O governo federal discute a possibilidade de taxar as exportações agrícolas como estratégia para conter a alta dos preços dos alimentos. A proposta gerou forte reação no setor produtivo e na oposição, que acusa o governo de ameaçar a competitividade do agronegócio brasileiro.
A medida será debatida em uma reunião na quinta-feira (27), em Brasília, entre o governo e representantes do setor privado. No encontro, estarão presentes produtores de açúcar, etanol, carnes e biodiesel, diretamente afetados pela política agrícola.
O governo também avalia reduzir tarifas de importação de alimentos para aumentar a oferta interna. No entanto, nenhuma decisão será tomada antes do Carnaval.
Inflação dos alimentos pressiona o governo
A alta dos preços dos alimentos se tornou uma prioridade para o Planalto. O IPCA-15 de fevereiro apontou aumento de 0,61%.
Na terça-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discutiu o tema com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e da Agricultura, Carlos Fávaro. A busca por soluções econômicas se intensificou diante da pressão popular e dos impactos na inflação.
A proposta de taxação sobre exportações agrícolas não é nova. Ela foi sugerida por deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) em 2022 e incorporada ao plano de governo de Lula. A medida afetaria soja, milho e arroz, sendo aplicada conforme o nível dos estoques públicos.
Ministro da Agricultura ameaça deixar o cargo
A possibilidade de taxação elevou a tensão dentro do governo. Durante entrevista à CNN Brasil, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, ameaçou deixar o cargo caso a proposta avance.
A ideia de tributar exportações busca aumentar a oferta interna e reduzir preços, mas o setor agrícola considera que a medida afastaria investimentos e prejudicaria a produção.
Oposição critica proposta e compara à crise argentina
A oposição reagiu fortemente à proposta. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição na Câmara, afirmou que o PT segue o mesmo caminho da Argentina, que adotou um modelo de taxação semelhante e enfrentou queda na produção, fuga de investimentos e inflação descontrolada.
“A experiência argentina oferece lições valiosas para o Brasil. A proposta desastrada do PT levará à diminuição da produção do agro, desequilíbrios econômicos e um empurrão sem volta para a inflação e a recessão”, declarou Zucco em mensagem enviada ao Epoch Times Brasil.
Ele também destacou que a taxação das exportações não reduziria os preços dos alimentos, mas sim geraria escassez e afastaria investimentos do setor agrícola.
Em nota oficial, a liderança da oposição classificou a medida como “um ataque ao setor produtivo” e afirmou que lutará para impedir sua aprovação.
“Taxar as exportações não reduzirá os preços dos alimentos para os brasileiros. Pelo contrário, afastará investimentos, desestimulará a produção e poderá gerar escassez no mercado interno, resultando em mais inflação e prejuízos para toda a população”, diz o documento assinado pelo deputado Zucco.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e entidades do setor já demonstraram preocupação com a proposta. Empresários alertam que a medida poderia reduzir a rentabilidade do produtor e comprometer a segurança alimentar.



