Uso de equipamentos eletrônicos reduz massa cinzenta do cérebro, demonstra estudo

A estrutura do nosso cérebro, em particular a matéria cinzenta, pode estar diminuindo com o uso simultâneo de celulares e outros dispositivos eletrônicos de multitarefa, segundo um estudo da Universidade de Sussex, publicado em 24 de setembro.

“As pessoas que utilizam com frequência vários dispositivos multimídia ao mesmo tempo, têm uma menor densidade de matéria cinzenta em uma região particular do cérebro em comparação com aqueles que utilizam um só dispositivo de vez em quando”, destacou o estudo.

“A região afetada do cérebro é conhecida como córtex cingulado anterior (CCA), responsável por todo o cognitivo e pelas funções do controle emocional.”

A investigação apoia estudos anteriores que demonstram uma relação entre trabalhar com equipamentos de multitarefa intensiva e “a má atenção no aspecto das distrações, junto a problemas emocionais como a depressão e a ansiedade”.

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Os neurocientistas Kep Kee Loo e o doutor Ryota Kanai explicaram que agora necessita-se de um estudo a longo prazo para determinar a razão do vínculo descoberto com a matéria cinzenta, e definir desta forma se realmente são os dispositivos  que conduzem a essa redução, ou se são as pessoas de menor matéria cinzenta que se sentem mais atraídas a um numero maior de meios.

Os investigadores entrevistaram a 75 adultos sobre o uso do celular, computadores portáteis, televisão e outros meios de comunicação.

Os equipamentos “multimídia são cada vez mais frequentes em nossas vidas hoje em dia, e cada vez há mais preocupação por seu impacto em nosso conhecimento, e nosso bem estar social e emocional. Nosso estudo foi o primeiro a revelar os vínculos entre os meios multitarefa e a estrutura do cérebro”, destacaram Kee Looh e Kanai.

Anteriormente, eles demonstraram que a estrutura do cérebro pode ser alterada após uma exposição prolongada a um ambientes novos ou experiências novas. Kee Looh e Kanai encontraram que as vias dos nervos e as sinapses podem trocar, dependendo do comportamento da pessoa, do meio ambiente e das emoções, explica o estudo.

Estas trocas podem ser a nível celular, como é o caso da aprendizagem e da memória, porém também podem gerar um remapeamento cortical, onde, por exemplo, algumas funções específicas de uma região do cérebro que está danificada podem se realocar em uma região intacta restante.

Outros estudos demonstraram que gera-se um aumento de certas zonas específicas da matéria cinzenta, por exemplo, com o treinamento de malabarismo ou estudando o mapa de Londres, no caso dos taxistas.

“Os mecanismos exatos destes câmbios ainda não estão claros”, diz Kep Kee Loh.

“Ainda que seja concebível que os indivíduos com pequeno Córtex Cingulado Anterior (CCA) sejam mais suscetíveis ao uso de dispositivos multitarefa devido à menor capacidade de controle cognitivo e à menor regulação sócio emocional, é igualmente plausível que os níveis mais altos de exposição a situações de multitarefa conduzam a câmbios estruturais no CCA. É necessário um estudo longitudinal para determinar inequivocamente a direção da causalidade”, concluiu o Dr. Kee Loh.

 
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