Publicado em - Atualizado em 15/07/2017 às 10:14

Três cruéis perseguições que continuam ocorrendo na China

A China continental é palco para algumas das maiores e mais brutais violações aos direitos humanos no mundo

Cristãos (E), praticantes do Falun Gong (C) e budistas tibetanos (D) são brutalmente perseguidos pelo Partido Comunista Chinês (Reprodução)

Cristãos (E), praticantes do Falun Gong (C) e budistas tibetanos (D) são brutalmente perseguidos pelo Partido Comunista Chinês (Reprodução)

Os chineses possuidores de alguma crença espiritual têm sido perseguidos desde que o Partido Comunista Chinês (PCCh) tomou o poder em 1949. Eles têm sido presos, torturados, jogados em campos de trabalho forçado como prisioneiros de consciência e até mesmo mortos, sendo a extração forçada de órgãos de prisioneiros ainda vivos o ápice dessa maldade.

Budismo tibetano

O Tibete fazia parte da última dinastia da China, embora tenha mantido um governo autônomo até a vitória do Partido Comunista Chinês em 1949. A perseguição ao Budismo Tibetano e à cultura tibetana começou em 10 de julho de 1950, quando tropas da recém-formada China comunista ocuparam partes da região e derrotaram as forças militares locais.

Monge tibetano sendo espancado (Daily Motion / Reprodução)

Monge tibetano sendo espancado (Daily Motion / Reprodução)

Mas no início de 1957, o governo tibetano se rebelou por causa das severas políticas religiosas e econômicas do Partido Comunista Chinês, devido ao regime chinês ser ateísta e totalitário.

Para inviabilizar a rebelião, o Partido Comunista Chinês causou terror e destruição em massa. Muitos civis tibetanos foram torturados e mortos e o exército chinês destruiu edifícios e templos. As filhas de tibetanos que expressaram seu descontentamento foram despidas e abusada sexualmente por soldados chineses. Para humilhar o budismo tibetano, muitas monjas foram vítimas de estupro coletivo e ambos, monges e monjas, foram forçados a se casar para assim quebrar seus votos de celibato.

O Tibete foi vítima da campanha “Grande Salto Adiante”, que resultou na morte por inanição de dezenas de milhões de pessoas em toda a China. Um milhão de tibetanos morreram porque foram forçados a abandonar seu estilo de vida nômade e se juntar a fazendas comunais ineficientes.

Budistas tibetanos presos (The Tibet Post / Reprodução)

Budistas tibetanos presos (The Tibet Post / Reprodução)

Durante a Revolução Cultural (1966-1976), soldados vermelhos destruíram milhares de mosteiros tibetanos. Poucos escaparam.

Atualmente, o Partido Comunista Chinês continua perseguindo os budistas tibetanos e impõe a eles políticas que discriminam os cidadãos e a cultura tibetana.

Cristão chineses

O Partido Comunista Chinês teme as religiões, porque exige que as pessoas depositem sua fé nos ensinamentos de Karl Marx, não nos deuses. Os cristãos não são exceção e foram perseguidos e mortos em grande número desde o início do governo comunista. Atualmente, o PCCh só permite que o cristianismo seja praticado por seguidores de igrejas controladas pelo PCCh. Os católicos chineses não podem reconhecer a autoridade do Vaticano, por exemplo.

Duas cruzes resgatados dos escombros de uma igreja destruída na cidade de Bailu, em Pengzhou, província de Sichuan, China, em 31 de maio de 2008 (China Photos / Getty Images)

Duas cruzes resgatados dos escombros de uma igreja destruída na cidade de Bailu, em Pengzhou, província de Sichuan, China, em 31 de maio de 2008 (China Photos / Getty Images)

Os cristãos que escolhem participar de congregações que não são controladas pelo Partido Comunista Chinês podem ser presos e enviados para realizar trabalho escravo. Em 2014, mais de 2 mil cruzes foram retiradas das igrejas em Zhejiang, geralmente sob a desculpa de que violam as normas de construção. Padres foram presos e alguns deles foram mortos sob custódia.

Guindaste remove uma cruz do telhado de uma igreja na província de Zhejiang, na China. À direita, uma cruz de concreto é derrubada ao chão (YouTube)

Guindaste remove uma cruz do telhado de uma igreja na província de Zhejiang, na China. À direita, uma cruz de concreto é derrubada ao chão (YouTube)

China Aid informou: “Em resposta ao crescimento do cristianismo na China, o regime chinês lançou diversas campanhas para perseguir tanto as igrejas domésticas como as igrejas autorizadas pelo governo do ‘Movimento das Três Autonomias’ em toda a China: ofendendo, abusando, prendendo e, em muitos casos, condenando à prisão os sacerdotes e membros da igreja.”

“É justo dizer que o rápido crescimento do número de cristãos na China na última década desencadeou uma sensação única de crise dentro do Partido Comunista Chinês. Como a fé cristã continua crescendo na China, o mesmo acontece com o número de cidadãos chineses que abraçam o Estado de direito, se opõem ao governo totalitário e apoiam a expansão da sociedade civil. O contínuo crescimento do número de igrejas domésticas tanto em áreas rurais como urbanas é percebido pelo PCCh como uma séria ameaça; a repressão contra o Budismo Tibetano, o Islamismo em Xinjiang e os praticantes de Falun Dafa, ainda persiste.”

