Tibetano se imola, ignorando apelo de exilados

Estudantes exibem fotos de tibetanos que se imolaram em protesto contra o regime chinês no Tibete, em Nova Deli, em 29 de agosto. (Sajjad Hussain/AFP/Getty Images)

Apenas alguns dias depois que os líderes tibetanos no exílio apelaram pelo fim da prática, um tibetano se pôs em chamas no sábado para protestar contra o brutal domínio chinês na província de Qinghai, no Centro-oeste da China.

O homem, que estava vestido com trajes tibetanos, se imolou no condado de Dzatoe na Prefeitura Autônoma Tibetana de Yushul e foi levado pelas forças de segurança chinesas, informou a Rádio Free Asia (RFA), citando fontes locais.

“Enquanto queimava, ele gritou vários slogans, pedindo a independência do Tibete”, disse uma fonte, que não foi nomeada por razões de segurança, à RFA.

“Ele passou por várias lojas tibetanas no complexo de compras do condado de Dzatoe com seu corpo em chamas”, disse a fonte, acrescentando que os lojistas locais tentaram apagar o fogo com água. Outras fontes deram detalhes mais horripilantes antes que ele fosse levado pelas autoridades chinesas.

Na semana passada, líderes tibetanos exilados pediram aos tibetanos na China que pusessem fim às autoimolações, dizendo que elas contrariam a natureza não-violenta do movimento. Pelo menos 52 tibetanos se colocaram em chamas desde março de 2009, a maioria ocorrendo na província de Sichuan e outras áreas densamente tibetanas, com mais de 40 mortes.

A mais recente autoimolação pode estar associada às autoridades chinesas que estão forçando tibetanos locais a participarem da filmagem de um filme que retrata os tibetanos vivendo felizes sob o domínio chinês, informou a publicação pró-Tibete Phayul, que citou o jornal Tibet Express. A publicação informou que o homem que se pôs em chamas tinha 27 anos e era chamado Yungdrung.

“Os tibetanos manifestaram sua resistência em participar no show deste ano, levando assim ao protesto de Yungdrung contra o governo chinês”, disse o artigo.

A Administração Central Tibetana se encontrou na cidade indiana de Dharamsala por quatro dias, dizendo aos tibetanos que “não tomem medidas drásticas” nem se ponham em chamas.

“O Tibete é um país pouco povoado e, na atual situação, perder até mesmo uma vida é uma grande perda para o povo tibetano”, disse a organização na semana passada, segundo a RFA. “Por favor, preservem suas vidas no futuro.”

No entanto, as autoridades exiladas pediram à China para acabar com suas políticas repressivas contra os tibetanos no país, que levou à deterioração de sua cultura, língua e religião.

Em muitas áreas tibetanas, incluindo a capital de Lhasa na Prefeitura Autônoma Tibetana, as forças de segurança chinesas têm reprimido fortemente nos últimos meses a dissidência e a divulgação de informações sobre as autoimolações.

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