Venezuela: inflação ultrapassa 4.000% e país entra em espiral de morte, alerta especialista

A inflação anual na Venezuela ultrapassou, em 21 de novembro, 4.114%, e ontem (23) caiu para 3.826,45%, segundo o professor Steve Hanke, especialista em hiperinflação da Universidade John Hopkins.

“A economia da Venezuela encontra-se em uma espiral de morte completa”, disse Hanke. “Isso ficou muito pior de duas semanas para cá”.

O motivo deste drama na economia de um dos países ricos que viveram a epopeia do petróleo na América Latina, o acadêmico explica da seguinte maneira:

“A economia da Venezuela está em colapso. Este é o resultado de anos de socialismo, incompetência e corrupção, entre outras coisas”, afirmou.

A moeda da Venezuela, o bolívar, é precisamente o elemento que está mostrando a degradação da economia nacional.

“A moeda não é confiável, o regime cambial venezuelano não oferece nenhuma disciplina. Só produz instabilidade e pobreza. Atualmente, a Venezuela possui uma das maiores inflações do mundo”.

A universidade, por sua vez, procedeu a uma análise e, em seguida, propôs o que chamou de “duas soluções comprovadas para os problemas monetários da Venezuela”:

– Caixa de Conversão

– Dolarização oficial completa

De acordo com os dados da inflação, Steve Hanke anunciou em abril passado que a Venezuela havia entrado oficialmente no 57º registro da Tabela Global de Hiperinflação Hanke-Krus.

Para explicar o que é a hiperinflação, o acadêmico destacou a explicação clássica de 1956 de Phillip Cagan, na qual ele define “como um episódio de inflação em que a taxa de inflação mensal é de pelo menos 50%”.

Para entrar para a Tabela de Hiperinflação Anual Hanke-Krus, a taxa mensal de 50% deve ser mantida por pelo menos um mês. Se isso se mantém não apenas por 30 dias, mas ao longo de todo o ano, isso significa uma anualização da taxa de 50% e a inflação chegaria a 12.874,63%.

Por enquanto, a taxa está em 3.826%.

Em março passado, o professor Hanke publicou um estudo econômico que explica a situação. O título é “Sobre a trágica fusão da Venezuela”.

Assembleia Nacional (AN) decreta falência

A AN, de maioria opositora, declarou formalmente em 21 de novembro que “o plenário aprovou um acordo no qual apontam que a viga mestra econômica do país está quebrada e endividada em níveis insustentáveis, produto da corrupção galopante dos últimos 18 anos e da má administração, acusando o governo de arrastar o país, com esta situação, para a mais profunda crise econômica que uma nação no mundo pode experimentar”.

Por sua vez, o governo do ditador Nicolás Maduro não reconhece a AN. Isso acontece desde que o tirano socialista rejeitou em janeiro de 2016 a posse do novo parlamento escolhido por votação do povo em 6 de dezembro de 2015, resultando em uma folha de pagamento de 112 deputados da oposição e apenas 55 pró-governo; um grande revés para o governo.

Números da crise no período revolucionário

Em uma análise apresentada no parlamento venezuelano, pode-se ver as mudanças na economia desde que Hugo Chávez assumiu o poder em 1999 até 2016.

É preciso lembrar que, quando Chávez foi eleito democraticamente presidente da Venezuela em 1998, o atual dirigente, Nicolás Maduro, que o ajudou na campanha, entrou como deputado na Assembleia Nacional Constituinte e participou da criação da Constituição de 1999. Em 2000, foi nomeado Presidente da Assembleia Nacional (AN), passando a atuar na administração da economia da nova Venezuela.

O dólar custava até então 0,577 e depois subiu para 657 bolívares, na lista oficial do SIMADI de 2016 (obviamente o dólar paralelo custa mais caro). Isso significa uma desvalorização de 113.764% até 2016.

Tal fato gerou uma inflação anual recorde de 657% (de outubro de 2015 a outubro de 2016). Em 1992, ano em que Hugo Chávez planejava um golpe cívico-militar, a inflação era de 88%. Hoje, a inflação anual de 2017 é da ordem de 4.000%.

De 1999 a 2016, acumulou-se 65.394% de inflação. Este ano, devemos adicionar vários milhares adicionais.

A queda das reservas no ano anterior foi de 5.425 milhões de dólares.

Foi registrada uma saída de 180,91 bilhões de dólares do país devido ao controle do câmbio entre 1999 e 2016, após a expropriação de empresas produtivas e o controle estatal, com a desculpa de evitar a fuga de capitais.

Denúncia de Caritas

De acordo com relatório da organização humanitária internacional Caritas de 2017, a Venezuela é uma nação “roubada e vendida”.

“O cronograma de venda do país — de acordo com a opinião do presidente da Caritas da Venezuela, Baltazar Portas Cardoso — já começou no início do século, quando o preço do petróleo subiu de 30 dólares para 130 dólares por barril em poucos anos. Esta receita inesperada, imprevisível, imprevista e despercebida dos saldos financeiros do Estado foi controlada ‘livremente’ pelo coronel que a usou para comprar alianças políticas e apoio na América Latina e no resto do mundo, enquanto as pessoas, sem saber o que estava acontecendo, se conformaram com poder comprar alguns carros baratos chineses ou poloneses ou viajar para o exterior com uma pequena quantidade de dólares, um presente do magnânimo governo socialista”.

Dada a importância da empresa estatal Petroleos de Venezuela (PDVSA) para a economia do país, a AN exortou o país esta semana para que seja corrigida a situação da corrupção, o que, segundo ela, é a causa da delicada situação econômica do país. Muitos casos de corrupção foram documentados pela ex-promotora geral do país, Luisa Ortega, antes de deixar o país, e foram investigados pela Assembleia.

O deputado Jorge Millán afirmou esta semana que “a situação em que se encontra a estatal PDVSA foi causada pela ineficiência e corrupção do atual governo, que desvia e desperdiça recursos”.

Ontem (23), o tirano Nicolás Maduro publicou o seguinte Twitter:

Analista assegura que a máfia não vai largar a Venezuela

Para o analista internacional Michael Rowan, “a insolvência frente às dívidas globais em dólares que somam vários anos do PIB normalmente significa o fim da linha para qualquer governo, mas pode ser também a entrada para uma via mal iluminada que é o que representa uma máfia no controle do Estado”, segundo o jornal Herald Tribune.

Em sua opinião, o simples fato de “o mundo rejeitar a Venezuela como um Estado formal”, já deveria “significar o fim de seus dias”.

É preciso ter em mente, disse Rowan, que “isso não é um Estado verdadeiro, é uma máfia que controla um Estado”.

“Essa máfia desistiu secretamente do Estado formal anos atrás. Ela abriu mão de sua soberania política para Cuba, que controla a segurança nacional, identidades e passaportes. Abriu mão de sua soberania econômica para a Rússia e a China, que agora controlam efetivamente o petróleo e os minerais nacionais. E abriu mão de sua credibilidade internacional mantendo relações com Estados desonestos como o Irã, a Síria e a Coreia do Norte, ou para grupos terroristas políticos como as FARC, o Hamas e o Hezbollah”.

De acordo com o analista, a máfia não vai libertar a Venezuela, já que “ainda há muito petróleo”.

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