Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin – Capítulo II

Os dias de Jiang Zemin estão contados. É apenas uma questão de quando, e não se, o ex-chefe do Partido Comunista Chinês será preso. Jiang governou oficialmente o regime chinês por mais de uma década, e por outra década ele foi o mestre das marionetes nos bastidores que freqüentemente controlava os eventos. Durante essas décadas, Jiang causou danos incalculáveis à China. Neste momento, quando a era de Jiang está prestes a terminar, o Epoch Times republica em forma de série “Tudo pelo poder: a verdadeira história de Jiang Zemin”, publicado pela primeira vez em inglês em 2011. O leitor pode vir a compreender melhor a carreira desta figura central na China de hoje.

Capítulo 2:

Exibindo habilidades literárias, pai e filho ganham um favor especial; os especialistas em engenharia elétrica são traidores de dois países (1940–1956)

Jiang Zemin gosta de dar às pessoas a impressão de que é hábil no canto e na dança. Ele pode tocar vários instrumentos musicais, entre os quais o piano, o erhu e o violão. A motivação de Jiang para mostrar sua habilidade musical é tal que muitas vezes ele perde de vista o decoro. Uma dessas ocasiões foi em 30 de março de 1999, a data em que Jiang visitou a cidade natal de Mozart, Salzburg, acompanhado pelo presidente da Áustria, Thomas Klestil. O item mais valioso na antiga residência de Mozart foi um piano de Viena que foi comprado pelo próprio maestro em 1785. Depois que o presidente apresentou a antiguidade de 200 anos, Jiang correu para o piano, sentou-se em seu banquinho e abriu o piano, ansioso para tocar. Agora, se ele tivesse tocado algumas das obras representativas de Mozart, como Don Giovanni ou As Bodas de Fígaro, a cena poderia ter sido lida como uma reminiscência afetuosa ou mesmo uma homenagem. Mas Jiang, para a surpresa de todos, começou a tocar, de forma um tanto inadequada, uma música chinesa—”Waves After Waves in Honghu Lake”. [1] O presidente Klestil, visivelmente desconfortável, claramente desejava não permitir que Jiang tocasse na preciosa antiguidade do maestro, mas foi obrigado pela etiqueta diplomática a ficar de lado. Jiang continuou distraidamente, lançando olhares furtivos ao mesmo tempo para as várias damas chinesas então presentes, na esperança de ganhar sua admiração.

Intoxicado por sua própria demonstração de destreza musical—um feitiço que o levou até mesmo a tocar o piano de cauda de Mozart—Jiang mal parecia perceber que em suas travessuras era sugerida a verdadeira história que ele compartilhou com seu pai: duas gerações de traição.

Uma família que podia pagar aulas de piano, e ainda mais mandar seu filho para uma escola particular e depois para a Universidade Central de Nanjing, durante os anos do regime fantoche de Wang Jingwei (1940-1944), era tudo menos típica.

O pai de Jiang Zemin, Jiang Shijun, foi buscar refúgio em Nanjing em 1940. Naquela época, o governo fantoche era comandado por três magnatas: Wang Jingwei, Chen Gongbo e Zhou Fohai. Entre os três, Chen Gongbo e Zhou Fohai foram ambos fundadores do Partido Comunista Chinês (PCC) e membros do 1º Congresso do PCC; ambos tinham uma classificação mais elevada no PCC do que até mesmo Mao Tsé-Tung.

Quando, em 1940, Wang Jingwei fundou o governo fantoche japonês em Nanjing, ele precisou de muita mão de obra e de uma variedade de talentos, de ministros a escriturários. Foi por esse motivo que intelectuais descarados, comerciantes desonestos, políticos desempregados e ex-funcionários se aglomeraram em sua casa. A residência de Wang em Nanjing estava lotada naquela época com carros de todos os tipos, desde modernos modelos simplificados dos anos 1940 em cinza, azul, vermelho ou verde, até carros antigos em preto e branco com um locais para dormir. Os visitantes vinham de luxuosas mansões ao longo do rio Qinhuai, do lago Xuanwu em Nanjing, do lago oeste em Hangzhou, de Xangai, Suzhou, Wuxi e Yangzhou. Eles se reuniram em Nanjing de todas as direções, aparecendo quase do nada. Foi assim que a escória da sociedade ganhou o controle e lutou ferozmente para progredir, aproveitando a oportunidade oferecida pelo regime de Wang. Desavergonhadamente, eles conquistavam o favor dos poderosos. Entre eles estava uma figura intelectual da comunidade empresarial chamada Jiang Shijun.

