O Brasil alcançou a marca histórica de 322,3 milhões de toneladas na produção de grãos para a safra 2024/25, de acordo com o 4º levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Este crescimento de 8,2% em relação à safra anterior reflete a alta produtividade em culturas como soja, milho e arroz.
A expansão da área cultivada, que totalizou 81,4 milhões de hectares (aumento de 1,8%), impulsionou o recorde de produção. A soja, principal cultura de exportação, registrou um crescimento de 12,6%, com 166,3 milhões de toneladas, seguida pelo milho, que atingiu 119,5 milhões de toneladas, e pelo arroz, com 11,9 milhões de toneladas.
Apesar do desempenho positivo, a Conab ajustou suas previsões devido a condições climáticas desfavoráveis que impactaram as culturas de inverno, resultando em uma redução de 173,9 mil toneladas na estimativa anterior.
Impactos climáticos e incertezas
O resfriamento do Pacífico Equatorial e a possível transição para o fenômeno La Niña intensificaram a imprevisibilidade climática. Chuvas abaixo da média foram registradas em regiões importantes, como o Nordeste, enquanto outras áreas, como o Centro-Oeste, se beneficiaram de condições mais favoráveis.
A Conab destacou que as projeções para a segunda e terceira safras dependem de fatores como comportamento climático e dinâmica de mercado.
Risco econômico para o agronegócio
Entretanto, o desempenho do agronegócio enfrenta desafios econômicos significativos, evidenciados pelo aumento recorde de pedidos de recuperação judicial no setor em 2024.
Paralelamente ao crescimento na produção, o agronegócio vive uma situação financeira delicada. Segundo o relatado pelo Epoch Times, o Brasil registrou 2.113 pedidos de recuperação judicial em 2024, o maior número da série histórica iniciada em 2005.
Este aumento reflete o impacto do endividamento crescente, dos custos elevados de insumos e da volatilidade cambial sobre os pequenos e médios produtores.
A alta dependência de fertilizantes e outros insumos importados aumentou a vulnerabilidade do setor, enquanto problemas estruturais, como a logística deficiente e a alta carga tributária, limitaram ainda mais a competitividade.
Embora a produtividade esteja em alta, muitos produtores não conseguem equilibrar suas contas diante do aumento das despesas operacionais.
Apesar do aumento das dificuldades financeiras, as exportações continuam promissoras. A Conab projeta crescimento nas vendas externas de algodão (2,73% a mais que em 2024) e maior consumo interno em cerca de 710 mil toneladas, alta de 2,16%.



