Físico proeminente comprova que viajar no tempo é possível

03/01/2015 19:38 Atualizado: 03/01/2015 19:38

O universo é cheio de mistérios que desafiam o nosso conhecimento atual. Em “Além da Ciência”, o Epoch Times coleta histórias sobre alguns estranhos fenômenos para estimular a imaginação e abrir a mente para novas possibilidades. Elas são reais? Você decide.

O Dr. Ron Mallett é um físico teórico famoso na Universidade de Connecticut, mas ele, um dia, já foi um menino que possuía uma cópia de “A Máquina do Tempo”, de H.G. Wells. O pai de Mallett morreu quando ele tinha 10 anos. Quando ele leu este livro, um ano após a morte, a ideia de viajar no tempo para impedir a morte de seu pai prendeu sua imaginação.

Não era uma fantasia passageira. Ele estudou física na faculdade, com um interesse especial em buracos negros. Ele imaginou que a compreensão sobre buracos negros poderia ajudá-lo a entender a viagem no tempo. Na época, os buracos negros foram considerados “loucura, mas pelo menos eram uma loucura legítima”, disse Mallett; viagem no tempo, por outro lado, era considerada “loucura louca”.

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“Eu usava os buracos negros como desculpa”, disse ele com uma risada.

Albert Einstein descreveu o tempo como uma quarta dimensão, e ele disse que o tempo e o espaço são ligados, portanto os físicos falam de espaço-tempo. Diz-se que espaços-tempos fazem curvas e reviravoltas em torno de buracos negros rotativos. Mallett se perguntou se ele poderia reproduzir essas condições aqui na Terra.

Duas coincidências ajudaram-no a descobrir como.

Quando se formou na faculdade, ele queria iniciar sua pesquisa de imediato, mas era uma época de recessão e as faculdades não estavam contratando de imediato. Ele acabou trabalhando com lasers, e aprendendo sobre as suas capacidades de corte para uso industrial. Depois de dois anos neste trabalho, ele conseguiu o emprego que desejava inicialmente na Universidade de Connecticut.

Para entender o progresso de sua pesquisa, é preciso compreender duas teorias de Einstein:

1. De acordo com a Teoria da Relatividade Especial de Einstein, o tempo é afetado pela velocidade. Já foi comprovado em laboratório que as partículas subatômicas podem ser lançadas para o futuro em altas velocidades. Um acelerador foi usado em partículas que acredita-se terem se desintegrado após um determinado período de tempo. As partículas aparecem no futuro, em um estado jovem, sem se desintegrarem da forma como habitualmente acontece. O envelhecimento das partículas diminui à medida que elas aceleram.

2. De acordo com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, o tempo também é afetado pela gravidade. Já foi comprovado que os relógios em satélites em órbita mostram uma ligeira diferença de tempo do que os relógios da Terra, caso eles não sejam ajustados para compensar tal diferença.

O Dr. Mallett sabia que a gravidade poderia afetar o tempo, e que a luz poderia criar gravidade. Ele ponderou e ponderou, e então o seu momento “Eureka” veio. Lasers!

Ele lembrou-se de seu trabalho anterior com lasers, e que um laser em forma de anel cria luz circulatória. Então pensou que “talvez a luz circulatória faça a mesma coisa com a gravidade que um buraco negro em rotação faria”. Ele se perguntou se um laser em forma de anel poderia ser usado para torcer espaços-tempos em um loop, indo do presente ao futuro e de volta ao passado.

Uma ilustração conceitual de como uma máquina do tempo poderia parecer. Os lasers criariam um movimento circular de luz, dobrando o espaço-tempo dentro da máquina (Screenshot de filmagem no laboratório do Professor Chandra Roychoudhuri, cortesia do Dr. Ron Mallett)
Uma ilustração conceitual de como uma máquina do tempo poderia parecer. Os lasers criariam um movimento circular de luz, dobrando o espaço-tempo dentro da máquina (Screenshot de filmagem no laboratório do Professor Chandra Roychoudhuri, cortesia do Dr. Ron Mallett)

Se o laser pudesse criar tal loop, a informação poderia ser enviada para o passado em forma binária. Os nêutrons giram, explicou Mallet. Uma cadeia de nêutrons poderia ser disposta de modo que alguns estejam em cima e outros em baixo, representando 1s e 0s respectivamente, criando assim uma mensagem binária.

Se o Dr. Mallett tivesse encontrado o trabalho de pesquisa que ele queria logo após a faculdade, ele não teria antes trabalhado com lasers e ganhado esse conhecimento que o ajudou tantos anos depois. “Eu tinha alguma coisa no meu currículo que os meus colegas que trabalham nesta área não tinham, então o fato de eu ter essa experiência no meu currículo me levou a esse avanço, que, caso contrário, eu não haveria tido”, disse Dr. Mallett.

Agora, a parte mais difícil: testar esta teoria em equações matemáticas. Foi aí que ocorreu a segunda coincidência. O Dr. Mallett foi diagnosticado com um problema cardíaco pouco antes ter a inspiração para usar lasers em forma de anel para viajar no tempo. Ele estava de licença médica para muitas das suas funções no trabalho.

Sem ter que dar aulas ou desempenhar funções do comitê, ele estava livre para se concentrar totalmente em sua pesquisa.

“Se eu não houvesse tido esse tempo, não sei se eu teria sido capaz de, não só ter o avanço, mas também o tempo para trabalhar com isso”, disse ele.

