Matéria traduzida e adaptada do inglês, publicada pela matriz americana do Epoch Times.
NOVA YORK — Uma nova rodada de sanções dos EUA relacionadas a autoridades brasileiras foi imposta nesta segunda-feira (22) — o mesmo dia em que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi acusado de coerção. A denúncia faz parte de casos legais relacionados que o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou anteriormente de “caça às bruxas”.
Eduardo Bolsonaro falou ao The Epoch Times enquanto negociações entre o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump são agora esperadas nos próximos dias, após um breve encontro na Assembleia Geral das Nações Unidas nesta terça-feira (23).
O filho de Bolsonaro afirmou que, sem pressão internacional — principalmente dos Estados Unidos —, o Brasil estaria caminhando para o autoritarismo.
“Não posso voltar ao meu país, porque me prenderiam. Minhas contas bancárias e as da minha esposa estão congeladas. Eles inventam novas investigações contra mim o tempo todo, e agora até ameaçam me tirar do mandato”, disse Eduardo Bolsonaro, residente nos EUA desde 27 de fevereiro.
O parlamentar está cumprindo seu terceiro mandato na Câmara dos Deputados. Nas eleições de 2018, Eduardo foi o deputado mais votado da história do país.
“Está claro: o Brasil está caminhando pelo mesmo caminho da Venezuela”, afirmou.
Trump acusou o governo brasileiro de perseguição política contra vozes conservadoras da oposição e impôs ao país tarifas de até 50% — entre as mais altas do mundo.
Em 11 de setembro, um painel do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão após julgá-lo culpado de tentar derrubar o governo depois de sua derrota nas eleições de 2022.
O tribunal o considerou culpado em cinco acusações: tentativa de golpe, participação em organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do estado democrático de direito, danos relacionados à violência e ameaças graves contra bens do Estado e patrimônio protegido.
Em um artigo de opinião publicado em 14 de setembro no The New York Times, Lula escreveu: “O julgamento foi o resultado de processos conduzidos de acordo com a Constituição de 1988, promulgada após duas décadas de luta contra a ditadura militar. Seguiu-se a meses de investigações que revelaram planos para me assassinar, ao vice-presidente e a um ministro do Supremo Tribunal Federal. As autoridades também descobriram um projeto de decreto que teria anulado, efetivamente, os resultados das eleições de 2022″.
Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro afirmou que “Lula, Alexandre de Moraes e seus comparsas no regime brasileiro se apegam a narrativas fabricadas”, referindo-se ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, que presidiu o julgamento.
“Eles querem que as pessoas acreditem que 1.500 cidadãos desarmados — muitos deles mulheres idosas na faixa dos 70 anos — reunidos em um domingo durante o recesso de feriados em Brasília, seriam capazes de realizar um golpe de estado, exatamente no momento em que o presidente Bolsonaro estava nos Estados Unidos”, disse, referindo-se aos distúrbios de 8 de janeiro de 2023, quando uma multidão vandalizou os prédios do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio Presidencial após as eleições de 2022, que Jair Bolsonaro perdeu por uma pequena margem.
Os distúrbios de 8 de janeiro foram classificados pelo Supremo Tribunal Federal como a consumação da suposta tentativa de golpe, que, segundo o tribunal, também envolvia planos de assassinato de autoridades.
Eduardo Bolsonaro afirmou que essa narrativa é “absurda, uma loucura que desmorona diante de um minuto de análise honesta”.
“Bolsonaro, ainda como presidente, chegou a nomear os comandantes militares que haviam sido indicados por Lula, algo que nenhum conspirador de golpe faria”, afirmou o filho de Bolsonaro. “Os eventos de 8 de janeiro de 2023 foram um protesto que saiu do controle, muito parecido com 6 de janeiro de 2021 nos Estados Unidos. Mas hoje eles estão sendo usados pela esquerda para desqualificar Bolsonaro das eleições de 2026.” Ele se referia à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021 nos EUA.
O ex-presidente brasileiro agora cumpre prisão domiciliar e não poderá concorrer às eleições de 2026.
Eduardo Bolsonaro nega as acusações de coerção. Sua recente denúncia está relacionada ao trabalho de mobilização que realiza no exterior, buscando conscientizar sobre a suposta falta de devido processo legal no julgamento do pai e em outros casos relacionados a 8 de janeiro, além da censura online por autoridades brasileiras envolvendo empresas de redes sociais dos EUA e residentes americanos.
“Como eu poderia ser acusado de coerção se não tenho nenhum poder de incluir alguém na lista de sanções do OFAC, que é regida pela Lei Magnitsky? Este é um instrumento legítimo da lei dos EUA, não uma ferramenta pessoal minha”, afirmou.
O Office of Foreign Assets Control (OFAC) é um órgão do Departamento do Tesouro dos EUA que monitora sanções financeiras. A Lei Global Magnitsky, de 2016, permite que o presidente dos Estados Unidos sancione indivíduos por corrupção significativa ou violações de direitos humanos.
Moraes, o principal ministro do Supremo Tribunal Federal responsável pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e pela fiscalização de grandes empresas de tecnologia quanto à liberdade de expressão online, foi sancionado pelo Tesouro por meio desse programa no dia 30 de julho de 2025. Sua esposa e uma entidade chamada Lex Institute, empresa ligada à sua família, foram sancionados nesta segunda-feira, o mesmo dia em que Eduardo Bolsonaro foi denunciado.
“Eu nunca atuei para interferir em qualquer processo judicial”, garante o filho de Bolsonaro. “O que faço, dentro das prerrogativas do meu cargo como deputado, é defender a anistia [perdão concedido pelo Congresso] para aqueles perseguidos politicamente pelo violador de direitos humanos Alexandre de Moraes.”
“Denunciar violações de direitos humanos não é crime; é um dever”, acrescentou.
Ele defendeu uma “anistia ampla, geral e irrestrita”, abrangendo desde investigações polêmicas iniciadas em 2019 pelo Supremo Tribunal Federal, que se entrelaçam com a decisão sobre o golpe de estado. Alegou que, “caso contrário, o Supremo continuará fabricando processos para condenar conservadores e torná-los inelegíveis”.
Eduardo Bolsonaro afirmou que as sanções dos EUA tiveram impacto no cenário local, mencionando uma recente votação no Parlamento brasileiro para acelerar um projeto que reduziria as penas dos envolvidos nos distúrbios de 8 de janeiro.
“Hoje, após as sanções americanas… aprovamos a urgência [no Congresso] com 311 votos, mais do que suficientes para emendar a Constituição do Brasil”, disse. “Sem pressão internacional, o Brasil já seria uma Venezuela, com apenas oposição falsa e a verdadeira direita barrada das eleições do próximo ano.”
O The Epoch Times entrou em contato com o Supremo Tribunal Federal e com a Procuradoria-Geral da República para comentários, mas não recebeu respostas imediatas.
Emel Akan colaborou com esta matéria.