Jiang Shijun era um oportunista habilidoso que agia para os ricos e poderosos. Naqueles anos, o exército invasor japonês era forte militarmente, atacando a China no nordeste, ao norte e no centro e avançando até Xangai, Wuhan e Guangzhou. Logo depois, Hong Kong, Manila e as ilhas do Pacífico Sul caíram sucessivamente diante do Japão. Enquanto no final de 1941 o almirante japonês Yamamoto Isoroku havia dizimado a maior parte da frota naval e da força aérea dos Estados Unidos em Pearl Harbor, o governo central do líder nacionalista chinês (KMT), Chiang Kai-shek, usava velhos rifles Hanyang e espadas para lutar contra aviões e tanques japoneses. Muitos chineses acreditavam que a perda da independência nacional era iminente e, portanto, procuraram trabalhar com os invasores japoneses. Enquanto isso, Jiang Shijun, sempre o homem de negócios astuto, estava ocupado tomando precauções para que o KMT não se recuperasse e algum dia derrotasse os japoneses; ele temia que seu trabalho para os japoneses pudesse voltar para assombrá-lo. Assim raciocinando, Jiang abandonou seu nome original em favor do pseudônimo “Jiang Guanqian”.

Literatura e engenharia elétrica eram hobbies de Jiang Shijun, e ele dedicou muito tempo a essas duas atividades. Jiang Shijun também fez um estudo cuidadoso das táticas de propaganda nazista e se dedicou especialmente ao documentário de Leni Riefenstahl, O Triunfo da Vontade; o filme é famoso por Hitler fazer parte do elenco, por meio do uso sofisticado de técnicas artísticas e motivos religiosos, como uma figura quase divina. Nos primeiros anos após Hitler chegar ao poder, o PIB da Alemanha cresceu rapidamente, dobrando anualmente—um feito que parecia de fato um “triunfo da vontade”. Riefenstahl dirigiu outro filme, Olympia, que documentou os Jogos Olímpicos de Verão nazistas de 1936 e estrategicamente transformou os jogos no que foi chamado de “cerimônia fascista”. A arte dos filmes conseguiu cativar inúmeros jovens alemães.

Jiang Shijun era o encarregado das operações diárias no Ministério da Propaganda do governo fantoche central, e nesta capacidade aplicou na forma de propaganda fascista tudo o que ele havia meticulosamente recolhido de suas leituras extracurriculares. Bem, Jiang de fato havia entendido o poder da mídia. Embora estivesse ocupado com seu trabalho todos os dias, Jiang sempre encontrava tempo para ensinar “séria e incansavelmente” seu filho Jiang Zemin. Quando muitos testemunharam Jiang Zemin fechar o liberal World Economic Herald antes do Massacre da Praça Tiananmen em 1989, eles consideraram o fechamento, erroneamente, fortuito. Em vez disso, o incidente demonstrou o quão bem Jiang Zemin conhecia o poder da mídia—uma arma que ele entendeu antes mesmo de ter 15 anos de idade. Sua manobra antes do Massacre refletiu meramente que ele havia absorvido muitas teorias de propaganda do Partido, se tornado cada vez mais politicamente apto e passado a ter cada vez mais oportunidades de colocar essas teorias e lições em prática enquanto subia na hierarquia do PCC.

