A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 36,6 bilhões em 2024, uma queda de 70,6% em relação ao resultado de 2023. No quarto trimestre, a estatal teve um prejuízo de R$ 17 bilhões, revertendo o lucro de R$ 31 bilhões obtido no mesmo período do ano anterior.
O balanço financeiro foi impactado principalmente pela variação cambial das dívidas com subsidiárias no exterior e pela adesão à transação tributária que encerrou disputas judiciais no valor de R$ 45 bilhões.
Caso os chamados “eventos exclusivos” fossem desconsiderados, o lucro ajustado seria de R$ 103 bilhões, ainda assim inferior em 19,7% ao de 2023. O EBITDA (Lucros Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) sem esses eventos ficou em R$ 245,8 bilhões, uma queda de 10,9%.
Apesar do prejuízo no quarto trimestre, a Petrobras aprovou a distribuição de R$ 9,1 bilhões em dividendos para seus acionistas, elevando a remuneração total de 2024 para R$ 102,6 bilhões. O pagamento será realizado em duas parcelas, nos meses de maio e junho de 2025.
A geração de caixa operacional da companhia somou US$ 38 bilhões no ano, demonstrando capacidade de liquidez, segundo a empresa. A dívida financeira atingiu US$ 23,2 bilhões, o menor patamar desde 2008.
No setor de produção, a Petrobras bateu recordes, alcançando um fator de utilização de refinarias de 93%, o maior em dez anos. A produção de gasolina foi de 24,4 bilhões de litros, enquanto o diesel S-10 alcançou 26,3 bilhões de litros. O petróleo extraído do pré-sal representou 70% do total processado pela empresa.
Para 2025, a estatal projeta um aumento de 100 mil barris diários na produção de petróleo e a ampliação da oferta de gás para 50 milhões de metros cúbicos por dia até 2026. Também está prevista a entrada em operação de três novas unidades de produção no pré-sal.
Os resultados da companhia ficaram abaixo das expectativas do mercado, que projetava um lucro anual próximo de R$ 70 bilhões. Após a divulgação do balanço, as ações da Petrobras registraram queda no pré-mercado da Bolsa de Nova Iorque.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a resiliência operacional da empresa e afirmou que o foco para os próximos anos será a expansão da produção e a busca por investimentos rentáveis. “Nossa governança estabelece que os investimentos devem ser rentáveis, mesmo em um cenário com premissas desafiadoras”, afirmou no relatório.



