ARTIGO - Publicado em - Atualizado em 18/05/2017 às 11:38

Viver na China é mais brutal do que qualquer história de cinema, diz cineasta

Se nós não podemos evitar estes crimes, um dia isto poderá acontecer conosco

Uma avó octogenária se levanta em uma pilha de pedras em seus pés descalços para dar um discurso contra a corrupção do secretário da aldeia, em uma reunião de aldeões da Aldeia Taishi em 31 de julho de 2005, em Cantão, província de Guangdong. Ma Qiang argumenta que tais abusos de poder são comuns (Fotos de China / Getty Images)

Uma avó octogenária se levanta em uma pilha de pedras em seus pés descalços para dar um discurso contra a corrupção do secretário da aldeia, em uma reunião de aldeões da Aldeia Taishi em 31 de julho de 2005, em Cantão, província de Guangdong. Ma Qiang argumenta que tais abusos de poder são comuns (Fotos de China / Getty Images)

Nenhum roteirista poderia vir com um script sobre as tragédias que acontecem diariamente na China. É simplesmente muito chocante e tenebroso.

Em 2011, eu resignei de meu trabalho massante e estava pronto para entrar na indústria cinematográfica. Uma companhia internacional se aproximou de mim e me pediu para escrever um roteiro que refletisse os problemas sociais que estão no âmago da sociedade chinesa. O agente frisou especificamente que o produtor e o cinegrafista eram de empresas estrangeiras, então eu poderia escrever sem hesitação.

Em seguida eu escrevi o esboço para o filme “Grand Petition” o mais rápido que eu pude. A história é baseada em experiências de vários peticionários chineses que eu conhecia. Logo, o agente respondeu, dizendo que o produtor achou as histórias muito trágicas. Ninguém iria acreditar que aquilo pudesse estar acontecendo no século 21, especialmente na China, mesmo que o filme fosse feito. Eles disseram que eles não poderiam investir no filme considerando as vendas na bilheteria.

Pouco tempo depois, o famoso diretor Jia Zhangke fez o filme “A Touch of Sin”, também sobre o proletário chinês. O filme foi baseado em quatro casos relatados na mídia e retratou com quase nenhuma melhoria artística. De forma que o vídeo foi lançado quase que direto de câmeras de segurança, e ainda ganhou inúmeros prêmios no exterior. Mas certamente não obteve sucesso na bilheteria, pois foi banido na China.

Recentes relatórios, no entanto, são ainda mais trágicos que o filme de Jia Zhangke. A vida do proletariado chinês é de fato um inferno!

Enquanto eu estava trabalhando neste artigo, um evento foi divulgado amplamente no microblog e no Wechat, tendo também sido removido pela censura. Um estudante de ensino fundamental em Luzhou, uma cidade da província de Sichuan, foi brutalmente agredido até a morte por não ter pagado uma “taxa de proteção” de 10.000 yuans para estudantes na escola que, segundo os rumores, eram de famílias poderosas. O estudante sofreu fratura nos braços e pés e ferimentos nas costas por ter sido agredido com um cano de aço. Após sua morte, os diretores da escola e a polícia anunciaram a causa da morte: “ter caído de um lugar alto”. Eles optaram por cremar o corpo imediatamente antes que a família chegasse. Mas a família chegou a tempo de impedir que eles colocassem o corpo no veículo. Semanas mais tarde a polícia estava ainda à procura da família e do corpo do estudante.

Menos de uma semana antes, um caso que havia acontecido no ano passado em Shandong veio à tona.

Uma mulher de negócios, que foi vítima de agiotagem, foi estuprada e espancada até a morte na presença de seu filho por um grupo local que cobrava débitos. Alguém chamou a polícia que, ao chegar no local, simplesmente disse aos assassinos que estava tudo bem cobrar pelo dinheiro mas que eles não poderiam bater nas pessoas, deixando a cena do crime em seguida. O filho então iniciou uma luta com os agressores, munido com apenas um canivete, matando um homem e ferindo três. Em seguida, a justiça chinesa condenou o filho à prisão perpétua. De acordo com uma publicação online, parte do dinheiro que tinha sido pago pela mãe foi para oficiais do governo do local.

Outro incidente também foi descoberto na província de Henan aproximadamente na mesma época: o estupro de 30 jovens adolescentes de menos de 14 anos de idade que ocorreu desde 2015 até os dias de hoje. Foi comentado que líderes do comércio local e do governo estavam envolvidos. Eles supostamente acreditavam que relações sexuais com virgens poderiam proporcionar-lhes crescimento na carreira e outras bençãos.

Além disto, duas semanas atrás, Ming Jingguo, um homem de Ganzhou, na província de Jiangxi, matou o vice prefeito do município com uma enxada por ter comandado um grupo que executou uma demolição forçada. Ao que tudo indica, o governo local estava com a intenção de construir uma nova vila e decidiu derrubar casas que não tinham uma boa aparência, sem pagar nenhuma compensação.

Em menos de meio mês, vários casos de crimes hediondos que foram cometidos contra a camada mais baixa da sociedade vieram à tona. Os casos nem sequer incluíam as interceptações e detenções de peticionários e as perseguições à advogados de direitos humanos, pois as pessoas já estão acostumadas a estes fatos.

Nós nem sequer lembramos de muitas coisas que aconteceram a quinze dias atrás porque nós esquecemos. Tragédias humanas são a norma na China e são tratadas com uma vergonhosa risadinha. Estas coisas acontecem neste país todos os dias, com centenas de milhares de espectadores assistindo e esquecendo a todo momento.

Se nós não podemos evitar estes crimes, um dia isto poderá acontecer conosco. Se a humanidade não fizer algo para mudar isto, o crime devorará nosso mundo eventualmente, e todos se tornarão vítimas.

Ma Qiang é um diretor cinematográfico e documentarista independente. Esta é uma versão curta de seu artigo mais recente, publicada originalmente no jornal online China Human Rights Biweekly. O artigo argumenta que assassinato, abuso, and conspiração são situações comuns na China, e que as autoridades simplesmente falham em agir. O resultado é uma sociedade disfuncional.

Originalmente publicada em: The Epoch Times Ir para a home do Epoch TimesVer original
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    Achar que é só com os outros, mas logo-logo poderá bater à sua porta.

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