Su Wu, um diplomata que foi um pastor solitário por dezenove anos na antiga China

Su Wu, um diplomata que foi um pastor solitário por dezenove anos na antiga China (Yeuan Fang/The Epoch Times)

Durante os primeiros anos da Dinastia Han, havia inquietação e confusão na fronteira norte com o povo xiongnu e as frequentes invasões dos xiongnu eram uma das principais preocupações dos imperadores de Han. Isso mudou após o Imperador Wu, cuja determinação, visão e força militar permitiram derrotar os xiongnu em numerosas batalhas. Desde então, o conflito entre os xiongnu e o povo han gradualmente se apaziguou.

O rei dos xiongnu tentou fazer as pazes com Han enviando mensageiros de Han que haviam sido presos pelos xiongnu na época da guerra. O Imperador Wu planejou retornar os xiongnu detidos junto com presentes valiosos, como uma resposta positiva aos esforços de manutenção da paz dos xiongnu. Su Wu foi escolhido para chefiar a missão de intercâmbio diplomático ordenada pelo imperador. Quando tinha 42 anos, Su Wu liderou um grupo de mais de 100 pessoas, deixou a capital de Chang’an no ano 100 a.C. e foi em direção ao reino dos xiongnu. Ninguém esperava que essa viagem levasse dezenove anos.

Su Wu chegou ao Reino Xiongnu e completou a troca de prisioneiros. No entanto, os presentes de Han foram julgados insatisfatórios e interpretados como um sinal de fraqueza de Han, mas a arrogância do rei de Xiongnu de fato não impressionou ninguém do corpo diplomático. Um dia antes de retornar a Han, Su Wu foi preso com todos os seus subordinados pelo rei de Xiongnu, que ficou furioso ao descobrir a humilhação e ofensa que o assistente de Su Wu armou contra ele. Consequentemente, todos os diplomatas foram presos e os xiongnu novamente declararam guerra contra Han.

Quando Su Wu compareceu diante do rei de Xiongnu, ele foi informado que seria poupado se se rendesse aos xiongnu e os servisse como seu diplomata. Su Wu recusou e afirmou que, embora não soubesse nada sobre a trama, ele era responsável pela conduta de seu assistente. Su Wu também disse que estava disposto a morrer como punição, no entanto, ele não se renderia.

O rei dos xiongnu tentou várias abordagens para obter a rendição de Su Wu, incluindo prometer-lhe riquezas e poder e ameaçá-lo com torturas, encarceramento, fome, sede e, finalmente, a morte. Su Wu permaneceu firme e não traiu Han.

Sabendo que não havia chance de conseguir a rendição de Su Wu, o rei o exilou para uma região desabitada do Mar do Norte, conhecida hoje como Lago Baikal, permitindo-o regressar a Han somente “quando carneiros puderem amamentar cordeiros”. Diante da opção de ser um pastor pelo resto da vida ou morrer sozinho no exílio, Su Wu escolheu viver. Durante o dia, ele pastoreava o rebanho de ovelhas pelas cercanias do lago e, à noite, permanecia sozinho em sua tenda. No inverno rigoroso, o rei de Xiongnu deliberadamente cortava seu abastecimento de alimentos e Su Wu tinha de pegar ratazanas e encontrar raízes para sobreviver. Ele carregava e mantinha consigo o bastão imperial e, por vezes, usava-o como um cajado de pastor. Os laços decorativos do bastão caíram com o tempo e apenas a haste ainda o acompanhava.

Anos mais tarde, os xiongnu ganharam um novo rei que queria paz com o Império Han, assim, em 81 a.C., ele libertou Su Wu e seus delegados de Han. Su Wu finalmente regressou com apenas nove componentes restantes da delegação originária e 19 anos mais tarde. Quando chegaram à capital de Chang’an, o imperador, ministros, autoridades e moradores saíram para saudá-los. Todos choraram vendo o velho e frágil homem com cabelos e barba brancos ainda segurando firmemente o bastão imperial símbolo de Han.

Para recompensar o espírito leal e patriótico de Suwu, o imperador de Han concedeu-lhe muitos presentes valiosos e terras. No entanto, Suwu continuou com uma vida simples e deu quase todos os tesouros para outros.

Su Wu faleceu aos 83 anos, em 60 a.C., mas se tornou um símbolo de um oficial honrado, reto e determinado na história chinesa, além de celebrado no conto “Su Wu pastoreando ovelhas”.

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