Um milhão de sírios passam fome, alerta Nações Unidas

Sírios coletam madeira num campo de refugiados perto da cidade de Azaz, na fronteira norte da Síria com a Turquia, lar de mais de sete mil, principalmente dos distritos de Aleppo e Marea, em 8 de janeiro de 2013 (AFP/Getty Images)

Pelo menos um milhão de sírios estão passando fome devido ao conflito de quase dois anos, advertiu a Organização das Nações Unidas, dizendo que suas agências humanitárias não podem chegar a essas pessoas com a quantidade atual de suprimentos que tem.

“O PMA não é capaz de intensificar a assistência devido à falta de parceiros e aos desafios que afetam as áreas mais atingidas”, disse Elizabeth Byrs, porta-voz do Programa Mundial de Alimentação (PMA), numa coletiva na terça-feira.

O PMA tem alcançado cerca de 1,5 milhão de pessoas na Síria por mês, mas atualmente há cerca de 2,5 milhões que precisam de assistência devido a combates entre rebeldes e partidários do regime sírio, disse Byrs. Mais de 60 mil pessoas já morreram nos conflitos, que se intensificou nos últimos meses.

“Onde a luta está ocorrendo, o preço dos alimentos teria dobrado e há falta de gás de cozinha”, acrescentou Byrs. A ONU disse que o PMA não pode prestar assistência aos 1 milhão de pessoas que passam fome devido à falta de mão de obra e à incapacidade de chegar às áreas mais atingidas.

Ele acrescentou que seu principal parceiro na Síria, o Crescente Vermelho sírio-árabe, atingiu seu limite para fornecer ajuda, deixando o PMA à procura de mais parceiros na Síria.

O PMA também foi forçado a se retirar de Homs, Aleppo, Tartous e Qamisl, devido às condições precárias de segurança, resultado do conflito.

Em Aleppo, a maioria dos moradores depende gravemente de padarias cujo preço do pão disparou nos últimos meses para 250 libras sírias por quilograma. Antes de o conflito eclodir, um quilo custava apenas 45 libras e o pão subsidiado custava 15 libras.

O custo do pão em todo o país disparou por causa dos danos aos moinhos de farinha perto de Aleppo, as condições de viagem pobres, fechamento de estradas e escassez de combustível, disse ela. Há também escassez de gás de cozinha para produzir pão.

Na terça-feira, não havia sinal à vista para o fim com a intransigência diplomática do discurso mais recente do presidente Bashar al-Assad no domingo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, criticou Assad por continuar a permanecer no poder e lutar contra os “terroristas” sitiantes do país.

“O que o povo sírio precisa desesperadamente neste momento são soluções reais para a crise que está rasgando sua nação”, disse Martin Nesirky, porta-voz de Ban Ki-moon, em Nova York na segunda-feira. Ele observou que o discurso de Assad rejeitou “uma transição política e a criação de um organismo de transição de governo com poderes executivos completos que incluíssem representantes de todos os sírios”.

O discurso de Assad tocou num plano de paz envolvendo um cessar-fogo militar que seria implementado com a condição de que as forças rebeldes suspendessem as operações. Envolveria também a reconciliação, uma nova Constituição e acabar com a intervenção estrangeira.

Grupos rebeldes e os governos ocidentais criticaram o plano de Assad, que fez seu primeiro discurso público após meses de silêncio.

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