Custo da cesta básica sobe 4% em janeiro, ainda impulsionado pelo café

Curitiba teve a maior alta mensal, enquanto o Rio de Janeiro segue com a cesta mais cara do país. Café foi o principal responsável pelo aumento dos preços.

Por Redação Epoch Times Brasil
25/02/2025 22:35 Atualizado: 25/02/2025 22:35

O custo da cesta básica nas oito capitais analisadas pelo monitoramento da Cesta de Consumo NEOGRID & FGV IBRE subiu 4% em janeiro. O avanço foi impulsionado, principalmente, pela valorização do café em pó e em grãos, que registrou aumento em todas as cidades pesquisadas.

Curitiba foi a capital com a maior alta mensal, com 4,5% de aumento no custo da cesta básica. Já São Paulo registrou alta de 2,9%. Em contrapartida, Salvador e Brasília tiveram as quedas mais expressivas, de -2,7% e -1,5%, respectivamente.

Apesar da redução no Rio de Janeiro (-1,2%), a capital fluminense segue com a cesta básica mais cara do país, custando R$ 1.020,92. São Paulo vem em seguida, com R$ 1.012,66. No outro extremo, Belo Horizonte apresenta o menor custo, R$ 704,71, seguido por Curitiba, com R$ 771,62.

Café segue em alta e pressiona inflação

O café foi o item que mais impactou o aumento dos preços. A commodity teve reajustes em todas as capitais, com destaque para Belo Horizonte (+8,8%), Curitiba (+6%) e Salvador (+5,5%).

A alta é explicada por fatores climáticos, como seca prolongada e geadas, além do encarecimento do frete devido à valorização do dólar. A demanda internacional também pressionou os preços, especialmente após quebras de safra no Vietnã, um dos maiores produtores mundiais.

Outras variações de preços

Além do café, os legumes registraram forte aumento, chegando a +14,5% em Fortaleza e +10,5% em Belo Horizonte. As frutas tiveram variação significativa no Rio de Janeiro (+15,5%) e em Brasília (+5,5%). A carne suína também encareceu, principalmente em Brasília (+15,8%) e Curitiba (+9,3%).

Em contrapartida, itens básicos como pão, arroz e açúcar apresentaram retração na maioria das capitais. O pão teve redução expressiva em Salvador (-13,5%) e Fortaleza (-7,7%). O arroz caiu em Brasília (-1,5%) e Curitiba (-1%), enquanto o açúcar recuou em Brasília (-3,3%) e São Paulo (-0,9%).

Alta acumulada em seis meses

Nos últimos seis meses, a cesta básica registrou variação positiva em sete das oito capitais analisadas. São Paulo teve a maior alta acumulada, de 9,5%, seguida por Brasília (+8,8%) e Curitiba (+6,7%). O Rio de Janeiro foi a única cidade com queda no período, registrando -3,8%.

Já a cesta ampliada, que inclui bebidas e produtos de higiene e limpeza, também apresentou alta em algumas capitais. Os preços mais elevados foram registrados no Rio de Janeiro (R$ 2.327,96) e São Paulo (R$ 2.262,56).

Anna Carolina Veiga Fercher,  coordenadora de atendimento ao cliente e dados estratégicos da Neogrid, aponta que a tendência de valorização do café pode se manter ao longo de 2025, pressionando ainda mais a inflação da cesta básica. A desvalorização cambial pode impactar o custo de outros itens importados ou cotados em dólar, o que tende a manter as altas registradas.