Tribos indígenas da Amazônia desocupam canteiros de Belo Monte

Parte do canteiro de obras no complexo da Barragem de Belo Monte na Amazônia visto em 15 de junho. (Mario Tama / Getty Images)Amenizados impasses, mas as principais questões permanecem sem solução

Comunidades indígenas na floresta amazônica brasileira colocaram fim na ocupação de três semanas de uma faixa do rio Xingu depois que a Norte Energia, responsável pela construção de Belo Monte, ofereceu presentes, algumas poucas promessas, mas nenhuma solução para problemas de subsistência dos locais.

A Norte Energia, consórcio controlado pela empresa energética estatal Eletrobrás, se reuniu com representantes de nove tribos durante dois dias para discutir o impasse, que havia suspendido a construção da hidrelétrica no principal canteiro de Belo Monte por 21 dias. O protesto teve fim dia 11 de julho.

O projeto de Belo Monte está programado para se tornar a terceira maior hidrelétrica do mundo. Os trabalhadores voltaram a trabalhar na quinta-feira, 12 de julho, depois que o acordo foi alcançado.

O grupo de advogados do Amazon Watch diz que as negociações não produziram os resultados desejados.

“Durante as negociações com cada grupo étnico, a Norte Energia ofereceu a cada comunidade um pacote de ‘bugigangas’, como TVs, barcos, máquinas fotográficas e computadores enquanto se recusam a se comprometer com um cronograma de cumprimento das condições legalmente exigidas, sociais e ambientais”, disse o grupo em um comunicado.

No entanto, preocupações reais como a perda de acesso aos pontos de pesca, terra, saúde e programas de educação não foram abordados.

A construção do projeto de Belo Monte começou em março de 2011 no Estado do Pará e vai custar cerca de US$ 10,6 bilhões.

A Norte Energia disse que os indígenas concordaram em acabar com a ocupação depois de aceitar as suas propostas, incluindo uma que garante que a empresa irá monitorar o fluxo de água a jusante.

“Temos a responsabilidade de cumprir o desenvolvimento dos termos das negociações em respeitar a cultura desses povos”, afirmou Carlos Nascimento, o presidente da empresa, em um comunicado.

No início desta semana, comunidades indígenas enviaram uma mensagem a presidente Dilma Rousseff, pedindo-lhe para tirar a licença da Norte Energia de construir a hidrelétrica.

De acordo com a agência de notícias EFE, a Norte Energia fornecerá veículos e construção de sete postos de segurança ao redor das aldeias e implementará medidas de proteção ambiental.

Mas as declarações de líderes tribais indígenas publicadas pela Amazon Watch sugerem que o protesto está longe de terminar.

“Estou desiludido com o resultado das negociações. Eles querem nos comprar pelo preço mais barato. O que queremos é garantia de nossos direitos e as condições que não estão sendo cumpridas” disse Leiliane Pereira Jacinto Juruna, da comunidade Miratu.

Outros líderes disseram que a questão ainda não foi resolvida.

“Todo mundo sabe que as condições deveriam ser concluídas antes que a barragem que bloqueia o rio fosse concluída. Isso não aconteceu. Nenhuma das condições foram cumpridas antes do início do projeto”, disse Felix Marizan Juruna, o chefe da comunidade Paquiçamba.

 
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