Uma megaoperação policial, batizada de Operação Heresia, foi deflagrada na madrugada desta segunda-feira (24) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) com o objetivo de desarticular a facção “Guardiões do Estado”, uma das mais atuantes do Nordeste brasileiro.
Coordenada pela Polícia Federal (PF), a ação mobiliza quase mil agentes em quatro estados — Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí e Santa Catarina — para cumprir 349 mandados de prisão preventiva e 216 mandados de busca e apreensão, visando líderes e membros-chave do grupo criminoso.
Até o início da tarde, 174 suspeitos já haviam sido presos, segundo balanço parcial das autoridades.
A operação, que segue em andamento, atinge 32 municípios, com destaque para Fortaleza, Caucaia, Maracanaú e Juazeiro do Norte (CE), Teresina (PI), Mossoró (RN) e Itajaí (SC).
A expectativa é que o número de detenções aumente nas próximas horas, à medida que as equipes avançam nas ruas e em unidades prisionais, onde parte dos alvos já cumpre pena.
Operação em números
A Operação Heresia é resultado de meses de investigações conduzidas pela Ficco, que reúne a Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria de Administração Penitenciária e outros órgãos de segurança. A ação conta com:
- 71 policiais federais, entre delegados, agentes e escrivães;
- 480 policiais civis, com 25 delegados e 109 viaturas;
- 408 policiais militares, com 97 viaturas;
- 36 policiais penais;
- Suporte de unidades especializadas, como o Ciopaer (helicópteros) e a Copol (coordenação operacional).
Os alvos foram identificados por meio de um trabalho de inteligência que cruzou dados de escutas telefônicas, movimentações financeiras e denúncias.
A operação abrange tanto suspeitos em liberdade quanto detentos que, mesmo encarcerados, continuavam a ordenar crimes.
Em Itajaí (SC), por exemplo, a ação mira ramificações logísticas da facção, enquanto em Mossoró (RN) e Teresina (PI) os esforços se concentram em núcleos de tráfico.
Origem da facção Guardiões do Estado
A Guardiões do Estado (GDE) é uma facção criminosa que surgiu no Ceará em 2016, em áreas pobres de Fortaleza. Foi criada como resposta à chegada de outros grupos criminosos, como o PCC e o Comando Vermelho, no Nordeste.
O grupo começou com criminosos locais e alguns membros do PCC que queriam formar uma organização própria. A GDE cresceu rápido e se espalhou para outras partes do Brasil, criando uma rede de crimes que vai além do Ceará.
Com o tempo, a facção se firmou em várias regiões, principalmente nas prisões e nas comunidades mais pobres.
Eles estão envolvidos em crimes como assassinatos, tráfico de drogas, assaltos e extorsões, o que aumentou sua influência, especialmente em áreas mais vulneráveis.



