Zhou Yongkang, ex-chefe da segurança chinesa, é expulso do Partido Comunista

A Xinhua, uma mídia estatal porta-voz do regime chinês, anunciou na meia-noite de 5 de dezembro que o ex-chefe da segurança pública, Zhou Yongkang, foi expulso do Partido Comunista Chinês por uma longa lista de crimes.

Zhou, disse a Xinhua, “violou gravemente a disciplina política do Partido”, fraseologia que engloba atos criminosos, bem como uma variedade de condutas imorais.

O anúncio de que Zhou seria expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) ocorre pouco mais de quatro meses após ser anunciado em 29 de julho que ele estava sob investigação. Este anúncio, por sua vez, seguiu-se a quase dois anos de especulação e expectativa de que Zhou estava na alça de mira do líder chinês Xi Jinping, por seu apoio incondicional ao membro do Politburo desgraçado Bo Xilai e por envolvimento numa conspiração com Bo Xi para derrubar Xi Jinping no final de 2012, durante a transição da liderança chinesa.

Leia também:
• Regime chinês em crise: poderoso ex-chefe da segurança é preso
• Agentes anticorrupção fiscalizam universidades e órgãos de pesquisa na China
• Investigação de corrupção leva alto oficial da Marinha chinesa a se suicidar

O drama vai ainda mais longe, quando em maio de 2012 o Epoch Times informou que o ex-líder chinês Hu Jintao concordou com uma investigação de Zhou Yongkang. Devido à elevada posição de Zhou no PCC, uma investigação que pudesse resultar em prisão tinha poucos precedentes.

A expulsão de Zhou do PCC abre o caminho para que ele seja entregue às autoridades judiciais, que orquestrarão um julgamento espetáculo para tentar mostrar que os funcionários do Partido, mesmo expurgados, são concedidos um mínimo de processo legal na China.

Na verdade, menos de uma hora após o anúncio, a Suprema Procuradoria Popular, o escritório máximo do promotor do PCC, disse que já havia prendido Zhou Yongkang e estabelecido uma investigação em função das acusações contra ele.

A lista das transgressões de Zhou, conforme providenciada pela Xinhua, foi particularmente longa. Ela incluía: abusar do poder para beneficiar particulares; desviar “vastas somas do dinheiro público”, por vezes, por meio de familiares; usar seu poder para favorecer parentes, amantes e amigos a obterem “enormes benefícios”, causando enormes prejuízos ao Estado; violar seriamente a autodisciplina e um governo limpo; e receber enormes subornos para si e para familiares; engajar-se em numerosas relações adúlteras; e negociar autoridade por sexo. A investigação sobre Zhou também revelou os crimes de outros diversos funcionários, disse o anúncio.

E continuou: “As ações de Zhou Yongkang violam completamente os princípios e características do PCC, violam gravemente a disciplina do Partido, causaram enormes danos à reputação do Partido e tiveram uma influência extremamente vil no empreendimento comum do Partido e das pessoas.”

Leia também:
• Poderoso aliado do ex-líder chinês Jiang Zemin perde influência
• Líder chinês assume controle de agência-chave da segurança pública
• Investigação anticorrupção visa mídia estatal Diário do Povo
• Farsa do Dia Nacional: Encontro frio entre líderes comunistas rivais

O Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista, o órgão principal do poder no regime chinês, constituído por sete membros efetivos, incluindo o secretário-geral e presidente Xi Jinping, teria ouvido um relatório preliminar sobre os crimes de Zhou, elaborado pelo Comitê Central de Inspeção Disciplinar (CCID), a agência anticorrupção do PCC, em 1º de dezembro de 2013. Posteriormente, o Politburo ouviu o relatório do CCID e em seguida começou a investigação formal que levou à conclusão recentemente reportada.

A expulsão de Zhou Yongkang sinaliza que Xi Jinping quase completou seu trabalho dos últimos dois anos para desmantelar totalmente a rede política do ex-líder chinês Jiang Zemin. Embora Jiang tenha estado oficialmente na liderança do PCC e da China apenas entre 1989-2002, ele e sua facção, incluindo o chefe da segurança Zhou – continuaram a exercer poder político e econômico substancial na China por mais de duas décadas. O poder desta facção está agora efetivamente quebrado, embora observadores ainda esperem pelos últimos pregos no caixão.

Muitos dos itens na lista de crimes de Zhou são acusações-padrão para funcionários corruptos do regime, e uma ladainha tão robusta de delitos aparece sem surpresas para um funcionário da estatura de Zhou. Mas uma linha pareceu incomum: “divulgar segredos do Partido e do Estado”.

O resto do anúncio não faz maiores referências a que segredos Zhou foi acusado de ter divulgado ou para quem. No início do ano, o jornalista veterano chinês Gao Yu, que recentemente foi libertado da prisão, deu a entender que Zhou pode estar envolvido num suposto vazamento de informações sobre a fortuna da família de Xi Jinping, quando Xi ainda era vice-presidente da República Popular da China, para a Bloomberg News. A Bloomberg e Michael Forsythe, o repórter que trabalhou na história e agora é empregado do New York Times, negaram que este fosse o caso.

No entanto, não há dúvida de que Zhou, como alto funcionário da segurança do PCC, teria acesso aos segredos mais sensíveis do PCC e de seu funcionamento interno.

Gao Yu escreveu: “Um rompimento com Zhou Yongkang, que tem todos os segredos em suas mãos, viraria completamente o jogo. Para Xi Jinping desmantelar a entrelaçada rede de poder de Zhou Yongkang, ele deve ter a mesma determinação que levou a detenção da Gangue dos Quatro e a eliminação de Lin Biao por Mao Tsé-tung.”

A Gangue dos Quatro era a facção política que foi culpada pelas consequências da Revolução Cultural e por isso eliminada.

Gao Yu continuou: “O dia em que Xi conseguir derrubar Zhou seria o dia em que ele realmente assumiu o controle do PCC e consolidou seu poder.”

 
Matérias Relacionadas