Suicídio em fábrica inspira protestos no Sul da China

Trabalhadores protestam segurando uma faixa que diz, “Horas-extras em fábrica tiram vidas!”, na Fábrica de Eletrônicos de Fugang, no distrito de Dongkeng, cidade de Dongguan, em 29 de setembro. (QQ.com)

Trabalhadores protestaram após a morte de um colega em 29 de setembro numa fábrica de componentes do iPhone no Sul da China. De acordo com um artigo do jornal Mingpao de Hong Kong, He Cheng, de 32 anos e da província de Jiangxi, trabalhou por um mês para a Fábrica de Eletrônicos de Fugang, no distrito de Dongkeng, cidade de Dongguan, província de Shandong, antes de se matar.

He Cheng pediu licença de três dias para comemorar o Festival de Meados de Outono com sua irmã casada que veio de Taiwan para o feriado. O Mingpao informou que a fábrica lhe concedeu um dia, mas ele se ausentou por três dias. Em seguida, a empresa se recusou a pagar seu primeiro mês de trabalho.

O Sr. Yang, um trabalhador da fábrica de Fugang de 10 mil funcionários, disse ao Epoch Times que ele e outros estavam a caminho do almoço em 29 de setembro por volta 11h. Ele viu um homem vestido com um traje amarelo antiestática caído no chão com os membros contorcidos. O capuz azul acima do homem tinha um grande buraco, disse ele.

Yang disse que os guardas de segurança impediram que as pessoas tirassem fotos ou ficassem nas proximidades. Quando chegaram à lanchonete, funcionários tomaram seus telefones celulares, que foram devolvidos no final do dia.

Yang disse que não podia comer. Ele ouviu outro funcionário dizerem que o homem no chão estava vivo e em movimento quando os seguranças chegaram, mas os guardas não chamaram uma ambulância ou tentaram ajudá-lo.

Um funcionário escreveu num fórum online, “Eu estava saindo do trabalho no momento e vi que o homem no chão ainda se movia, mas o segurança não se importou ou ligou [para uma ambulância]. Eu estava muito ansioso e decepcionado.”

“Eu queria bater no segurança. Se o pai de Guo Taicong [o dono da fábrica] estivesse no chão, ele não se atreveria a ignorá-lo! Funcionários são seres humanos de carne e osso e não máquinas. Temos paciência limitada se a liderança não se preocupa com a vida dos funcionários.”

Guo Taicong é o irmão de Terry Guo, o CEO do Grupo Foxconn. A Foxconn teve múltiplos suicídios de funcionários, tumultos e relatos de condições de trabalho abusivas e é conhecida principalmente pela fabricação de iPhones. As duas fábricas trabalham em conjunto.

Por volta das 7 da manhã de 5 de outubro, cerca de 20 parentes de He Cheng se reuniram na porta da fábrica para queimar dinheiro de papel por ele, um ritual tradicional chinês pelos mortos. Eles seguraram uma faixa que dizia, “A Fábrica de Fugang forçou meu filho a se matar e se recusa a nos compensar por sua morte”.

Eles usaram um alto-falante para pedir que a companhia se explicasse. Eles choraram e se deitaram no chão. De acordo com o Mingpao, a empresa compensou a família de He Cheng com 60 mil yuanes (9.547 dólares), mas a polícia os deteve e ameaçou.

A irmã de He Cheng disse que sua família quer justiça. Mesmo que a sociedade esteja escura, ela acredita que haverá luz um dia. Ela disse que a família inteira foi à fábrica, mas a polícia os deteve até às 17h. “Não fizemos nada violento e tudo que queremos é justiça. Espero que permaneçamos juntos para lutar contra esta fábrica desumana.”

Porque a visita da família coincidiu com uma mudança de turno, milhares de trabalhadores os viram. Os funcionários também protestaram, denunciando a má alimentação e as horas excessivamente longas de trabalho. A polícia chegou para dispersar a multidão.

Um funcionário escreveu numa postagem online, que já foi excluída, que vários milhares de funcionários denunciaram as condições de trabalho na fábrica. Um policial pegou o amigo de um trabalhador que passava pelo pescoço e lhe disse para tomar outro caminho.

Um repórter do Epoch Times ligou para a empresa, mas a recepcionista negou todos os eventos e não conectou o repórter com a gerência da empresa.

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