O desenvolvimento da vacina ButanVac, promessa do ex-governador de São Paulo, João Doria, contra a Covid-19, custou mais de R$ 61 milhões ao Instituto Butantan. No entanto, o investimento não trouxe o resultado esperado, já que a vacina falhou nos testes de eficácia.
Os ensaios clínicos foram interrompidos em agosto de 2021, pois a ButanVac não conseguiu gerar anticorpos em níveis comparáveis aos de outras vacinas já existentes.
De acordo com informações obtidas via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelo jornal Metrópoles, os R$ 61,4 milhões investidos foram utilizados para custear os ensaios clínicos, que avaliaram tanto a segurança quanto a eficácia do imunizante, além dos gastos com a fabricação.
Responsável por abastecer o Sistema Único de Saúde (SUS) com diversas vacinas, o Instituto Butantan alegou que esse valor não foi um desperdício.
A segunda fase dos testes clínicos envolveu 400 participantes, com 200 recebendo a ButanVac e outros 200 um imunizante já disponível no mercado. O estudo foi interrompido porque os anticorpos produzidos pelos voluntários que tomaram a vacina não alcançaram os níveis necessários para sua aprovação.
Para o Butantan, a eficácia do imunizante precisava ser igual ou superior à das vacinas já aplicadas, o que não foi comprovado.
Em março de 2021, Doria anunciou com entusiasmo a criação de uma vacina nacional, com a promessa de que cada dose custaria apenas R$ 10.
Naquele momento, o ex-governador afirmou que o Butantan poderia produzir até 40 milhões de doses em três meses, com uma capacidade de produção de 100 milhões de doses por ano.
Contudo, o uso da tecnologia do Instituto Mount Sinai, nos Estados Unidos, gerou críticas sobre a nacionalidade do projeto.
Confira a nota, na íntegra, enviada pelo Instituto Butantan ao Metrópoles:
O Instituto Butantan investiu R$ 61,4 milhões em pesquisas para o desenvolvimento e avaliação clínica da Butanvac, nos estudos fase 1 e fase 2. O valor também inclui ensaios pré-clínicos e produção de lotes piloto. Importante ressaltar, que o desenvolvimento e estudo da Butanvac se deu em meio ao cenário gravíssimo da pandemia da Covid-19.
Durante os ensaios clínicos de fase 2, no entanto, ficou demonstrado que o imunizante não atingiu o desfecho pré-especificado de sucesso, isto é, ficou aquém dos pré-requisitos estabelecidos de produção de anticorpos contra o vírus. De acordo com a pesquisa, a Butanvac dobrou a quantidade de anticorpos contra a doença após 28 dias de sua aplicação, quando a meta esperada era que induzisse uma produção de anticorpos quatro vezes maior, número atingido por vacina já disponível à população. Com isso, o estudo clínico cumpriu seu papel ao responder a pergunta que foi objeto do desenho do estudo fase 2. A vacina candidata não atingiu a imunogenicidade esperada.
Importante destacar que não há investimento em vão quando se trata de pesquisa deste tipo, pois os recursos aplicados contribuíram para o avanço de processos tecnológico e industriais, permitindo que outros estudos relacionados se beneficiem do conhecimento acumulado. O Instituto Butantan segue seu compromisso com a ciência e a saúde da população.



