Visão do mercado europeu: a calmaria que precede a tempestade

Jovens descansam na piscina durante uma manifestação pacífica projetada para chamar a atenção da situação econômica e disparidade da receita na Espanha em uma propriedade pertencente ao Duque de Moratalla, membro da família real da Espanha em Córdoba em 21 de agosto. A taxa de desemprego de Andaluzia, uma região particularmente atingida por uma recessão provocada pelo colapso de sua principal indústria de construção, é de quase 34%. (Cristina Quicler/AFP/Getty Images)

Mercado visa reuniões do Banco Central na próxima semana

As negociações da semana passada foram razoáveis, graças ao discurso de Ben Bernanke em Jackson Hole, tendo em vista a volatilidade do fim do mês na última sexta-feira.

No geral, o euro estava praticamente plano, subindo de 0,50% a 1,2579. O índice do EURO STOXX também foi estável, fechando em 2,440. Ações de bancos continuaram a correr, porém, com adição de 3% no índice bancário Dow Jones da EURO STOXX.

O analista técnico da Goldman Sachs, John Noyce, pensa que – depois de uma significativa competição – o euro será conduzido pelo aumento do interesse competitivo entre EUA e Alemanha, uma vez que isso refez a discrepância anterior. O aumento do interesse foi observado como um indicador muito bom, no ano passado, e a economia teórica que o embasa faz sentido.

A significativa deterioração nos fundamentos econômicos da zona do euro vai reduzir os rendimentos alemães – uma vez que os preços dos títulos alemães sobem inversamente – refletindo um vôo para uma oferta segura. Se a situação nos Estados Unidos permanecer inalterada, os rendimentos na América vão ficar estáveis. Assim, a diferença entre os dois investimentos irá aumentar, empurrando o número, que é negativo até o momento, para baixo. Uma vez que as bases do euro são piores do que as dos EUA, o euro será vendido, alcançando as bases da receita fixa.

Dados econômicos amplamente negativos

O fato do mercado não ter descido é bastante surpreendente, no entanto, como o fluxo de notícias foi amplamente negativo.

A pesquisa sobre confiança econômica da Comissão Européia para agosto diminui em 1,8 pontos para 86,1, uma baixa de três anos. Outros relatórios econômicos sobre serviços e confiança do consumidor também diminuiram acentuadamente.

A taxa de desemprego também não dá nenhuma razão para confiança, já que subiu para 11,3% em julho, para a zona do euro. Este é o nível mais alto desde 1990, sendo as nações periféricas as mais atingidas, mas o desemprego alemão também viu um ligeiro aumento embora em níveis ainda muito baixos.

O desemprego juvenil é particularmente preocupante, especialmente em países periféricos como Espanha, Portugal, Itália e Grécia. Desde julho, 22,6% das pessoas no mercado de trabalho a partir de 25 anos estão desempregadas, a mais alta em 18 anos.

Itália ostenta uma taxa de 35%, enquanto a Espanha a Grécia têm taxas tão elevadas quanto 53%. A Alemanha está abaixo de 10%. Este desenvolvimento é um pouco assustador, uma vez que tira a esperança das novas gerações e fornece o impulso para os partidos populistas nas ponta do espectro político.

Para piorar as coisas, a inflação em agosto também aumentou de 2,4% para 2,6% em relação a agosto do ano passado. Isso foi mais elevado do que as expectativas dos economistas de um aumento de 2,5%, e torna as coisas mais difíceis para o Banco Central Europeu na próxima semana com as inflações permanecendo vigilantes.

Uma semana à frente

Essa semana, todos os olhos estarão voltados para o Banco Central Europeu (BCE) devido à reunião de 6 de setembro para medidas políticas adicionais.

Recentemente, rumores vieram à tona de que o banco iria se envolver em um frenesi de compra de títulos, definindo o chamado “rendimento-tampão” para títulos periféricos sem um limite para a quantidade de títulos que compra. Isso pode acabar sendo mais extremo do que os programas de flexibilização quantitativa (QE) da Reserva Federal dos EUA , uma vez que o QE1 e 2 possuem limites fixos.

O programa rendimento tampão que foi discutido na mídia – principalmente em relatórios citando fontes não identificadas – veria o BCE estabelecer um rendimento máximo na maioria dos títulos periféricos, como os da Espanha. Se o BCE definisse um limite de 6% para o bônus espanhol de 10 anos, por exemplo, ele compraria todos os títulos que foram ofertados com um rendimento acima de 6%, potencialmente levando a maioria da dívida espanhola para a folha de balanço do banco central.

Presidente do BCE, Mario Draghi, também deu a entender que ele apoiaria um programa desse tipo, apesar de sua fala tenha sido vaga e ele tenha insistido o tempo todo que ficaria dentro do mandato do banco central.

Enquanto alivia os encargos financeiros dos países em dificuldades, também apresenta riscos significativos, especialmente para os países mais sólidos fiscalmente, como Alemanha, Holanda, Finlândia e Áustria.

Isso daria às nações periféricas carta branca para manter a emissão de dívidas sem reformar suas economias, o que, em última análise, é assegurado pelas nações credoras através do BCE. É por isso que autoridades como Jens Weidmann, presidente do Bundesbank, tem sido firmes na oposição a este plano; e como foi relatado na mídia alemã, Weidmann tem o apoio de Angela Merkel, chanceler alemã.

Grandes bancos de investimento também não acreditam que a compra ilimitada de títulos seja anunciada na próxima reunião. Morgan Stanley comentou em um relatório: “Não acreditamos que as condições para o BCE começar a comprar títulos do governo sejam cumpridas já na próxima reunião do Conselho de Administração em 6 de setembro.”

O que o BCE pode fazer sem prejudicar países credores, no entanto, é o que prevê o Citigroup em uma nota a clientes, “Nós acreditamos que o BCE terá poucas escolhas a não ser baixar a sua principal taxa de política em 25 pontos-base para uma nova baixa de 0,5%.”

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