Enquanto a liderança chinesa realizava uma nova rodada de seu jogo pelo poder na 4ª Plenária do Congresso Nacional do 18º Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC), o regime chinês continuava atolado em problemas internos e externos.
Como o PCC lidará com o movimento pró-democracia em Hong Kong ou como lidará com o ex-chefe da segurança pública Zhou Yongkang, que está atualmente sob investigação disciplinar, são algumas das questões difíceis que pairavam sobre a plenária, que encerrou em 23 de outubro.
Somando-se a esses problemas há a crescente violência étnica na província chinesa de Xinjiang.
Uma série de confrontos recentes deixou mais de cinquenta mortos e centenas de feridos. De acordo com o Centro de Informação sobre Direitos Humanos e Democracia, sediado em Hong Kong, o regime chinês está programado para implantar 100 mil soldados na província em apoio à polícia local.
De acordo com informações divulgadas pelo Centro de Informação; nos dez dias entre 10 e 20 de outubro, a violência na Prefeitura de Kashgar resultou na morte de mais de cinquenta pessoas e mais de uma centena de feridos.
Não é a primeira vez que a violência em Xinjiang ocorre simultaneamente com grandes eventos políticos.
Em 28 de julho, um dia antes de a investigação de Zhou Yongkang ser anunciada publicamente, a violência no condado de Shache, em Xinjiang, deixou 96 mortos e 13 feridos. A polícia fez centenas de detenções.
Durante a reunião da Conferência sobre Medidas de Interação e Construção da Confiança na Ásia (CICA) em maio deste ano, uma explosão nos arredores de Urumqi, a capital da província de Xinjiang, matou pelo menos 31 e feriu 94, segundo fontes oficiais.
Semanas antes, no final de abril, quando o líder chinês Xi Jinping visitou Xinjiang, uma bomba na estação ferroviária de Urumqi matou três pessoas e feriu 79.
Especula-se que Xinjiang está sob a jurisdição dos aliados do ex-líder chinês Jiang Zemin, os quais têm laços estreitos com Zhou Yongkang. Zhou foi possivelmente o alvo mais importante dos últimos expurgos anticorrupção do atual líder Xi Jinping. Pode haver mais do que mera coincidência no momento dos conflitos violentos em Xinjiang.
Bo Xilai, um político desgraçado que esteve no comando da megalópole de Chongqing, estava sendo preparado para assumir o poder na China com o apoio da facção de Jiang Zemin. Quando no início de 2012 o chefe de polícia Wang Lijun (e ex-braço-direito de Bo Xilai) fugiu para o consulado americano e logo depois foi levado para Pequim para investigação, o próprio Bo Xilai foi posto sob investigação e levado a julgamento.
Na véspera do julgamento de Bo Xilai em agosto passado, a violência eclodiu no condado de Kargilik, em Xinjiang, quando elementos da Secretaria de Segurança Pública local foram investigar uma reunião de uigures, o maior grupo étnico de Xinjiang. O conflito entre as duas partes resultou em 16 mortes e 20 feridos, incluindo a morte de um policial. 60 uigures foram presos posteriormente.
Por muitos anos o controle de Xinjiang tem estado nas mãos de Wang Lequan, que é conhecido como o “secretário estabilidade” por suas políticas linha-dura, especialmente em relação às minorias étnicas, como os uigures. Com o apoio de Jiang Zemin e Zhou Yongkang, um incidente mortal em Xinjiang que ocorreu em julho de 2009 não foi investigado. Eventualmente, Wang foi promovido a vice-secretário do Comitê dos Assuntos Político-Legislativos, que era dirigido por Zhou Yongkang até sua queda recente.
O condado de Maralbexi em Kashgar está em estado de sítio, disse o Centro de Informação. Num movimento raro, tropas chinesas entraram na área e impuseram lei marcial. Eles estão se posicionaram em cada vila e via de tráfego, preenchendo os espaços que a polícia militar de Xinjiang não pode.
O Centro de Informação disse que uma das decisões que seriam tomadas na 4ª Plenária do PCC seria a de implantar 100 mil tropas para reforçar o braço motorizado-blindado da polícia militar que opera em Xinjiang.
De acordo com a Radio Free Asia, milhares de pessoas já morreram devido à violência étnica em Xinjiang.



