Traficante cita caso de chefe do PCC e pede para também ser solto

Advogada que pediu soltura para o STF é sócia de ex-assessor de Marco Aurélio Mello. As instituições seguem funcionando para garantir a democracia

Por Leonardo Trielli, Senso Incomum

O traficante Gilcimar de Abreu pediu ao STF para ser liberado da prisão baseando-se na decisão do ministro Marco Aurélio Mello que soltou seu “colega de profissão” André de Oliveira Macedo, aka André do Rap.

Segundo trecho do pedido de sua advogada, Ronilce Marciel de Oliveira, “o requerente, sob o aspecto fático e jurídico encontra-se em situação idêntica ao paciente André Oliveira Macedo”.

Em entrevista à CNN Rádio, o ministro explicou que a decisão que soltou André do Rap foi baseada no texto da lei.

“Está em bom português no código de processo penal que a prisão preventiva dura por 90 dias”, justificou o ministro. O traficante estava preso desde o fim de 2019.

Ao ser questionado pelos jornalistas sobre o fato da advogada de André do Rap, Ana Luísa Gonçalves Rocha, ser sócia de um ex-assessor do magistrado, o ministro se irritou e desligou o telefone na cara dos apresentadores do noticiário. “Isto é injúria, encerrou-se a entrevista!” Tu-tu-tu-tu-tu…

Acreditando na boa-fé de um homem que foi preso por tráfico e é acusado de ser membro de uma das maiores organizações criminosas da América Latina, o excelentíssimo ministro Marco Aurélio escreveu em seu despacho:

“Advirtam-no [André do Rap] da necessidade de permanecer em residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamados judiciais, de informar possível transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade.”

O ministro Luiz Fux derrubou a decisão de Marco Aurélio, mas já era tarde. Após ser solto, o traficante fugiu do país.

 

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