Realidade: A China está longe de superar os EUA e pode fazê-lo apenas se ajudada por fracassos dos EUA
O PIB da China, divulgado em 15 de julho, superou as expectativas, com um crescimento de 7,5% ano-a-ano no segundo trimestre de 2014. Economistas esperavam 7,4%. A maioria das pessoas acredita que a China ultrapassará os Estados Unidos como a economia mais poderosa do mundo se esse crescimento continuar. Não tão rápido, afirmam Dean Cheng e Derek Scissors, da Fundação Heritage.
Este é o mito generativo, do qual os outros emergem. Em menos de uma geração, a economia mundial supostamente teria um novo líder. A China teoricamente seria maior do que os Estados Unidos, e pela primeira vez a economia americana não estaria no topo do mundo em mais de um século. Isto é dito seguindo-se apenas a projeção de crescimento do PIB chinês e norte-americano.
Mas isso está errado em vários aspectos. Em primeiro lugar, o PIB não é tão importante quanto se imagina. Ele não é uma medida de bem-estar econômico, é uma medida enganosa da produção nacional anual. Ele desconta as importações, não importa o quão vital elas sejam, e considera o endividamento do governo como sendo sempre positivo, porque apenas o ano em curso é relevante. Porque ele é meramente um dispositivo de contabilidade, as mudanças no PIB não fazem qualquer coisa – emprego, inflação, nada.
Um ano de produção não é “a economia”. Uma noção muito superior de “economia” é o estoque de riqueza nacional – todos os bens que se acumularam ao longo do tempo. O estoque de riqueza privada americana em 2012 era de US$ 70 trilhões. Usando os mesmos métodos da riqueza americana, o estoque de riqueza da China é de US$ 20-25 trilhões, embora a participação de ativos do governo e o controle de preços forneçam uma estimativa muito grosseira. O tamanho absoluto da diferença entre os Estados Unidos e a China se aproximaria de US$ 50 trilhões e levaria décadas para encurtar isso.
Ou nunca. A outra parte sobre a China passar os Estados Unidos é a extrapolação. O desempenho econômico da China entre 1945-1978 significava muito pouco para seu desempenho econômico entre 1979-2012. E 1979-2012 provavelmente significará muito pouco para 2013-2046.
Uma razão óbvia é a demografia. A China era um país jovem com uma força de trabalho em expansão, quando a reforma orientada para o mercado foi iniciada em 1978. Os dois fatores alimentaram um ao outro: o mercado encontrou oportunidades para todos e o número bruto de trabalhadores empurrou a taxa de expansão econômica para cima. Agora, a China está na meia-idade e se dirige rapidamente para a senilidade. O número de pessoas com 60 anos ou mais deverá dobrar entre 2010-2030, passando de 350 milhões. Mesmo as políticas mais brilhantes serão menos bem-sucedidas nessas condições.
O mesmo é verdadeiro sobre os recursos físicos. As exigências implacáveis do desenvolvimento urbano e da indústria pesada têm aniquilado a terra arável, poluído a água e o ar, e sobrecarregado a oferta local de energia e metais. As importações estão disponíveis, mas o próprio estoque de recursos da China tem sido esgotado e a escassez de água, especialmente, lança uma sombra sobre a sustentabilidade desse modelo.
Outras fontes de crescimento econômico são o capital e a inovação. A China registra despesas de investimento US$ 15 trilhões maiores do que a quantidade de investimento que realmente contribui para o PIB anual. Parte disso se deve a diferenças de contabilidade, mas centenas de bilhões de dólares são desperdiçados anualmente. Numa série de setores, Pequim exige que empresas estatais (EE) devam liderar [ou monopolizar]. Isso não deixa as EE, nem as pequenas empresas privadas que poderiam desafiá-las, muito incentivo para inovar.
A América é mais rica agora, será mais jovem muito em breve, tem mais recursos naturais e é mais inovadora. A China não encurtará a disparidade de riqueza, a não ser que os EUA desperdicem suas vantagens com políticas fiscal, monetária e regulatória irresponsáveis.
Essa é a Parte 1 de uma série de três partes orginalmente publicada pela Heritage.org.



