“Tenho botão nuclear em minha mesa”, ameaça ditador da Coreia do Norte no Ano Novo

O ditador norte-coreano Kim Jong-un disse em seu discurso de Ano Novo que ele tem um botão nuclear em sua mesa e que qualquer parte dos Estados Unidos está dentro do alcance de suas armas nucleares.

A ameaça vem após décadas de políticas fracassadas dos Estados Unidos que não conseguiram impedir o regime comunista de desenvolver suas armas nucleares.

“Qualquer parte dos Estados Unidos está dentro do alcance de nossas armas nucleares, e um botão nuclear está sempre na minha mesa”, disse Kim Jong-un em seu discurso.

“Não importa o quanto a América deseje nos atacar com seu poder militar e nuclear, eles sabem que agora possuímos esse grande poder nuclear e, portanto, não se atreverão.”

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Autoridades do governo dos Estados Unidos ainda não confirmaram publicamente que a Coreia do Norte possui atualmente armas nucleares que podem alcançar os Estados Unidos. O grande problema enfrentado pelos norte-coreanos é o desenvolvimento de uma ogiva que possa sobreviver à reentrada. Em outubro, o diretor da CIA, Mike Pompeo, disse que a Coreia do Norte estava apenas a alguns meses de aperfeiçoar suas capacidades de armas nucleares.

No entanto, após o último lançamento da Coreia do Norte de um míssil balístico intercontinental (ICBM) em novembro, o secretário da defesa Jim Mattis disse que a Coreia do Norte agora tem a capacidade de atingir qualquer lugar do mundo com seus mísseis.

Desde o início do ano passado, o presidente estadunidense Donald Trump tentou encontrar uma solução diplomática para o dilema da Coreia do Norte. Simultaneamente, ele aumentou a presença militar dos Estados Unidos na região e ordenou que suas principais autoridades militares preparassem uma série de opções militares.

Embora os Estados Unidos sejam extremamente superiores em força militar, um conflito com a Coreia do Norte tem o potencial de causar centenas de milhares, senão milhões, de mortes. Isso é algo que Trump tem tentado evitar.

“Eu tenho sido moderado com a China porque a única coisa mais importante para mim do que o comércio é a guerra”, disse Trump em entrevista ao New York Times na semana passada.

Trump pressionou o líder chinês Xi Jinping e o presidente russo Vladimir Putin para aumentarem as sanções contra a Coreia do Norte.

Mas, apesar de duas sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) que limitaram o petróleo que pode ser vendido para a Coreia do Norte, navios chineses e russos foram vistos ilegalmente fornecendo petróleo à Coreia do Norte.

As transferências foram realizadas em alto mar, onde o petróleo foi transferido de navios chineses e russos para os norte-coreanos.

Trump contatou a China, dizendo que eles foram pegos em flagrante enviando petróleo.

Não está claro se os governos chinês e russo estavam envolvidos nas transferências, ou se elas foram conduzidas por contrabandistas independentes. Tanto a China como a Rússia negaram as transferências.

Décadas de inação

Apesar de a Coreia do Norte estar tentando desenvolver armas nucleares por décadas, ela conseguiu enganar as administrações dos EUA conseguindo sucessivos acordos que ela eventualmente violou.

Em 1994, o presidente Bill Clinton chegou a um acordo com a Coreia do Norte que exigia que o regime abandonasse seu programa de armas nucleares em troca de ajuda financeira e material.

Sob o acordo, a Coreia do Sul, o Japão e outras nações forneceram dois reatores nucleares leves à Coreia do Norte, custando cerca de US$ 4 bilhões, além de outras formas de ajuda.

Bill Clinton disse na época: “Este é um bom negócio para os Estados Unidos. A Coreia do Norte paralisará e depois desmantelará seu programa nuclear. A Coreia do Sul e nossos outros aliados estarão melhor protegidos. O mundo inteiro será mais seguro enquanto retardamos a propagação de armas nucleares.”

No entanto, o programa falhou. A Coreia do Norte aceitou e recebeu todo o auxílio combinado, mas continuou a desenvolver suas armas nucleares da mesma forma.

O presidente George W. Bush inicialmente assumiu uma linha dura, nomeando celebremente a Coreia do Norte como parte do “eixo do mal” que incluiria o Iraque e o Irã. Ele então se envolveu em seis diálogos com a Coreia do Norte, que culminou em ofertas de ajuda em troca de que a Coreia do Norte desistisse de seu programa nuclear. Ao longo das negociações, a Coreia do Norte continuou desenvolvendo armas nucleares e, em 2006, realizou seu primeiro teste nuclear. Em 2007, a Coreia do Norte aceitou auxílio em troca de desativar seu programa nuclear. Novamente, a Coreia do Norte não cumpriu sua parte da barganha.

Sob o ex-presidente Barack Obama, várias tentativas de abordar à Coreia do Norte na tentativa de retardar ou interromper seu programa de armas nucleares falharam. Dado o mais rápido desenvolvimento do programa de armas nucleares da Coreia do Norte em 2017, parece que a ameaça foi minimizada por Obama e sua administração.

Uma avaliação vazada por funcionários de inteligência dos EUA em julho deste ano mostrou que a Coreia do Norte já havia produzido com sucesso uma ogiva nuclear miniaturizada que pode ser acoplada em mísseis.

O presidente Trump exigiu a completa desnuclearização da Coreia do Norte como solução para a crise.

 
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