Traficantes de drogas do Rio visam proibir crack

Um grupo de viciados em crack procura abrigo da chuva, numa cracolândia no centro de São Paulo, em 14 de janeiro. (Yasuyoshi Chiba/AFP/Getty Images)

Traficantes de drogas brasileiros no Rio de Janeiro estão se alinhando para proibir a venda e negociação de crack, dizendo que tem um efeito adverso sobre as famílias e as comunidades, de acordo com um relatório exclusivo da Associated Press, publicado neste fim de semana.

O crack só foi introduzido no Rio há cerca de seis anos atrás, e gerou uma multidão de viciados que moram principalmente nas favelas da cidade. Segundo o relatório, os traficantes de drogas decidiram dar um basta.

Um chefe do tráfico conhecido como o segundo no comando do tráfico de crack da favela Mandela, disse à AP que a droga costumava ser uma mercadoria abundante, mas seu nome não foi usado pois ele é procurado pela polícia. “O crack tem sido nada além de desgraça para o Rio”, disse ele, acrescentando que “é hora de parar” a endemia.

Apesar de lucrar consideravelmente com a venda da droga altamente viciante, ele diz que agora parou de vender devido seu impacto. “Eu vejo essa miséria”, quando as pessoas ficam viciadas, disse ele.

“Eu sou um ser humano também, e eu sou um líder aqui. Eu quero ajudar a acabar com isso”, disse ele.

No entanto, para a proibição de venda do crack ter efeito na cidade inteira, uma outra quadrilha rival teria que concordar com os chefes da favela Mandela.

A Procuradora Flávia Froes disse à AP que outras gangues se inscreveram para impedir a venda da droga também.

“Eles estão se juntando em massa. Eles perceberam que essa experiência com crack não foi boa, apesar de ter sido lucrativa. Os custos sociais foram enormes. Isso não era uma droga para os ricos. Isso estava impactando suas próprias comunidades”, disse ela.

E acrescentou: “Hoje, podemos dizer com certeza que nós estamos assistindo ao fim do crack no Rio de Janeiro.”

 
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