Talibã acusa Austrália de violação de Direitos Humanos no Afeganistão

Para vender imagem de "moderado", Talibã erra mira, mas acerta o alvo: a Austrália tem sistematicamente violado Direitos Humanos na pandemia, mas não no Afeganistão

Por Leonardo Trielli, Senso Incomum

É isto mesmo o que você leu: o Talibã – que está usando garotas de 12 anos como escravas sexuais de seus terroristas e realizando execuções sumárias contra qualquer pessoa suspeita de ajudar as forças ocidentais durante os 20 anos de ocupação do território – está acusando um país de “violação dos Direitos Humanos.”

Foi o porta-voz do novo regime afegão, Suhail Shaheen, quem fez as acusações, em entrevista à TV australiana 9News. Segundo ele, as forças australianas cometeram violações brutais dos Direitos Humanos durante os anos de ocupação ocidental no Afeganistão. Os fundamentalistas islâmicos querem que os soldados sejam processados por crimes de guerra.

“Eles cometeram algumas das piores e mais brutais violações dos direitos humanos, cortando dedos de cadáveres e matando agricultores.”

O porta-voz disse que as provas de sua acusação estão detalhadas no relatório Brereton do ano passado. O relatório Brereton foi resultado de um inquérito do Inspetor-Geral das forças de defesa australianas no Afeganistão que investigou crimes de guerra cometidos pela Austrália durante a ocupação afegã.

Embora nenhuma das alegações tenha sido comprovada, o documento de 465 páginas diz que o Serviço Aéreo Especial da Austrália desenvolveu uma cultura “tóxica” que incluiu “39 assassinatos ilegais”.

Questionado sobre o futuro do Afeganistão sob um regime fundamentalista, Shaheen afirmou que “foi concedida anistia àqueles que trabalharam com forças estrangeiras” e que a nação é “pacífica e unida”.

As evidências, no entanto, sugerem o contrário. Há relatos de execuções extrajudiciais perpetradas por militantes amplamente divulgadas em todo o país.

 
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