Taiwan agradece aos líderes do G-7 pelo apoio, apesar da agressão da China

Por Frank Fang

TAIWAN – O governo de Taiwan agradeceu na segunda-feira os líderes do Grupo dos Sete (G-7) por clamarem pela paz e estabilidade no Estreito de Taiwan.

No domingo, os líderes do G-7 emitiram uma declaração altamente crítica ao regime chinês, incluindo seus abusos de direitos humanos na região remota de Xinjiang na China e em Hong Kong, e suas práticas comerciais injustas. Os líderes também enfatizaram “a importância da paz e estabilidade em todo o Estreito de Taiwan e encorajam a resolução pacífica das questões através do Estreito.”

“Continuamos seriamente preocupados com a situação nos mares do leste e do sul da China e nos opomos fortemente a qualquer tentativa unilateral de mudar o status quo e aumentar as tensões”, acrescentaram.

Em 14 de junho, a Presidente da ROC Tsai Ing-wen acessou o Twitter para expressar sua gratidão aos líderes do G-7 e sua declaração sobre Taiwan.

“Taiwan se dedica a manter um Indo-Pacífico livre e aberto e continuará a trabalhar com nossos parceiros globais para garantir a segurança regional”, acrescentou Tsai.

O vice-presidente de Taiwan, Lai Ching-te, também foi ao Twitter para dizer que foi encorajado pela declaração do G-7.

“Saudamos os esforços multilaterais de paz. Taiwan está disposta a cooperar com o G-7 e além”, escreveu Lai.

De acordo com o porta-voz do gabinete presidencial de Taiwan, Xavier Chang, foi a primeira vez que uma declaração do G-7 destacou a importância da paz e da estabilidade no Estreito de Taiwan. O grupo governamental – que tem como membros Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – foi fundado em 1975.

China e Taiwan são separados pelo Estreito de Taiwan, que tem cerca de 80 milhas de largura em seu ponto mais estreito.

O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan saudou a declaração do G-7 em um comunicado à imprensa. Ele afirmou que Taiwan continuará a trabalhar com as nações do G-7 e países com interesses semelhantes, incluindo os da União Europeia, para manter a paz, estabilidade, prosperidade e desenvolvimento sustentável na região do Indo-Pacífico.

A relação entre Pequim e Taipei tem sido instável, principalmente porque o regime chinês considera a ilha autônoma como parte de seu território. Consequentemente, o regime comunista tentou isolar Taiwan da comunidade internacional e impedir a ilha de participar de organizações internacionais, incluindo a Organização Mundial de Saúde.

Taiwan é uma nação independente de fato com seu próprio governo, exército, constituição e moeda. Atualmente, Washington não tem laços diplomáticos oficiais com Taipei.

O regime chinês também ameaçou declarar guerra para “reunificar” a China continental e Taiwan. Diante de uma possível invasão chinesa, Taiwan tem comprado equipamentos militares de seu principal fornecedor de armas, os Estados Unidos, para sua autodefesa.

Na semana passada, o general do Exército Mark Milley, presidente da Junta de Chefes de Estado-Maior, disse em uma audiência no Senado que os Estados Unidos poderiam defender Taiwan no caso de uma invasão pelos militares chineses.

“Posso assegurar-lhes que temos as capacidades se as decisões políticas forem tomadas de acordo com a Lei de Relações de Taiwan”, explicou Milley.

Em março, o almirante Philip Davidson, então chefe do Comando Indo-Pacífico dos Estados Unidos, advertiu durante uma audiência no Senado que o regime comunista poderia invadir Taiwan nos “próximos seis anos”.

Em resposta à declaração do G-7, um porta-voz da embaixada chinesa no Reino Unido disse que outros países deveriam parar de “interferir nos assuntos internos da China” com relação a Taiwan.

Lo Chih-cheng, legislador do Partido Progressista Democrático de Taiwan, disse na segunda-feira que a China tem sido a fonte de instabilidade na região e um desafio para a paz regional, quando questionado pela imprensa local sobre o comunicado do G-7, de acordo com a Agência Central de Notícias de Taiwan, administrada pelo governo.

O legislador exortou a comunidade internacional a adotar medidas concretas para garantir a paz no Estreito de Taiwan, como o envio de frotas militares para as águas do oeste do Oceano Pacífico.

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