30 grandes manifestações num mesmo dia na China

24/01/2013 18:00 Atualizado: 24/01/2013 18:00
Milhares de manifestantes na cidade de Dongyong realizam o 7º protesto anticorrupção contra o governo local em Guangdong em 21 de janeiro (Weibo.com)

Cerca de três dezenas de grandes protestos contra oficiais do Partido Comunista Chinês (PCC) ao redor da China ocorreram na segunda-feira, mostrando que tais incidentes estão se tornando mais e mais comuns.

De maneira geral, foram 30 manifestações públicas em 16 províncias, segundo o website ativista Molihua.org. Houve apenas um protesto no domingo.

Mais de 4 mil moradores em Shanwei, uma cidade no sul da província de Guangdong, participaram de um protesto anticorrupção no domingo, exigindo que o governo municipal se livre de funcionários locais que são suspeitos de confiscar e vender suas terras. Policiais foram mobilizados para reprimir a manifestação, que se dizia ser a sétima a demandar sobre a questão.

A demonstração dos moradores no domingo foi parte de uma série de protestos contra o confisco de suas terras, que eles alegam estarem sendo vendidas sem seu consentimento e sem receberem compensação pela venda.

Eles exigiam que o governo local investigasse os funcionários que estavam envolvidos em tais negócios ao longo das últimas duas décadas. Cerca de 20 hectares de terra foram vendidos em 17 negociatas secretas, rendendo lucros de vários milhões de dólares que foram desviados, segundo eles.

“Temos de insistir, caso contrário, nossos dolorosos três meses de esforços resultarão em nada”, disse Cai Siteng, um morador local, ao Epoch Times. Um blogueiro chinês, aparentemente de Dongyong, também disse que cerca de mil pessoas se reuniram para protestar “todas as noites para ganhar mais força”.

Mas, apesar dos protestos e das petições cobertas de impressões digitais, o governo de Shanwei, onde Dongyong está localizada, não respondeu.

Forte presença policial guardava a sede do governo municipal de Shanwei (Weibo.com)

Protestos em massa têm aumentado na China nos últimos anos. Em 2000, houve cerca de 40 mil manifestações de massa ou revoltas. Em 2009, houve 110 mil, informou o Observer News no mês passado.

No ano seguinte, em 2010, esse número aumentou para 280 mil “incidentes de massa”, que ocorreram em toda a China, segundo o Observer.

O Observer disse que o número de pessoas envolvidas nessas manifestações também aumentou uma média de 17% a cada ano na última década. Em 2000, houve um total de 1,63 milhão de manifestantes envolvidos, mas, em 2009, 5,72 milhões protestaram.

A apropriação e venda ilegal de terras, disputas trabalhistas e poluição ambiental são os principais motivos pelos quais os chineses protestam, disse Chen Guangjin, o vice-diretor do departamento de sociologia da Academia Chinesa de Ciências Sociais, relatou o IBTimes.

Entre as dezenas de manifestações na segunda-feira estavam: trabalhadores da construção civil em Lanzhou, província de Gansu, bloqueando estradas por questões salariais; proprietários de imóveis em Chengdu fizeram greve contra a política do governo; condutores de veículos de três rodas na cidade de Tongxiang, província de Zhejiang, protestaram por não poderem usar certas estradas; aposentados de uma fábrica de equipamentos militares em Nanjing; camponeses de Guangzhou, em Guangdong, pleiteavam indenização por um projeto de construção ferroviária…

—

Epoch Times publica em 35 países em 21 idiomas.

Siga-nos no Facebook: https://www.facebook.com/EpochTimesPT

Siga-nos no Twitter: @EpochTimesPT