Manifestantes flagram em vídeos truculência policial

Vídeos publicados por manifestantes nas redes sociais flagram o excesso de violência policial contra manifestantes pacíficos. As filmagens foram feitas em diversos protestos que ocorreram no mês de junho na grande maioria dos estados brasileiros.

Segundo a Polícia Militar do estado do Rio de Janeiro, “as manifestações que têm levado uma verdadeira multidão para as ruas trazem para a Polícia Militar um grande desafio: dar a segurança necessária para as pessoas de bem que querem se expressar pacificamente, e não permitir que grupos de desordeiros ameacem a democracia”.

No entanto, foram registrados imprudência e abusos das forças policiais na maioria dos protestos, em diversas cidades do Brasil. Os policiais terminaram agredindo pessoas inocentes que reivindicavam por seus direitos, ou que estavam trabalhando, ou que apenas passavam pelo local.

Inúmeros são os relatos de manifestantes pacíficos que vivenciaram cenas de medo e terror ao protestarem nas ruas devido à ação violenta da polícia. A maioria dos relatos dão conta de que, quando os policiais decidem atacar, não têm discernimento claro entre aqueles que fazem vandalismo, aqueles que protestam pacificamente e aqueles que não fazem parte da manifestação; e, muitas vezes, atacam sem razão, antes mesmo de ocorrer qualquer abuso por parte dos manifestantes.

Rosa Schechter, estudante de psicologia, relata sua experiência na marcha do dia 20 de junho no Rio de Janeiro. “Começaram a explodir as bombas (de gás lacrimogênio) e a multidão compactou-se, principiou-se o medo. Não havia espaço, só podíamos caminhar como bois arrebanhados, com os olhos ardendo e pingando de lágrimas. As pessoas todas aterrorizadas babando e cuspindo a ardência. E as bombas e balas estourando atrás a poucos metros.”

“Gritávamos: Não corre! Tentando fazer o possível para manter a calma. Em poucos minutos o terror instalou-se. As luzes dos quarteirões foram sendo sistematicamente desligadas e, quando isso acontecia, as bombas de gás e efeito moral caíam. Conforme avançávamos, outro quarteirão era colocado às escuras.”

“Nesse clima de terror queríamos ir embora! Já não fazia mais sentido estar ali. Aí então, e só então, todas essas depredações e vandalismos começaram. Por parte dos que estavam mais irados. Foi clara a mudança de atitude das pessoas que, vendo os absurdos da repressão policial, deixaram de manifestar propostas construtivas para gritar de raiva contra a injustiça de ficar no escuro e respirar gás tóxico.”

“Ainda assim os que mantiveram uma relativa paz de espírito e queriam ir para casa não conseguiam. Estávamos cercados pelas bombas e tiros cada vez mais perto e sabíamos que a polícia vinha não só por trás, mas também estava nas ruas adjacentes, reprimindo desmesuradamente. Vimos bombas de gás serem lançadas no viaduto do Sambódromo, atingindo pessoas nos ônibus e gerando correria a 10 metros de altura.”

“E mais uma vez as luzes foram desligadas, o terror sendo praticado com profissionalismo. Não tínhamos para onde ir, parte da multidão pedia que sentássemos em atitude de absurda rendição, a única saída era ficarmos juntos. Os telefones contavam histórias como a de amigas que foram lavadas de pimenta quando voltavam para casa, por um policial que as obrigava a retornar para o meio das explosões. Outra nos dizia que havia sido lançada uma bomba de gás dentro do metrô. Todos tinham o rosto desfigurado de medo”, relata Rosa.

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