Prévia da inflação sobe 1,23% em fevereiro, impulsionada por energia e educação

Alta acumulada chega a 4,96% em 12 meses; impacto da Selic e do câmbio segue no radar.

Por Redação Epoch Times Brasil
25/02/2025 20:56 Atualizado: 25/02/2025 20:56

A prévia da inflação no Brasil de fevereiro subiu 1,23%, acumulando alta de 4,96% nos últimos 12 meses. O índice superou os 4,50% registrados em janeiro, aumentando a preocupação com o custo de vida e a política monetária.

O resultado veio abaixo das projeções do mercado, que estimava 1,36% para o mês. A Warren Investimentos avaliou que, apesar da alta, não houve aceleração generalizada nos preços. No entanto, alguns itens ainda surpreenderam para cima, exigindo atenção nos próximos meses.

Energia e educação lideram altas

O maior impacto veio da energia elétrica, que subiu 16,33% após reajustes tarifários. O aumento teve peso significativo no índice, adicionando 0,54 ponto percentual ao IPCA-15.

A educação também pressionou a inflação, registrando alta de 4,78%. Os cursos regulares subiram 5,69%, com destaque para o ensino fundamental (+7,50%) e o ensino médio (+7,26%).

Os transportes também impactaram o índice. Os combustíveis subiram 1,88%, impulsionados por aumentos no etanol (+3,22%), óleo diesel (+2,42%) e gasolina (+1,71%).

Alimentos registram altas e quedas

O grupo alimentação e bebidas subiu 0,61%, mas com variações mistas entre os produtos. A cenoura (+17,62%) e o café moído (+11,63%) foram os principais itens em alta.

Por outro lado, a batata-inglesa (-8,17%), o arroz (-1,49%) e as frutas (-1,18%) tiveram quedas, aliviando parcialmente a pressão inflacionária.

A Warren apontou que a inflação dos alimentos em casa acumula 7,19% em 12 meses, mas acredita que essa variação já atingiu o pico. A expectativa é de que os próximos meses apresentem altas menos intensas, com projeção de 6,7% para o ano.

Surpresas nos serviços e habitação

Alguns setores surpreenderam o mercado. A passagem aérea caiu 20%, ajudando a reduzir a inflação geral. O item cinema também teve queda maior que o esperado, devido à “Semana do Cinema”, evento que reduziu os preços dos ingressos entre 6 e 12 de fevereiro.

No entanto, os aluguéis residenciais e condomínios subiram 1,35%, registrando a maior alta desde 2014. Segundo a Warren, esse aumento ainda não apresenta uma tendência definida, mas pode continuar pressionando a inflação nos próximos meses.

O setor de bens industriais também teve impacto inesperado, com alta de 0,57% no mês e 3,20% em 12 meses. A maior influência veio de automóveis novos, refletindo repasses devido ao dólar alto.

Juros seguem altos e mercado observa próximos passos

Com a inflação ainda acima da meta do Banco Central, a Selic deve permanecer em 15% ao ano. O crédito continua caro, e o consumo segue restrito.

A Warren destacou que o impacto do câmbio nos preços pode estar se esgotando, mas que a inflação de serviços ainda exige atenção. Caso os preços de habitação e combustíveis sigam pressionados, novos ajustes na política monetária podem ser necessários.

O cenário inflacionário nos próximos meses será decisivo para as estratégias econômicas e para o poder de compra da população.