Realidade: A China não está engajada em reforma econômica pró-mercado e não tem mudado sua abordagem econômica
O PIB da China, divulgado em 15 de julho, superou as expectativas, com um crescimento de 7,5% ano-a-ano no segundo trimestre de 2014. Economistas esperavam 7,4%. A maioria das pessoas acredita que a China ultrapassará os Estados Unidos como a economia mais poderosa do mundo se esse crescimento continuar. Não tão rápido, afirmam Dean Cheng e Derek Scissors, da Fundação Heritage.
Para aqueles que não prestam muita atenção, a China parece ter permanecido no caminho da reforma econômica pelas últimas duas décadas, com talvez uma exceção compreensível e sábia (aos olhos de muitos) para a intervenção do governo durante a crise financeira. Mais recentemente, o governo chinês se comprometeu publicamente em tornar o consumo interno o núcleo de sua política econômica.
Na verdade, a última década da política econômica chinesa pode ser dividida em três partes. Primeiro, reverter o mercado em favor do Estado sem que ninguém perceba. Em seguida, reverter o mercado em favor do Estado em meio a aplausos globais. E finalmente, preocupar-se com os danos causados por redirecionar o mercado em favor do Estado. Pequim atualmente fala sobre regredir a ênfase no investimento e promover o consumo interno, mas as autoridades têm sido incapazes ou desinteressadas em agir.
O problema desse desequilíbrio da China nem sempre existiu, ele foi criado em 2003, quando o crescimento do investimento estatal acelerou. Sustentar esta aceleração exigia veículos de investimento, o que significa que o Estado teve de exercer controle estrito sobre os bancos e grandes corporações. Este controle foi destacado em 2009, quando a China ordenou aos bancos estatais que expandissem o crédito e os empréstimos, mesmo quando o ambiente de negócios estava se deteriorando. Agora, este desafio à lógica comercial está revelando seus efeitos na forma de preocupações acentuadas com a dívida monumental criada.
O reequilíbrio ainda nem começou. De 2002 a 2012, o investimento fixo cresceu por um fator de 11, enquanto as vendas no varejo, uma medida de consumo, expandiram por um fator de 5. Até o final de 2012, o investimento fixo foi novamente 75% maior do que as vendas no varejo. No primeiro semestre de 2013, o investimento cresceu outros 20% e as vendas no varejo cresceram 12%.
O quadro mais amplo da reforma não é melhor. Pequim não gosta de concorrência no mercado interno (mas a competição em outros mercados, é claro, é uma ideia maravilhosa). Para o carvão, gás, petróleo, petroquímica, energia, telecomunicações e tabaco, há um total de 17 empresas que operam a nível nacional, todas extremamente grandes e absolutamente estatais. Uma lei antimonopólio não é aplicada a estas empresas, mas é brandida contra empresas estrangeiras. O governo inclusive quer que outras indústrias também se consolidem em poucas empresas estatais de grande porte.
A China é um grande e importante parceiro econômico dos Estados Unidos, mas ela parou sua reforma e não é um bom parceiro.
Parte 1 – Mito No. 1: A China está indo bem e a caminho de ultrapassar os EUA economicamente
Essa é a Parte 2 de uma série de três partes orginalmente publicada pela Heritage.org.



