YouTube bloqueia canais financiados pela Rússia e para monetização no país

Autoridades russas, por sua vez, passaram a restringir o acesso às plataformas ocidentais de mídia social

Por Tom Ozimek 

O YouTube está apertando os parafusos dos canais de mídia financiados pelo Estado russo, bloqueando o acesso a eles em todo o mundo e interrompendo todas as formas de monetização na plataforma no país, afirmou a empresa em um comunicado, citando políticas de conteúdo relacionadas a eventos como a guerra na Ucrânia.

A plataforma de streaming de vídeo de propriedade do Google anunciou que estava removendo o conteúdo sobre a invasão da Ucrânia pela Rússia que viola suas políticas que proíbem conteúdo que negue, minimize ou banalize eventos violentos.

“De acordo com isso, agora também estamos bloqueando o acesso aos canais do YouTube associados à mídia financiada pelo Estado russo globalmente, que expandiram-se por toda a Europa”, disse a empresa.

Vários dias depois que a Rússia lançou o que o Kremlin chama de “operação militar especial” para neutralizar os militares da Ucrânia e depor sua liderança, o YouTube bloqueou os canais financiados pelo Estado russo, Russia Today e Sputnik, em toda a Europa.

A medida de sexta-feira expande essas proibições para todo o mundo, com efeito imediato, embora o YouTube tenha dito que levaria algum tempo para que a fiscalização aumentasse.

O YouTube também disse que expandiu sua recente pausa de publicidade na Rússia para incluir a interrupção de todas as formas de monetização em sua plataforma.

“Nossas equipes continuam monitorando de perto a situação e estão prontas para tomar mais medidas”, disse o YouTube.

A mídia estatal russa chamou as restrições impostas a eles por distribuidores, que incluem lojas de aplicativos e plataformas de mídia social, como censura infundada.

“O bloqueio do YouTube nada mais é do que uma nova reviravolta de um ataque atroz a um dos princípios fundamentais de uma sociedade democrática – que é a liberdade de imprensa”, disse o jornal russo Sputnik em comunicado nesta sexta-feira.

As autoridades russas, por sua vez, passaram a restringir o acesso na Rússia às plataformas ocidentais de mídia social.

Reguladores em Moscou proibiram o acesso ao Facebook e agora planejam bloquear o Instagram. O órgão de vigilância da mídia da Rússia avançou na sexta-feira com a restrição do acesso ao Instagram, a partir de 14 de março, de acordo com a mídia estatal russa Tass, que relatou que a medida se deve à disseminação do discurso de ódio contra os russos.

A Meta, dona do Instagram, disse na quinta-feira que a empresa afrouxou temporariamente suas regras de discurso de ódio, permitindo postagens de usuários em alguns países pedindo violência contra os militares russos, embora não permitisse apelos à violência contra civis.

O gabinete do procurador-geral da Rússia abriu na sexta-feira um processo criminal contra a Meta, buscando rotular a empresa como uma organização “extremista” e proibir suas operações na Rússia, segundo a Tass.

Adam Mosseri, chefe do Instagram, confirmou que a plataforma de compartilhamento de fotos seria bloqueada na Rússia no dia 14 de março, enquanto expressava sua oposição à proibição.

“Esta decisão cortará 80 milhões na Rússia, já que cerca de 80% das pessoas na Rússia seguem uma conta do Instagram fora de seu país”, disse Mosseri no Twitter.

“Isso está errado”, acrescentou.

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