Praticantes do Falun Dafa

O povo chinês pratica meditação e cultivo espiritual há milhares de anos. Na década de 1980, a China experimentou o auge da prática qigong, com milhões de pessoas fazendo exercícios tradicionais, como o Tai Chi.

Falun Dafa (também conhecido como Falun Gong) é uma prática com raízes milenares que foi apresentada ao público na China em 1992. Por ser gratuito, fácil de aprender e eficaz na melhora da saúde física e mental das pessoas, ganhou rápida popularidade e chegou a cerca de 100 milhões de praticantes em apenas 7 anos. O regime chinês inicialmente apoiou Falun Dafa porque ele ensina a seus praticantes como aplicar os princípios da Verdade, Compaixão e Tolerância na vida diária, assim estabilizando a sociedade e diminuindo os gastos com a saúde pública.

Mais de 10 mil pessoas praticam Falun Dafa em frente ao Palácio Cultural de Changchun antes do início da perseguição pelo Partido Comunista Chinês em 1999 (Minghui.org)

Mais de 10 mil pessoas praticam Falun Dafa em frente ao Palácio Cultural de Changchun antes do início da perseguição pelo Partido Comunista Chinês em 1999 (Minghui.org)

No entanto, alguns membros do regime comunista consideraram que as crenças tradicionais e a moralidade do Falun Dafa constituíam uma ameaça ao poder do Partido Comunista Chinês. Jiang Zemin, líder do Partido naquele tempo, comandou a propaganda de Estado para difamar o Falun Dafa e caracterizá-lo como uma seita perigosa. Em julho de 1999, ordenou o início de uma campanha nacional para destruir esta prática pacífica e apolítica.

A perseguição ao Falun Dafa começou em 20 de julho de 1999 sob comando do ex-líder do Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin (Minghui.org / Reprodução)

A perseguição ao Falun Dafa começou em 20 de julho de 1999 sob comando do ex-líder do Partido Comunista Chinês, Jiang Zemin (Minghui.org / Reprodução)

A polícia em todo o território chinês prendeu milhares de praticantes de Falun Dafa, que então se tornou o maior grupo perseguido por suas crenças na China. Muitos foram torturados até a morte ou obrigados a realizar trabalhos forçados.

Desde 2006, investigações de direitos humanos mostram que o Partido Comunista Chinês realiza a extração forçada de órgãos de praticantes de Falun Dafa enquanto ainda vivos. Um relatório feito em conjunto pelo ex-deputado canadense, David Kilgour, o advogado de direitos humanos, David Matas, e o jornalista, Ethan Gutmann, compila os dados comunicados publicamente por hospitais em toda a China, para mostrar que o que eles dizem tem uma enorme discrepância com os números oficiais de transplantes realizados em todo o país. O relatório revela que o Partido Comunista, médicos e hospitais são todos cúmplices.

“O Partido Comunista diz que o número total de transplantes legais é de cerca de 10 mil por ano. Mas podemos facilmente exceder o número oficial apenas analisando as informações de dois ou três dos maiores hospitais”, disse o advogado de direitos humanos David Matas.

Praticantes do Falun Gong participam de uma demonstração para esclarecer o público sobre a extração forçada de órgãos e outros crimes contra os direitos humanos na China, durante um evento em Santa Mônica, Califórnia, em 17 de julho. (Xu Touhui/Epoch Times)

Praticantes do Falun Gong participam de uma demonstração para esclarecer o público sobre a extração forçada de órgãos e outros crimes contra os direitos humanos na China, durante um evento em Santa Mônica, Califórnia, em 17 de julho. (Xu Touhui/Epoch Times)

“O regime chinês tem extraído órgãos para venda por tempo demais e temos provas contundentes de que os praticantes de Falun Dafa são escolhidos para ter seus órgãos retirados”, disse o deputado Chris Smith, que co-preside o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos.

Em um comunicado publicado na web, a representante Ileana Ros-Lehtinen, ex-presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, disse que o “horrendo e desumano roubo da liberdade das pessoas, o encarceramento em campos de trabalho ou prisões e a posterior execução e remoção de órgãos para transplante [perpetrados pelo regime chinês] está além da compreensão e deve ser combatido universalmente e encerrado incondicionalmente. ”

A deputada Democrata, Judy Sgro, foi um dos parlamentares que participaram de uma manifestação no Parliament Hill em 9 de dezembro de 2015, falando em apoio ao fim da perseguição contra os praticantes de Falun Dafa na China (Evan Ning / Epoch Times)

A deputada Democrata, Judy Sgro, foi um dos parlamentares que participaram de uma manifestação no Parliament Hill em 9 de dezembro de 2015, falando em apoio ao fim da perseguição contra os praticantes de Falun Dafa na China (Evan Ning / Epoch Times)

Em 13 de junho de 2016, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Resolução 343 que condena a retirada forçada de órgãos e exorta a China a acabar com a perseguição ao Falun Dafa. Resoluções semelhantes foram aprovadas na Europa e Israel.

Jennifer Zeng honra as vítimas da perseguição ao Falun Gong durante um evento nos arredores do Monumento de Washington, em Washington DC, em 22 de julho de 2010 (Mark Zou/Epoch Times)

Jennifer Zeng honra as vítimas da perseguição ao Falun Gong durante um evento nos arredores do Monumento de Washington, em Washington DC, em 22 de julho de 2010 (Mark Zou/Epoch Times)

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Originalmente publicada em: La Gran Época Ir para a home do Epoch TimesVer original
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