Os índices de confiança do setor de serviços e do comércio registraram novas quedas em fevereiro, segundo a FGV IBRE. Apesar da queda no Serviços terem sido baixas, no setor do Comércio a retração foi bem mais significativa.
O Índice de Confiança de Serviços (ICS) caiu 0,1 ponto, para 91,7. Em janeiro, a queda foi de 2,5 pontos. Na média móvel trimestral, recuou 1,1 ponto. O índice reflete a percepção dos empresários sobre a situação atual e as expectativas.
Stéfano Pacini, economista do FGV IBRE, afirmou que “o resultado aponta ligeira melhora na percepção sobre o presente, mas mantém o cenário de cautela”. O setor segue impactado por incerteza econômica, inflação de alimentos e juros elevados.
Os componentes do ICS oscilaram. O Índice de Situação Atual (ISA-S) subiu 0,4 ponto (95,1), enquanto o Índice de Expectativas (IE-S) caiu 0,4 ponto (88,6). O ISA-S reflete a percepção sobre o presente, e o IE-S, o otimismo para o futuro.
O volume de demanda atual cresceu 1,5 ponto (96,0), e a situação atual dos negócios recuou 0,8 ponto (94,1).
Os serviços prestados às famílias atingiram o menor nível desde abril de 2023, com 90,3 pontos. “Tanto o ISA-S como o IE-S de Famílias contribuíram para o pessimismo, principalmente serviços de alimentação afetados por inflação”, afirmou Pacini.
O Índice de Confiança do Comércio (ICOM) caiu pelo terceiro mês seguido, recuando 3,8 pontos (85,5), menor nível desde dezembro de 2023. A retração acumulada em três meses foi de 6,7 pontos. O índice reflete a percepção dos empresários sobre a economia e o setor.
“Os resultados negativos indicam sinais de desaceleração”, disse Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE. A queda foi generalizada entre os segmentos, afetando avaliações do presente e expectativas.
O Índice de Situação Atual (ISA-COM) caiu 2,3 pontos, para 88,5, menor nível desde 2022. O indicador reflete a percepção dos empresários sobre demanda e condições dos negócios. A avaliação atual teve a maior queda do mês, recuando 3,8 pontos (87,4).
O volume de demanda atual caiu 0,8 ponto (89,8), o menor desde janeiro de 2024.
O Índice de Expectativas (IE-COM) caiu 5,1 pontos, chegando a 83,2, devido ao pessimismo dos empresários sobre as vendas futuras. As projeções para três meses recuaram 6,6 pontos (83,7), enquanto a tendência para seis meses caiu 3,4 pontos (83,3), marcando a quarta queda consecutiva.
O Indicador de Desconforto do Comércio aumentou, refletindo preocupação com demanda insuficiente, custo financeiro e acesso ao crédito. “Antes, a trajetória da confiança era positiva, agora o setor dá sinais de desaceleração”, completou Tobler.



