O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, defendeu que as punições aos condenados devem levar em conta o grau de participação de cada envolvido.
Em entrevista ao Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (10), ele afirmou que “não se pode dar a mesma pena” a quem planejou e financiou os atos e a quem esteve presente sem envolvimento direto na depredação.
“Tem gente que quebrou uma cadeira, tem gente que armou o movimento. Se for tudo comprovado, que este pague”, declarou Múcio.
Ele também ressaltou que, entre os presentes, havia diferentes perfis, desde organizadores até aqueles que apenas acompanharam os acontecimentos.
O ministro observou que o cenário dos atos não apontava um líder claro, tampouco a presença de armamento ou de um comando estruturado.
“Não havia um chefe, não havia ninguém armado, alguém que você pudesse se entender, alguém que você pudesse dialogar. Não vi uma arma. Sou capaz de dizer que quem organizou aquilo não foi, desistiu, não apareceu e ficou aquele quebra-quebra todo”, afirmou.
Diante da possibilidade de que os atos buscassem derrubar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Múcio ponderou: “Se ele tivesse sequência, se tivesse consequências, se aparecessem outros envolvimentos, sim”.
Ao tratar da polarização política no país, o ministro destacou que a soltura de inocentes poderia contribuir para uma “pacificação do país”.
“Esse país precisa ser pacificado. Ninguém aguenta mais essa radicalização”, declarou.
Múcio afirmou que deseja o fim das investigações para deixar de lado especulações e descobrir a verdade.
Ele destacou que, assim, será possível saber se houve um golpe ou se, nos inquéritos, surgirão as provas.
Caso contrário, acredita que se tratou de um grupo de vândalos incentivados por empresários irresponsáveis, que acreditaram estar fazendo um movimento político ao destruir bens públicos.
Sobre a possibilidade de anistia aos envolvidos, Múcio ressaltou que a decisão cabe ao Congresso Nacional.
“Devia ter uma dosimetria, tem gente que quebrou uma cadeira, tem gente que armou esse movimento, se for tudo comprovado que este pague, se for um golpe, que este pague. Tem todo tipo, você não pode condenar uma pessoa da mesma pena, quem armou, quem financiou e quem foi lá encher o movimento. Isso é uma decisão que pertence ao Congresso Nacional”, disse.



