Talibã afegão diz querer o fim da guerra por meio do ‘diálogo’

Por Reuters

Os talibãs disseram na quarta-feira, 14 de fevereiro, numa declaração rara ao povo americano, que eles querem acabar com a guerra de 17 anos no Afeganistão por meio do diálogo, enquanto advertiram que a mensagem não deveria ser vista como um sinal de fraqueza e que a luta contra as forças dos Estados Unidos continuaria.

Uma estratégia mais agressiva dos EUA no Afeganistão, incluindo um aumento nos ataques aéreos introduzidos pelo presidente norte-americano Donald Trump em agosto, expulsou os talibãs de vários centros distritais e de duas capitais provinciais.

Mas os talibãs controlam grande parte do interior do país e responderam à estratégia mais agressiva dos Estados Unidos com dois ataques em Cabul nas últimas semanas, matando quase 150 pessoas.

O presidente norte-americano Donald Trump fala com militares americanos envolvidos no Afeganistão, na base militar Fort Mayer, em Arlington, Virginia, em 21 de agosto de 2017. Trump anunciou um aumento modesto nas tropas americanas no Afeganistão, o resultado de crescentes preocupações do Pentágono sobre contratempos dos militares afegãos contra as forças do talibã e da al-Qaeda (Mark Wilson/Getty Images)
O presidente norte-americano Donald Trump fala com militares americanos envolvidos no Afeganistão, na base militar Fort Mayer, em Arlington, Virginia, em 21 de agosto de 2017. Trump anunciou um aumento modesto nas tropas americanas no Afeganistão, o resultado de crescentes preocupações do Pentágono sobre contratempos dos militares afegãos contra as forças do talibã e da al-Qaeda (Mark Wilson/Getty Images)

Os ataques resultaram no endurecimento da postura dos governos dos EUA e do Afeganistão em relação ao início de negociações com os talibãs, embora nenhum dos lados pareça capaz de vencer o conflito.

“Nossa preferência é resolver a questão afegã por meio de um diálogo pacífico”, afirmou o talibã.

Os talibãs, lutando para expulsar as forças estrangeiras e derrotar o governo apoiado pelos Estados Unidos, disseram que os EUA devem terminar sua “ocupação” e aceitar o direito dos talibãs de formar um governo “consistente com as crenças do nosso povo”.

Em sua declaração recente, os talibãs não mencionaram o ataque de 27 de janeiro a um hotel de luxo em Cabul, quando mais de 30 pessoas foram mortas, nem um atentado à bomba numa rua lotada uma semana depois, que matou mais de 100 pessoas. Eles reivindicaram ambos os ataques.

Voluntários afegãos carregam os corpos das vítimas de um carro-bomba que explodiu em frente do edifício do Ministério do Interior em Cabul, no Afeganistão, em 27 de janeiro de 2018. Uma ambulância cheia de explosivos detonou numa área lotada de pessoas em Cabul em 27 de janeiro, matando pelo menos 17 e ferindo outras 110, disseram as autoridades, num ataque que foi reivindicado pelo talibã (Wakil Kohsar/AFP/Getty Images)
Voluntários afegãos carregam os corpos das vítimas de um carro-bomba que explodiu em frente do edifício do Ministério do Interior em Cabul, no Afeganistão, em 27 de janeiro de 2018. Uma ambulância cheia de explosivos detonou numa área lotada de pessoas em Cabul em 27 de janeiro, matando pelo menos 17 e ferindo outras 110, disseram as autoridades, num ataque que foi reivindicado pelo talibã (Wakil Kohsar/AFP/Getty Images)

O talibã apenas mencionou o governo afegão para ridicularizá-lo por vários motivos. Um porta-voz do governo não quis comentar o comunicado.

‘Mais alto que palavras’

Um porta-voz da missão militar liderada pela OTAN no Afeganistão disse que os recentes ataques dos talibãs contra civis demonstraram que eles não estão prontos para entrar em “negociações de paz de boa fé”, enquanto o governo deixou claro em várias ocasiões que estava disposto a iniciar um processo de paz.

“A declaração do Talibã por si só não mostra vontade de se envolver em conversações de paz. Os ataques recentes falam mais alto do que essas palavras”, disse o porta-voz da OTAN, o capitão Tom Gresback.

O talibã disse que não era tarde demais para o povo americano perceber que o talibã pode resolver problemas com todos os envolvidos “por meio de uma política e diálogo saudáveis”, acrescentando que as chances de diálogo “não estavam esgotadas”.

Negociações preliminares sobre o fim da guerra que mata milhares de pessoas por ano foram paralisadas.

Mas os contatos de baixo nível entre o governo, grupos internacionais, incluindo as Nações Unidas (ONU), e grupos próximos dos talibãs, continuaram mesmo quando a insurgência aumentou.

O progresso foi bloqueado pela profunda desconfiança entre o governo e os talibãs, bem como a incerteza sobre o papel dos vizinhos, incluindo o Paquistão, que o Afeganistão já acusou de ajudar os insurgentes.

O Paquistão rejeita acusações de que patrocina o talibã.

O talibã disse que sua vontade de desempenhar um “papel construtivo na busca de uma solução pacífica” não deve ser interpretada como um sinal de fraqueza.

“Isso nunca significará que estamos esgotados ou que nossa vontade foi exaurida”, disseram eles.

Eles disseram que não tinham intenção de danificar qualquer outro país ou muito menos usar o território afegão contra qualquer outro.

 
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