Urbanização pode oferecer falsas esperanças econômicas para China

Especialistas alertam que grandes projetos de investimentos ameaçam uma crise da dívida e inflação sem precedentes
Dois trabalhadores movem uma maquete numa feira imobiliária em 2007 em Xian, província de Shaanxi, China (China Photos/Getty Images)
Dois trabalhadores movem uma maquete numa feira imobiliária em 2007 em Xian, província de Shaanxi, China (China Photos/Getty Images)

Com a economia da China estagnada, o regime procura algo que dê um novo arranque, mas especialistas dizem que a solução proposta provavelmente levará a uma crise da dívida e inflação galopante.

Nos conclaves anuais políticos chamados de ‘duas reuniões’ – o Congresso Popular Nacional e a Conferência Consultiva Política Popular – tem havido conversações sobre estimular a economia chinesa por meio de crescente urbanização.

Um vislumbre dos planos oficiais ocorreu no fim de 2012, quando um funcionário da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma revelou parte do conteúdo de uma proposta inicial de projeto intitulada “Promovendo urbanização saudável e ordenada 2011-2012”, segundo o Diário de Guangzhou. O projeto prevê um orçamento de urbanização de 40 trilhões de yuanes (US$ 6,4 trilhões) nos próximos 10 anos.

Detalhes sobre os gastos devem ser revelados durante o “Encontro de trabalho sobre a urbanização da China”, após a conclusão das duas reuniões, segundo o China Securities Journal, um periódico patrocinado pela agência estatal Xinhua.

A mídia estatal citou autoridades dizendo que a urbanização da China é “o motor do desenvolvimento econômico”.

Carregado com dívidas

O Dr. Frank Xie, que leciona negócios na Universidade da Carolina do Sul-Aiken, disse ao Epoch Times que atualmente a economia chinesa está atingindo uma parede de tijolos. Enquanto a demanda interna diminui, o governo está recorrendo a um truque antigo, que é contar com investimentos estatais para estimular a demanda doméstica. Ao mesmo tempo, a urbanização requer construção de imóveis, o que aumenta o PIB.

Muitos economistas têm suas dúvidas sobre a origem dos 40 trilhões de yuanes. O desenvolvimento econômico da China foi impulsionado por empréstimos apoiados pelos bancos do Estado. No entanto, os enormes riscos envolvidos com um empréstimo de 40 trilhões de yuanes excedem em muito o nível de tolerância de risco dos bancos.

Um dia antes da abertura das “duas sessões”, da Escola Nacional de Desenvolvimento da Universidade de Pequim realizou um fórum especial sobre urbanização. No fórum, a questão da distribuição das despesas entre os governos central e locais foi discutida. Participantes disseram que se essa questão não for resolvida a crise da dívida pode explodir a qualquer momento. A dívida total da China hoje chega a 220% do PIB.

Num relatório de 28 de fevereiro, a Reuters citou fontes que mantêm relação estreita com os líderes chineses, dizendo que a China está considerando uma grande reforma do mercado de crédito, a fim de levantar os 40 trilhões de yuanes.

O problema é que o mercado de crédito da China já está carregado de dívida. A maioria do crédito é emitida por bancos reguladores. A edição financeira do Yahoo informou que desde janeiro de 2013, as estatísticas do Banco Popular da China mostram dívidas totais de 26,4 trilhões de yuanes (US$ 4,2 trilhões).

O proeminente comentarista econômico chinês Zhu Daming escreveu em seu blogue em 10 de janeiro que há muitos riscos na urbanização, sendo o principal deles a dívida. O núcleo do crescimento econômico da China está no investimento de ativos fixos.

No entanto, investimento demais em ativos fixos resultará em falta de investimento em outros ativos e pode desencadear a explosão de uma bolha de ativos. Isto, por sua vez, diminuirá o valor dos ativos fixos, resultando numa crise da dívida, escreveu Zhu Daming.

Ele escreveu que este tem sido um problema comum visto em outros países durante seu processo de urbanização. Mas o problema da China é mais grave, disse ele. A razão é simples. A intervenção do Estado no mercado imobiliário causará um aumento de preços da terra e dos imóveis.

“Nessa circunstância, muitas regiões terão suas dívidas aumentadas. Se o governo não imprimir mais moeda, muitos governos locais irão à falência várias vezes. Se esta dívida de 40 trilhões de yuanes ocorrer, a crise da dívida explodirá com uma ligeira alteração no mercado. A economia chinesa terá de enfrentar terríveis consequências”, escreveu Zhu Daming.

Inflação

Em 2008, o regime chinês implementou um pacote de estímulo de 4 trilhões de yuanes, que foi seguido em 2009 pelos bancos emprestando 9 trilhões, todos apoiados pelo Estado. Isso resultou numa economia distorcida, inflação e aumento dos preços imobiliários.

Niu Dao, um comentarista econômico da mídia estatal CCTV, escreveu em 28 de fevereiro que a primeira impressão de 4 trilhões e depois de 9 trilhões em moeda nacional foi um ponto de virada na história chinesa.

Este estímulo econômico empurrou a economia à beira do colapso e resultou numa dívida enorme, escreveu Niu Dao. No entanto, o Banco Central chinês não só não parou de imprimir, mas aumentou a velocidade da impressão. A crise da dívida está piorando e pode explodir este ano, concluiu Niu Dao.

De acordo com estatísticas do Banco Central da China, a M2 (uma medica para a oferta de dinheiro circulante numa determinado período que inclui depósitos de poupança e depósitos não-institucionais do mercado monetário) aumentou de 47 trilhões de yuanes em 2008 para 97,42 trilhões em 2012, duplicando em apenas quatro anos.

Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor publicado pelo regime mantém um aumento de 3,4% ano a ano. Mas os dados não são convincentes para economistas ou o público em geral.

A análise de Niu Dao mostra que o poder de compra do renminbi (RMB) diminuiu 5 vezes. Estes dados podem ser um pouco exagerado, mas muitos economistas acreditam que a inflação está aumentando 10% ao ano.

Espalhar 40 trilhões de yuanes em 10 anos significa que 4 trilhões serão investidos a cada ano para estimular a economia. A inflação será inimaginável, segundo o Dr. Frank Xie.

Urbanização forçada

O percentual de pessoas na China que vivem em cidades atualmente é de 50% e o regime espera que esse valor ultrapasse 60% até 2020, segundo um artigo de 6 de fevereiro do Diário de Informações Econômicas da Xinhua.

Nos países ocidentais, a urbanização ocorreu naturalmente com seu desenvolvimento econômico e a propriedade privada da terra, disse o Dr. Xie. No entanto, a urbanização da China é arbitrariamente implementada pelo Estado e inclui o uso de despejos e demolições forçados por toda a China, disse ele. O objetivo é estimular a economia, mas tudo isso tem um efeito prejudicial, disse ele.

Não há propriedade privada da terra na China e os governos e oficiais locais têm se beneficiado da apropriação de terras. Eles pagam pouca ou nenhuma compensação aos camponeses e vendem a terra a preços elevados para desenvolvedores, comentou o Dr. Xie.

Despejos e demolições forçados acontecem todos os dias na China e são a causa de milhares de protestos em massa, assim como suicídios e homicídios, constatou o Dr. Xie. Além disso, um grande número de agricultores sem terra que não conseguem encontrar emprego se tornam um fardo enorme para o Estado.

Se o regime chinês continuar sua política de urbanização forçada, a sociedade chinesa se tornará cada vez mais instável, previu o Dr. Xie.

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