Jiang Shijun organizou sozinho a chamada “Exposição de Sucessos Militares na Região do Pacífico da Grande Cruzada no Leste Asiático”, na qual aplicou as técnicas de propaganda que havia aprendido e seu conhecimento de engenharia elétrica para retratar, totalmente com efeitos de som e luz, a guerra aérea e naval entre os EUA e o Japão. As cenas simulavam vividamente as tropas japonesas abrindo fogo e derrubando aviões dos EUA, que pousaram com um estrondo. Uma enorme pintura a óleo—“Atacando Pearl Harbor”—ocupava uma parede inteira do salão de exposições. Na pintura, nuvens de batalha cobriam o céu enquanto os aviões Zero Fighter mergulhavam, decolavam e pousavam como um enxame de mosquitos, sugerindo o espírito Bushido do exército japonês e simbolizando o “poder militar permanente” de que o exército desfrutava, tendo sido abençoado pela deusa Amaterasu Omikami. Com tudo isso, o público teria a impressão de que os invasores japoneses eram invencíveis e ocupariam a China para sempre; a “aniquilação” do Reino Unido e a “destruição” dos Estados Unidos pareciam estar ao virar da esquina.

Junto com isso, Jiang Shijun ajudou a planejar a produção de Um legado Que Viverá Para Sempre, um filme cujo objetivo era esmagar a Grã-Bretanha e a América. Usando uma grande soma de dinheiro, Jiang solicitou a ajuda de um diretor famoso e convidou o astro de cinema Gao Zhanfei para fazer o papel do oficial Lin Zexu da dinastia Qing. O esforço mastigou a história como a conhecemos para atender às necessidades das forças japonesas e incitar o ódio contra os Estados Unidos.

Jiang Shijun também aprendeu a empregar propaganda de estilo folclórico e encontrou nela meios para sugerir falsamente paz e prosperidade após o terrível massacre de Nanjing [2], ocorrido apenas alguns anos antes, e para ajudar as pessoas a esquecerem. Um exemplo revelador é como ele retrabalhou uma tradição folclórica budista, o Festival da Festa de Todas as Almas, para seus próprios objetivos. Jiang organizou por um ano uma grande versão do festival que tinha, como de costume, lanternas flutuando nas águas locais, mas naquela época os jornais fizeram alarde sobre as lanternas de lótus e flores flutuando sobre as ondas verdes do rio Qinhuai e do lago Xuanwu. Os residentes de Nanjing se aglomeravam na costa e no Templo de Confúcio para apreciar a vista. Os espectadores que assistiam à cena inconscientemente eram manipulados pelas mãos de Jiang, sendo anestesiados e, assim, enganados, por assim dizer, diante das sombrias realidades históricas, ainda tão recentes, perpetradas nas mãos do regime japonês.

O departamento de propaganda que Jiang Shijun chefiava compunha canções populares para crianças, sabendo muito bem que a lavagem cerebral deveria começar com os jovens. Jiang então usou letras como “A espada é tão poderosa quanto um raio, o espírito tão elevado quanto o arco-íris—deixe-nos lutar pela prosperidade” para ensinar às crianças que matar era aceitável e que a guerra um meio válido de prosperidade e poder. Enquanto isso, letras como “Viajando milhares de milhas, o vento soprando forte” buscavam exaltar o exército invasor japonês por ter superado inúmeros desafios enquanto avançava para a Ásia e viajava tão longe, em meio às adversidades, enquanto bravamente sacrificava suas vidas pela “libertação” da Ásia Oriental. Ele publicou um livro infantil, intitulado “Uma História da Agressão Britânica e Americana contra a China”, com a intenção de incitar o ódio contra as duas nações enquanto elogiava a “Esfera de Co-Prosperidade do Grande Leste Asiático” [3] e promovia a ideia de que “Grandes esforços serão feitos juntos, com o povo da Ásia, para aniquilar a Grã-Bretanha e destruir a América e ter sucesso total”.

Índice

Introdução

Capítulo 1 – Adoção por um homem morto: a mentira que enganou o PCC

Capítulo 2 – Exibindo habilidades literárias, pai e filho ganham um favor especial

Capítulo 3  – Um chefe da seção em busca de promoção: um aproveitador calculista usa mentiras, ostentação e promessas vazias para subir na carreira (1956–1985)

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