones usados no ataque continham peças de origem chinesa.

Do final da noite de quinta-feira (3) até a madrugada de sexta-feira (4), no horário local, a Rússia lançou uma nova rodada de ataques aéreos em larga escala contra a Ucrânia, causando vítimas em várias cidades, incluindo Kyiv e Odesa, no terceiro ano de combates desde a invasão russa em fevereiro de 2022.

Segundo autoridades ucranianas e reportagens da mídia local, o Consulado-Geral da China em Odesa foi atingido pelo ataque aéreo, com danos às paredes externas e vidraças. Esta é a segunda vez que o consulado chinês é danificado em um ataque russo desde julho de 2023.

O regime chinês, aliado da Rússia e um dos principais apoiadores de seu esforço de guerra, não condenou publicamente o ataque russo.

O vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, publicou no X na sexta-feira que investigadores ucranianos encontraram um grande número de componentes de fabricação chinesa entre os destroços.

“Após o massivo ataque aéreo russo desta noite contra a Ucrânia, descobrimos em Kyiv um componente de um drone de combate russo-iraniano ‘Shahed-136’/‘Geran-2’, que foi fabricado na China e fornecido recentemente.”

Em seguida, ele comentou os danos leves sofridos pelo prédio do consulado da China em Odesa e acrescentou: “Não há metáfora melhor para mostrar como Putin continua a escalar sua guerra e o terror, envolvendo outros, incluindo tropas norte-coreanas, armas iranianas e alguns fabricantes chineses”. 

O Serviço de Segurança da Ucrânia também divulgou um comunicado na sexta-feira, afirmando que partes com a marca “Made in China” foram encontradas nos destroços dos drones de ataque usados pela Rússia no bombardeio noturno a Kyiv. Essas peças eram provenientes da empresa Suzhou Ecod Precision Manufacturing Co., Ltd, localizada em Jiangsu, na China.

Nesta terça-feira (8), o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy emitiu um decreto impondo sanções a empresas chinesas que forneceram à Rússia os drones de ataque usados no bombardeio de sexta-feira.

O chefe do Serviço de Inteligência Externa da Ucrânia, Oleh Ivashchenko, afirmou no início deste ano que o regime chinês forneceu à Rússia equipamentos mecânicos, produtos químicos especiais, pólvora e componentes-chave. Ele também disse que, no início de 2025, 80% da eletrônica crítica usada nos drones russos era de origem chinesa.

Apesar da contínua negação do Partido Comunista Chinês (PCCh) sobre qualquer forma de assistência militar à Rússia, os Estados Unidos e a União Europeia impuseram sanções a dezenas de empresas chinesas suspeitas de colaborar com o sistema militar-industrial russo.

No domingo (6), o dissidente e jurista radicado na Austrália, Yuan Hongbing, disse ao Epoch Times que as peças de drones chineses encontradas no local do ataque na Ucrânia são “provas específicas do apoio abrangente do PCC à Rússia”. 

Também no domingo, o diretor da Divisão de Pesquisa em Segurança Nacional do Instituto de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, Shen Ming-shih, disse ao Epoch Times que, devido ao apoio contínuo da China, a Rússia certamente não aceitará um cessar-fogo.

O aumento da dependência militar da Rússia em relação à ajuda de países estrangeiros no campo de batalha ucraniano — somado ao fato de a China ter fornecido componentes-chave para armamentos — indica que “a cooperação militar entre China e Rússia evoluiu de um apoio tático para uma integração sistêmica”, afirmou. “Isso mostra que a assistência da China à Rússia tornou-se um projeto sistemático, abrangendo aspectos como peças de armamento, suprimentos logísticos e informações de campo de batalha”.

Interesse estratégico do PCCh na guerra Rússia–Ucrânia

Shen disse que, se a Rússia obtiver grandes resultados na Ucrânia com o apoio da China — ou mesmo ocupar mais território —, “isso certamente encorajará a China a lançar ações provocativas ou ofensivas no Mar da China Oriental, Mar do Sul da China ou no Estreito de Taiwan, e a Rússia certamente oferecerá apoio”.

“Isso pode levar os Estados Unidos e a OTAN a lidar simultaneamente com dois grandes conflitos: um na Ucrânia e outro na região Indo-Pacífico — o que é uma má notícia para o governo Trump”, afirmou Shen.

O Serviço de Segurança da Ucrânia escolta o cidadão chinês Wang Guangjung (direita) para uma coletiva de imprensa com o também cidadão chinês Zhang Renbo (centro), em Kyiv, em 14 de abril de 2025. Os dois foram capturados pelas forças ucranianas na região de Donetsk. (Genya Savilov/AFP via Getty Images)
O Serviço de Segurança da Ucrânia escolta o cidadão chinês Wang Guangjung (direita) para uma coletiva de imprensa com o também cidadão chinês Zhang Renbo (centro), em Kyiv, em 14 de abril de 2025. Os dois foram capturados pelas forças ucranianas na região de Donetsk. (Genya Savilov/AFP via Getty Images)

O impacto acidental da Rússia ao atingir o consulado chinês desta vez deve ser visto como “fogo amigo” e não representa uma ruptura nas relações sino-russas, disse o pesquisador assistente do Instituto de Defesa e Segurança Nacional de Taiwan, Chung Chih-tung, ao Epoch Times no domingo. 

“Pelo contrário, isso destaca o fato de que o regime chinês há muito fornece à Rússia suprimentos militares e civis de uso dual,” afirmou.

Chung observou que a cooperação militar entre China e Rússia assumiu a forma de uma “quase aliança militar” — a Rússia depende do regime chinês para manter sua capacidade de combate, enquanto o PCCh utiliza os cenários russos para testar seus equipamentos e tecnologias-chave e acumular experiência prática para a modernização militar.

Na quinta-feira (3), durante sua visita à Europa, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, disse à principal diplomata da União Europeia, Kaja Kallas, que Pequim não pode aceitar a derrota da Rússia na guerra contra a Ucrânia, pois isso permitiria que os Estados Unidos voltassem toda a sua atenção para a China.

A rara declaração de Wang atraiu ampla atenção da comunidade internacional sobre o envolvimento e o interesse direto da China na guerra Rússia-Ucrânia.

Yuan afirmou que o apoio do regime chinês à Rússia abrange desde a política internacional até a economia e o setor militar.

“Ele apoia a Rússia em todos os aspectos, enfrentando o Ocidente, a UE, os Estados Unidos e a OTAN. O objetivo é desviar a atenção e os recursos nacionais dos Estados Unidos para a Europa, criando assim as condições básicas para iniciar uma guerra no Estreito de Taiwan na política internacional,” disse Yuan.

“A linha estratégica do PCCh é que não pode aceitar que a Rússia perca a guerra.”

 Li Jing e Luo Ya contribuíram para esta matéria.