O uso de cheques no Brasil passou por uma redução drástica nas últimas décadas.
Em 1996, o país compensou 3,3 bilhões de cheques; em 2024, esse número caiu para 137,6 milhões, uma diminuição impressionante de 95,9%, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban).
Apesar dessa queda acentuada, o valor total movimentado por cheques ainda alcançou R$ 523,2 bilhões em 2024, uma redução de 14,2% em comparação ao ano anterior.
A digitalização dos meios de pagamento, com destaque para o Pix, lançado em 2020, acelerou essa transformação.
Em 2024, o Pix representou 44,7% das transações financeiras no Brasil, enquanto os cheques corresponderam a apenas 0,1%, conforme o Banco Central.
Porém, mesmo com a diminuição no volume de transações, o valor médio das operações com cheques se manteve elevado, alcançando R$ 3.782,57, enquanto o Pix registrou R$ 416,18 e os boletos, R$ 1.478,89.
A persistência do cheque em certos nichos pode ser explicada por fatores como a desconfiança em relação às transações digitais de alto valor e o uso do cheque-caução como garantia em contratos de aluguel e outras operações.
Além disso, a falta de acesso à internet ainda afeta 10,6% da população brasileira, cerca de 21,4 milhões de pessoas, limitando a adoção de meios de pagamento digitais.
Por que o cheque ainda resiste?
Apesar da tendência de queda, o cheque não tem previsão de desaparecer tão cedo. Sua resistência pode ser explicada por alguns fatores:
- — Aceitação em estabelecimentos específicos: Há comércios que ainda não oferecem alternativas de pagamento digital, fazendo do cheque uma opção obrigatória para seus clientes.
- — Problemas de acesso à internet: Em regiões com baixa conectividade, o cheque permanece como a única opção viável de pagamento.
- — Uso como garantia: O cheque ainda é utilizado como garantia em compras, serviços e contratos, como no caso do cheque-caução em aluguéis.
- — Resistência à mudança: Muitos brasileiros, especialmente os mais velhos, continuam preferindo o cheque, devido à familiaridade e segurança percebida na modalidade.



