Solucionado o mistério do Vale da Morte nos EUA

O mistério no Parque Nacional do Vale da Morte que intrigava cientistas e visitantes há décadas, foi finalmente solucionado.

Próximo a um lago no parque conhecido como Racetrack Playa, centenas de pedras no chão têm se movido pelo solo, aparentemente sozinhas. Elas deixam longas trilhas no lago, evidência inquestionável de que algo está as empurrando pela superfície.

Pesquisadores imaginaram o que poderia estar movendo-as desde a época em que as rochas foram descobertas, há quase um século. Ninguém nunca havia as visto mover, até dezembro do ano passado, quando uma equipe liderada por Richard Norris, um especialista em paleobiologia, junto ao Instituto de Oceanografia Scripps, gravaram o fenômeno em uma câmera.

Em um estudo publicado em 27 de agosto no jornal científico online Plos One, Norris afirma que sua equipe demorou 2 anos para fotografar e mapear o movimento das rochas.

“Existem alguns elementos de sorte na ciência. Acreditávamos que provavelmente teríamos que esperar entre 5 a 10 anos, sem que houvesse atividade, mas com apenas dois anos de projeto, conseguimos captar o momento exato do fenômeno”, Norris contou em uma coletiva à imprensa.

Norris e sua equipe iniciaram o experimento no inverno de 2011, quando traçaram um plano de monitorar o movimento das pedras com uma estação meteorológica de alta resolução, que pode medir rajadas de vento em pequenos intervalos de tempo. Eles também encaixaram 15 pedras, trazidas de fora do Parque, já que os funcionários não lhes permitiam que movessem as pedras que já se encontravam no parque, e estas pedras estavam equipadas com aparelhos de GPS para traçarem seu movimento.

Em seguida, esperaram que algo acontecesse, o que o também estudioso Ralph Lorenz do laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins classificou como sendo “a experiência mais entediante de todas”.

Quando a equipe visitou o local de pesquisa em dezembro de 2013, encontraram-no coberto por uma pequena lagoa de água com cerca de três centímetros de profundidade. E então notaram algo interessante: as rochas começaram a se mover.

“As observações mostraram que a movimentação das rochas requer uma rara combinação de eventos. Primeiro, a ‘praia’ se enche de água, que deve ser profunda suficientemente para formar gelo flutuante durante as noites frias de inverno, mas superficial o suficiente para expor as rochas”, descreve o Instituto de Oceanografia Scripps.

“À noite, à medida que as temperaturas despencam, o lago congela e forma folhas finas de ‘vidros de gelo’, que precisam ser finas o suficiente para se moverem livremente, mas grossas o suficiente para manter a força. Em dias de Sol, o gelo começa a derreter e a dividir-se em grandes painéis flutuantes, que são movidos pela ‘praia’ que se forma, empurrando as rochas a sua frente e deixando rastros na lama macia na superfície.”

Em 21 de dezembro, Norris e seu coautor de estudos Jim Norris informaram que ouviram “sons de coisas estourando e quebrando por toda a superfície do lago”, de acordo com o Scripps.

Graças à possibilidade de testemunhar o movimento dos rochas em tempo real, tornou-se claro a razão pela qual ninguém havia relatado vê-las passar antes. As rochas moviam-se apenas alguns centímetros a cada segundo, de modo que seria praticamente impossível de detectar o movimento à distância.

 
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