Tortura: Centros de lavagem cerebral usados na perseguição ao Falun Gong

Na perseguição ao Falun Gong, o Partido Comunista Chinês (PCC) tem utilizado múltiplas instalações para deter e torturar milhares de milhares de cidadãos cumpridores da lei. Além das mais comumente conhecidas prisões, centros de detenção e campos de trabalho forçado, há uma instalação menos conhecida, mas que tem desempenhado um papel de destaque na perseguição ao Falun Gong. Geralmente referidas como “Centros de educação legislativa” pelas autoridades chinesas, estes estabelecimentos são mais precisamente descritos como centros de lavagem cerebral.

Servindo como prisões extrajudiciais, os centros de lavagem cerebral detêm os praticantes do Falun Gong por quanto tempo eles bem entenderem. O único propósito dos centros de lavagem cerebral é forçar os praticantes do Falun Gong a renunciarem à sua crença. Para alcançar isto, os centros forçam os praticantes a assistirem vídeos de propaganda ou ouvirem gravações que difamam o Falun Gong e geralmente os submetem a tortura física, o que tem levado a centenas de mortes confirmadas.

Até a data atual, na perseguição do Falun Gong, foram relatados 3653 casos de morte, com as identidades e detalhes confirmados. Setecentas e quarenta e seis (11%) do total experimentaram a detenção nos centros de lavagem cerebral, das quais 357 mortes ocorreram nos centros. Estes casos de morte e detenção envolvem 173 cidades, 329 condados e 449 centros de lavagem cerebral na China. Este relatório apresenta os resultados de uma investigação que correlaciona os casos de morte registradas e os centros de lavagem cerebral.

1. Panorama histórico dos centros de lavagem cerebral

O primeiro caso de morte num centro de lavagem cerebral ocorreu em janeiro de 2000, logo após o PCC dar início à perseguição ao Falun Gong. Uma aposentada local, Chen Zixiu, da cidade de Weifang, província de Shandong, foi presa num centro de lavagem cerebral em 17 de fevereiro, porque ela foi a Pequim apelar pelo Falun Gong. Na manhã de 21 de fevereiro, ela foi espancada até a morte.

a: Chen Zixiu e suas netas; b. As roupas de Chen Zixiu manchadas de sangue. c. As roupas íntimas de Chen, encharcadas de sangue

Em 20 de abril de 2000, o The Wall Street Journal publicou um artigo intitulado “Praticar o Falun Gong é um direito, disse sra. Chen até seu último dia” escrito por Ian Johnson, um repórter da equipe de funcionários. Johnson ganhou o Prêmio Pulitzer de 2001 por este artigo.

Ian Johnson ganha o Prêmio Pulitzer de 2001 com a história da sra. Chen Zixiu

Ian Johnson ganha o Prêmio Pulitzer de 2001 com a história da sra. Chen Zixiu

Após as notícias terem sido expostas, o regime do PCC, além de não levar os assassinos de Chen Zixiu à justiça, prendeu a filha de Chen Zhang Xueling por “vazar” informações ao jornalista americano. Zhang Xueling foi condenada a três anos em campos de trabalho forçado, com a acusação de “prejudicar a segurança pública”.

Em agosto de 2001, John Pomfret e Philip Pan do The Washington Post, reportaram que para destruir o Falun Gong o regime chinês havia tomado uma postura com três ingredientes: violência, propaganda massiva e centros de lavagem cerebral.

De acordo com o artigo: “Alguns governos locais já vinham fazendo uso de ‘aulas’ de lavagem cerebral antes, mas em janeiro, a Agência 610 de Pequim ordenou que todos os comitês das redondezas, instituições estatais e companhias começassem a utilizá-las, disseram fontes governamentais. Nenhum membro do Falun Gong deve ser deixado de fora.”

Enquanto os centros de lavagem cerebral são oficialmente chamados de “centros de educação legislativa”, “bases de treinamento legal”, ou “escolas de transformação do pensamento”, elas não têm nada a ver com lei, educação ou escola.

A aplicação da lei não exige apresentar nenhum documento legal nem passar por nenhum processo legal para enviar um praticante do Falun Gong aos centros de lavagem cerebral. Para isso, é dito aos trabalhadores nos centros que eles não têm que arcar com nenhuma responsabilidade pelos resultados das torturas aos praticantes do Falun Gong, mesmo se as torturas levarem à morte.

Em 2004, a Organização Mundial para Investigar a Perseguição ao Falun Gong (WOIPFG em inglês), publicou o “Relatório investigativo sobre as aulas de lavagem cerebral e métodos de lavagem cerebral”. De acordo com o relatório, a tortura física e as drogas que prejudicam o sistema nervoso são dois métodos comumente usados nos centros de lavagem cerebral.

No início de 2013, visando esconder as evidências, o PCC anunciou um plano para abolir o sistema dos campos de trabalho forçado, que até então vinham sendo utilizados como uma ferramenta principal na perseguição ao Falun Gong. Como o PCC não tinha intenções reais de acabar com a perseguição, começou a intensificar a utilização dos centros de lavagem cerebral, em substituição aos campos de trabalho forçado.

De acordo com o relatório publicado no website Minghui em janeiro de 2014: “Como os centros de trabalho forçado foram fechados, o número dos praticantes do Falun Gong encarcerados em centros de lavagem cerebral aumentou dramaticamente. De janeiro a junho de 2013, 181 de tais casos foram relatados. Entretanto, na segunda metade do ano, como o sistema dos campos de trabalho foram gradualmente eliminados, o número pulou para 1044.” (http://en.minghui.org/html/articles/2014/1/18/144478.html)

Muitos praticantes do Falun Gong que foram encarcerados em campos de trabalho forçado não foram libertados após o sistema dos centros de trabalho forçado ter sido abolido. Eles foram diretamente transferidos aos centros de lavagem cerebral.

Outro artigo no Minghui relatou que no ano de 2013 o PCC estabeleceu 157 centros de lavagem cerebral em 27 províncias e 737 praticantes foram enviados para esses centros.

2. Análise detalhada dos casos de morte e detenção nos centros de lavagem cerebral

De acordo com as estatísticas publicadas no website Minghui, em dezembro de 2013, dos 3653 casos confirmados de morte aos praticantes de Falun Gong nos últimos 15 anos de perseguição, 746 (11%) passaram por tortura nos centros de lavagem cerebral, alguns dos quais foram encarcerados por mais de uma vez, o que eleva o número de detenções para 851. Trezentas e sessenta e cinco das 3653 mortes ocorreram nos centros de lavagem cerebral. Duas outras mortes relatadas recentemente aconteceram em um centro de lavagem cerebral, elevando o número total para 367.

A investigação mostrou que a causa mais comum de morte nesses centros tem sido a administração forçada de injeção com drogas que lesionam o sistema nervoso, totalizando 32% dos casos de morte. A segunda maior causa de morte foi espancamento (20%). E 19% dos casos de morte foram causados pelo uso de múltiplas torturas.

Um documento interno do governo, que fornece instruções e protocolos aos centros de lavagem cerebral, estabelece explicitamente: “Para transformar os praticantes do Falun Gong, quando necessário, os oficiais podem usar abordagem médicas e clínicas.” Essa diretriz tem levado ao abuso de drogas que danificam o sistema nervoso.

Para mais informações do relatório síntese sobre centros de lavagem cerebral, por favor, visite o artigo original.

 
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