Ele levou seis meses para provar que a luz circulatória poderia torcer o espaço. Demorou mais dois anos para provar que a torção do espaço também poderia torcer o tempo. Apesar de ter sido um esforço trabalhoso e longo, o Dr. Mallett observou que Einstein levou 10 anos para mostrar que a gravidade afeta o tempo.

“Valeu a pena … realmente ver as equações e ver que elas preveem isso [que é possível viajar no tempo] é uma coisa emocionante,” disse o Dr. Mallett . A próxima emoção veio quando uma revista importante publicou seu primeiro artigo sobre a viagem no tempo.

Com medo, ele apresentou suas descobertas aos peritos da relatividade em uma conferência realizada pela Sociedade Internacional sobre a Relatividade Geral e Gravitação. Ele estava particularmente nervoso para falar sobre a viagem no tempo na frente do Dr. Bryce DeWitt, um proeminente físico que trabalhou com Einstein. O Dr. DeWitt falou logo antes do Dr. Mallett, uma situação difícil de encarar.

No final da apresentação do Dr. Mallett, no entanto, o Dr. DeWitt levantou-se na frente de toda a plateia e disse: “Eu não sei se você vai ter a chance de ver seu pai novamente, mas ele ficaria orgulhoso de você.” 

Em uma frase curta, anos de trabalho foram validados, suas aspirações foram realizadas e seu propósito inicial foi cumprido. Embora ele tinha sonhado prevenir a morte de seu pai quando criança, ele sente que as descobertas que fez, motivado pela memória de seu pai, são mais que suficientes.

Seu pai era o objeto de grande amor e admiração na vida do jovem Mallett. Sua mãe trabalhava duro para sustentar Mallett e seus três irmãos no bairro Bronx de Nova York. Não foi fácil, especialmente na década de 1950, para ela, uma mulher afrodescendente, ganhar a vida, e a família caiu na pobreza. Ele percebe o quão difícil deve ter sido para ela, que tinha apenas 30 anos de idade na época, perder o marido tão jovem por causa de um ataque do coração, e ter que trabalhar para criar os filhos.

O Dr. Mallett escreveu sobre sua jornada pessoal, bem como a sua descoberta em seu livro, “Time Traveler: A Scientist’s Personal Mission to Make Time Travel a Reality”.

Quanto tempo levará para fazer uma máquina do tempo?



Devemos deixar claro que o Dr. Ron Mallett não está construindo em sua garagem um Delorean e um capacitor de fluxo, como o Dr. Brown, em “De Volta Para o Futuro”. Ele é um físico teórico, não um físico experimental. Isso significa que ele desenvolveu a prova matemática de que a viagem no tempo para o futuro deve funcionar, mas cabe aos físicos experimentais obterem o hardware e construirem a máquina do tempo.

Isso poderia custar cerca de US $ 250.000 só para começar, disse ele. Os US $ 250.000 cobririam o estudo de viabilidade, e o estudo de viabilidade determinaria o quanto a fase experimental custaria.

Doações estão sendo feitas para a Fundação Universidade de Connecticut. “Até agora, cerca de US $ 11.000 em financiamento foram recebidos de um grande número de contribuintes generosos, que variam de US $ 15 a $ 25 de entusiasmados estudantes do ensino médio, para US $ 500 de um jovem casal interessado até US $ 1.000 de um pai em luto”, disse Dr. Mallett.

Questões filosóficas



Se um dia uma máquina do tempo for construída com base no projeto do Dr. Mallett, o que pode acontecer quando a chave for virada? Uma mensagem do futuro poderia aparecer instantaneamente.

A máquina do tempo só seria capaz de enviar informações ao longo da linha do tempo, a partir do momento em que a máquina for ligada pela primeira vez, até o momento em que ela for desligada. Então, se ela permanecer ligada por 100 anos, mensagens binárias podem ser enviadas a qualquer momento dentro desses 100 anos. Alguém do futuro pode saber que a máquina será ativada em uma determinada data e enviar uma mensagem através desse tempo.

Em um documentário da BBC-Discovery Channel que mostrou o trabalho do Dr. Mallett, o narrador disse que com a viagem no tempo “o que está em jogo é nada menos do que o significado de ser um ser humano”.

Se pudéssemos voltar no tempo e corrigir todo o sofrimento do mundo, se pudéssemos voltar atrás e evitar as coisas ruins que acontecem em nossas vidas, como isso impactaria o nosso crescimento pessoal e sabedoria? Que mudanças isto traria à nossa sociedade?

O Dr. Mallett disse que o filme “Time Cop”, estrelado por Jean-Claude Van Damme, explorou bem essa ideia. O personagem de Van Damme foi encarregado de regular a viagem no tempo para que as pessoas não pudessem usá-la para propósitos pessoais. Sua esposa tinha morrido e ele teve que se conter para não voltar para salvá-la.

“Cabe à sociedade decidir como a viagem no tempo será usada, ela não cabe a um indivíduo”, disse o Dr. Mallett. O Grande Colisor de Hádrons, o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, é gerido por um consórcio de nações. Ele imagina que uma máquina do tempo seria controlada de um modo semelhante. Ele não imagina que máquinas do tempo se tornarão mais comuns do que os reatores nucleares. As pessoas não terão máquinas do tempo em seus quintais para uso casual.

Para o Dr. Mallett, o melhor uso da viagem no tempo seria para alertar as pessoas sobre desastres naturais, para evitar, por exemplo, as milhares de mortes causadas por tsunamis e furacões.