Governo proíbe pagamento em troca de registro da íris por empresa de tecnologia

A World opera no Brasil há dois meses e paga R$ 600 em criptomoedas para escanear os olhos dos cadastrados.

Por Redação Epoch Times Brasil
25/01/2025 19:17 Atualizado: 25/01/2025 19:17

Entrou em vigor neste sábado (25), a proibição que impede a empresa de tecnologia biométrica World de continuar com o pagamento em troca do registro da íris dos participantes. A decisão foi tomada pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) nesta sexta-feira (24).

A World funciona como uma loja física qualquer. A diferença está no produto oferecido: R$ 600 em criptomoedas criadas pela própria empresa e pagas com base na cotação do dia, em troca do registro da íris — um dado biométrico extremamente sensível.

As pessoas que aceitaram essa compensação financeira relatam que os funcionários não informam o motivo pelo qual solicitam o escaneamento da íris, que é capturado pela câmera de um aplicativo.

As lojas da World têm se espalhado nos últimos dois meses. Em São Paulo, a empresa começou com 10 pontos de atendimento e hoje já conta com 51 unidades. De acordo com os responsáveis pelo projeto, mais de 400 mil pessoas já se cadastraram na capital paulista, formando filas que, muitas vezes, se estendem para a calçada.

Além da proibição da operação financeira em troca da íris, a ANPD também determinou que a empresa indique em seu site o encarregado pelo tratamento de dados pessoais, conforme exige a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A responsável pela operação da World no Brasil é a Tools for Humanity, ambas fundadas pelo CEO das duas empresas, Alex Blania, em parceria com o CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, Sam Altman.

Em novembro, quando a World começou a operar no Brasil, a Coordenação-Geral de Fiscalização da ANPD iniciou um processo de investigação sobre o tratamento de dados biométricos pela empresa.

Os problemas enfrentados pela World não se limitam ao Brasil. A empresa já foi alvo de críticas e ações judiciais em outros países onde atua, como na Argentina, Alemanha e Coreia do Sul, sendo proibida de operar na Espanha e em Portugal.

De acordo com especialistas em tecnologia, o risco para quem vendeu a imagem da íris é grande. Se, no futuro, a empresa mudar sua política e vender os dados dos cadastrados ou sofrer um vazamento, a pessoa que aceitou a negociação será diretamente afetada.

Entretanto, a World alega que, após o escaneamento, a imagem da íris é convertida em um código criptografado e apagada. A empresa explica que o objetivo é criar um cadastro como uma espécie de prova de humanidade para, no futuro, ajudar a diferenciar contas de robôs das de humanos.