Dossiê Panama Papers envolve elite do Partido Comunista Chinês

O ‘Panama Papers’, um dossiê publicado recentemente com mais de 11 milhões de documentos vazados, revelou que os principais políticos do mundo inteiro estão conectados com negócios offshore potencialmente obscuros. Incluídos na longa lista de líderes mundiais estão os nomes de vários poderosos chineses da elite do Partido Comunista.

De acordo com um relatório do International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), de 6 de abril, o líder chinês Xi Jinping, os membros do Comitê Permanente do Politburo  Liu Yunshan e Zhang Gaoli, o ex-vice-presidente da China, Zeng Qinghong, dentre vários outros, todos têm parentes que adquiriram empresas offshore através da Mossack Fonseca, um escritório de advocacia no Panamá, que ajuda a estabelecer empresas de fachada no exterior para os futuros clientes. O ICIJ é um dos diversos meios de comunicação que examinaram os documentos vazados da companhia panamenha em 2015.

Deng Jiagui, o cunhado de Xi Jinping, possuía três empresas registradas em seu nome: Supreme Victory Enterprises Ltd., Best Effect Enterprises Ltd., e Wealth Ming International Ltd.

A Supreme Victory foi fechada em 2007, e as outras duas empresas acabaram se tornado inativas até 2012, quando Xi tornou-se chefe do partido.

A decisão de Deng de abandonar seus ativos no exterior teria sido motivada por considerações políticas que, por incrível que pareça, coincidem com uma situação semelhante envolvendo o maior promotor imobiliário na China.

Durante um discurso na Universidade de Harvard, em outubro passado, Wang Jianlin, presidente do Dalian Wanda Group, disse que a família de Deng havia investido em ações na sua companhia por seis anos, tendo depois as vendido antes de a empresa se tornar pública e, por isso, perder a oportunidade de aproveitar o súbito aumento das ações.

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Isso está de acordo com as matérias que circularam na imprensa chinesa no exterior afirmando que, quando ele estava na fila para ser promovido à liderança, Xi chamou os membros de sua família e disse-lhes que saíssem do negócio — talvez como uma forma de se isolar da política ‘blowback’ (termo criado pela CIA para originalmente designar inesperadas consequências negativas para um país de suas próprias operações de espionagem), que tem atingido os políticos cujos membros da família se beneficiaram da corrupção.

Os parentes de Liu, Zhang, e Zeng mantiveram seus ativos offshore enquanto ocupavam cargos de elite. Por exemplo, Jia Liqing, a nora do chefe de propaganda do Partido, Liu Yunshan, é acionista e diretora da Ultra Time Investment, uma empresa de fachada constituída nas Ilhas Virgens Britânicas em 2009.

O pai de Jia, Jia Chunwang, trabalhou nos departamentos jurídico e de segurança durante duas décadas, em várias posições de alto escalão — chefe do Ministério da Segurança do Estado de 1985 a 1998; chefe do Ministério da Segurança Pública de 1998 a 2002; e procurador-geral de 2003 a 2008.

Lee Shing Put, o genro do vice-premier Zhang Gaoli, é acionista de três companhias constituídas nas Ilhas Virgens Britânicas: Zennon Capital Management, Sino Reliance Networks Corporation, e Glory Top Investments Ltd.

E também Zeng Qinghui, o irmão mais novo de Zeng Qinghong, foi o diretor da China Cultural Exchange Association, uma empresa formada pela primeira vez em Niue e então re-domiciliada em Samosa em 2006.

 
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