Mercado de trabalho inicia 2025 com queda em todos os índices e atinge menor nível desde 2023

Por Matheus de Andrade
06/02/2025 22:14 Atualizado: 06/02/2025 22:14

O mercado de trabalho brasileiro começou 2025 com sinais de desaceleração, segundo os dados do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), divulgado na quarta-feira (5) pelo FGV IBRE. O índice caiu 2,2 pontos em janeiro, atingindo 76,1 pontos, o menor patamar desde novembro de 2023 (75,0 pontos).

Esse é o terceiro mês consecutivo de queda, intensificando a tendência de enfraquecimento no setor.

De acordo com Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, a virada do ano não trouxe mudança na trajetória do indicador, que já mostrava um recuo no final de 2024. “O primeiro resultado do ano aprofunda a queda observada no final de 2024 e sugere desaceleração para o mercado de trabalho nos próximos meses”, afirma.

Queda influenciada por cenário econômico incerto

A piora do IAEmp foi reflexo da deterioração de seis dos sete componentes que compõem o índice, com destaque para o indicador de Emprego Local Futuro do Consumidor (-0,7 ponto) e os indicadores de Situação Atual dos Negócios e Tendência dos Negócios de Serviços (-0,4 ponto cada).

O único componente que não teve impacto negativo foi a Tendência dos Negócios da Indústria, cuja contribuição foi zero.

“O aumento da incerteza, aliado a uma piora no cenário macroeconômico, especialmente com dólar e juros em alta, parece influenciar as percepções dos empresários, que se mostram mais cautelosos”, explica Tobler.

Histórico e tendência de desaceleração

O desempenho do IAEmp ao longo de 2024 já indicava dificuldades para o mercado de trabalho. O indicador chegou a 83,1 pontos em agosto quando registrava bons números, mas começou a cair fortemente nos meses seguintes, fechando novembro em 79,9 pontos e dezembro em 78,3 pontos.

A tendência de baixa se acentuou neste início de 2025, reforçando a possibilidade de dificuldades na recuperação do emprego enquanto a inflação dos alimentos sobe e a confiança do mercado caí.

Apesar disso, o economista do FGV IBRE destaca que “ainda é cedo para indicar que essa será a trajetória do indicador ao longo do ano, mas a terceira queda consecutiva, a disseminação da piora e expectativa de desaceleração da atividade econômica, indicam que a evolução do mercado de trabalho este ano será mais lenta”, avalia Tobler.

Previsões para os próximos meses

O Indicador Antecedente de Emprego tem como objetivo antecipar os rumos do mercado de trabalho no país. Ele é construído a partir de pesquisas com a Indústria, Serviços e Consumidores, refletindo as expectativas desses setores.

Para Tobler, o cenário exige atenção redobrada. “A disseminação da piora e expectativa de desaceleração da atividade econômica indicam que a evolução do mercado de trabalho este ano será mais lenta”, reforça.