Vítimas de demolição forçada ameaçam suicídio coletivo em Pequim

Um grupo de mais de 30 vítimas de demolição forçada na China ameaçou ir a Pequim e cometer suicídio coletivo se as autoridades locais não respondessem a suas queixas e lhes pagasse uma indenização por suas casas demolidas para o desenvolvimento da terra num projeto de transformação urbana.

O grupo se reuniu em frente ao escritório de apelações da cidade de Wuhan, capital da província de Hubei, no dia 20 de novembro, mostrando suas cartas de apelo estampadas com impressões digitais vermelhas, um sinal da seriedade de suas intenções. Suas cartas afirmam que nos últimos três anos, eles tentaram repetidamente, mas sem sucesso, chegar a um acordo com as autoridades locais sobre o pagamento de compensação.

“Não vemos um solução possível e também não aguentamos mais, tanto física como mentalmente. Nós perdemos a esperança e a realidade nos obriga a cometer suicídio em Pequim para nos libertar desse sofrimento”, dizia a carta.

As autoridades locais iniciaram um projeto de transformação urbana na vila de Xinchun, no distrito de Jiangan, cidade de Wuhan, em outubro de 2010, e as casas de muitos moradores foram marcadas para demolição. Segundo os peticionários, as autoridades negaram indenização aos moradores que não eram residentes originais, mas trabalhadores migrantes. Em 29 de julho de 2011, as autoridades mobilizaram dezenas de escavadeiras e contrataram centenas de bandidos para espancar qualquer um que se atrevesse a resistir à demolição forçada. Dezenas de moradores acabaram no hospital após o confronto.

A Sra. Cai Huiqing, uma dos peticionários, disse ao Epoch Times por telefone que, embora sejam migrantes, eles pagaram ao comitê da vila pela terra e para construir suas casas e moravam lá há mais de dez anos.

O Sr. Wang Yuping, outro peticionário, disse que as autoridades locais não discutiram compensação com eles e por fim demoliram suas casas como construção “ilegal”.

“Nós investimos nossas economias de uma vida [para construir essas casas]. Muitas pessoas foram espancadas na demolição forçada. Fomos brutalmente ameaçados. O governo também cortou nossa água e eletricidade e destruiu a estrada. Muitas famílias foram afetadas e muitos desistiram de apelar. Nós somos os únicos que restam”, disse ele.

De acordo com a Sra. Cai, as autoridades locais enganaram os peticionários nos últimos três anos e os peticionários estão esgotados e sem esperança em seus esforços de retratação. Portanto, eles decidiram que sua única opção era se suicidar em Pequim durante a 3ª Sessão Plenária do Partido Comunista em 9-12 de novembro e compraram pesticidas para o ato. Mas as autoridades descobriram seus planos e os interceptaram e mandaram de volta, dizendo que resolveriam o problema.

“Mas quando retornamos, o chefe de polícia local nos colocou num centro de educação legal [centro de lavagem cerebral] e nos ameaçou”, disse Cai. “Eles nos ameaçaram de várias formas e nos trancaram numa prisão subterrânea. Não temos qualquer opção agora.”

Demolições forçadas e divergências sobre compensação são uma das principais fontes de descontentamento entre os agricultores e residentes de áreas rurais na China, onde a corrupção dos governos locais têm se enriquecido com a desapropriação de terras para projetos de desenvolvimento.

 
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