Preço do café segue em alta e só deve se estabilizar em 2026, prevê indústria

Por Renato Pernambucano
06/02/2025 16:03 Atualizado: 06/02/2025 16:03

A escalada nos preços do café deve continuar afetando os consumidores nas próximas semanas, impulsionada por fatores climáticos adversos, aumento da demanda global e valorização do dólar.

A Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic) prevê que os valores só começarão a se estabilizar com a colheita da safra deste ano, que tem início previsto entre abril e maio. Contudo, uma redução significativa nos preços poderá ocorrer apenas a partir da safra de 2026.

A Abic destacou que, desde 2021, o setor lida com impactos severos, incluindo geadas que comprometeram a produção do café arábica, períodos prolongados de estiagem durante o fenômeno El Niño e chuvas excessivas causadas pelo La Niña.

Segundo o presidente da associação, Pavel Cardoso, “esse acúmulo de quatro anos de problemas climáticos e o crescimento da demanda global dão a explicação dessa escalada de preços no café”.

O Brasil, maior exportador mundial de café, representa cerca de 40% da produção global, seguido pelo Vietnã e pela Colômbia.

O aumento no consumo mundial, especialmente pela entrada da China como um novo mercado relevante, também contribui para a elevação dos preços. Com a escassez da oferta e a ampliação da demanda, o valor da libra-peso do café arábica na Bolsa de Nova Iorque atingiu recentemente recordes históricos, chegando a US$ 3,97.

Cardoso ressaltou que “essa escalada em algum momento vai parar, mas não se sabe quando. Essa é a pergunta que todos nós fazemos”.

Queda na produção e desafios para a nova safra

Paralelamente, a Conab prevê um cenário preocupante para 2025, com a produção caindo 4,4%, para 51,8 milhões de sacas.

O gerente da Conab, Fabiano Vasconcellos, alerta que o clima adverso de 2021, 2023 e parte de 2024 ainda impacta a safra, reduzindo a produtividade para 28 sacas por hectare.

A produção de arábica deve cair 12,4%, para 34,7 milhões de sacas, afetada pela bienalidade baixa e pelo clima, com queda de 12,1% em Minas Gerais. Já o conilon deve crescer 17,2%, totalizando 17,1 milhões de sacas.

Impacto no mercado e perspectivas

O custo de produção disparou, e a indústria repassou parte ao consumidor. Insumos subiram mais de 200%, e o preço final do café aumentou 38%. No varejo, a alta foi de 110% nos últimos quatro anos, enquanto a matéria-prima encareceu 224%.

Os cafés especiais seguiram a tendência. Em 2024, os gourmets subiram 16,17%, os superiores 34,38%, e os tradicionais/extrafortes tiveram a maior alta, 39,36%. Os cafés em cápsula subiram 2,07%.

O Brasil segue como um dos maiores consumidores. Entre novembro de 2023 e outubro de 2024, o consumo nacional cresceu 1,11%, totalizando 21,916 milhões de sacas, atrás apenas dos EUA, que consumiram 4,1 milhões de sacas a mais.

O setor espera recuperação em 2026, com possível recorde de produção. Até lá, os preços devem permanecer elevados. Cardoso prevê volatilidade até a nova safra, quando a oferta pode trazer estabilidade.