Síndrome do Intestino Irritável: é preciso continuar com ela?

A síndrome do intestino irritável (SII), também chamada de síndrome do cólon irritável, colite nervosa ou neurose cólica, é um distúrbio funcional do intestino grosso.

Distúrbio funcional é aquele que não é devido a infecções, alterações bioquímicas ou a alterações anatômicas patológicas, mas que caracteriza-se apenas por desequilíbrios em algumas funções de um órgão.

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Na SII há hipersensibilidade e desequilíbrio nas funções do intestino grosso (cólon), em especial ligadas a alterações em seus movimentos e em suas contrações: existe uma intensidade exacerbada tanto nas contrações como nos movimentos naturais do cólon. Isso resulta em sintomas como cólicas intestinais, gases, distensão abdominal, e constipação e/ou diarreia, às vezes alternadas.

A SII é um distúrbio que NÃO evolui para doenças intestinais mais sérias, como as ulcerativas, o câncer do cólon ou outras, portanto, não há perigo algum para a pessoa, ainda que os sintomas sejam muito incômodos. Entretanto, o diagnóstico diferencial precisa ser feito, para que sejam eliminadas outras possibilidades de doenças ou distúrbios gastrointestinais com sintomas semelhantes.

Abordagens

A medicina convencional é reticente em aceitar que este seja um distúrbio de características psicogênicas (que tem sua origem na mente e nas emoções da pessoa), assim, por exemplo, diz o Dr. Drauzio Varella: “A interação entre fatores psicossociais e a síndrome [do cólon irritável] permanece especulativa”. Ao mesmo tempo, percebe que os fatores emocionais têm grande relação com o distúrbio: “Crianças que sofreram abusos sexuais, físicos ou psíquicos têm mais chance de desenvolver os sintomas no futuro.” [(Varella) – http://drauziovarella.com.br/drauzio/sindrome-do-colon-irritavel/)]

Na verdade, por considerar e abordar o ser humano como um ser essencialmente biológico, a medicina ortodoxa tem um campo muito estreito para relacionar variáveis de diferentes âmbitos e compreender suas interações e resultados; ou seja: ao dar muito mais importância ao âmbito biológico e muito menos ao psicossocial, aos médicos, em geral, escapa a oportunidade de observar com amplitude e profundidade os verdadeiros fatores causais de doenças como essa.

Por outro lado, estudiosos e bons profissionais da área da psicologia, das terapias alternativas com abordagens mente-corpo, e da psicossomática percebem claramente a relação entre os estados psicológicos e a SII. Ainda assim, somente bons profissionais dessas áreas são capazes de levar a pessoa a encontrar seus próprios núcleos emocionais vinculados à SII , já que muitos outros profissionais tendem a aceitar a visão superficial de que esse é um distúrbio funcional de causas desconhecidas, passível de ter apenas seus sintomas controlados através de remédios, psicoterapia e reeducação alimentar. (Veja um excelente artigo sobre SII, a partir da visão da medicina tradicional chinesa: Medicina chinesa é ótima alternativa para tratar doenças intestinais)

Por isso, a solução definitiva para aqueles que desejam curar-se da SII é encontrar um profissional que os auxilie a perceber os núcleos emocionais vinculados ao surgimento de sua SII.

Somente através da compreensão profunda de suas emoções conflituosas, de suas reações e comportamentos condicionados que mantêm o seu intestino alterado é que será possível a uma pessoa modificar o padrão psicológico que vem alterando significativamente o funcionamento de seu intestino e sistema digestório (na verdade, hoje sabe-se que a SII não envolve somente o intestino grosso, mas basicamente a totalidade do tubo alimentar, que vai desde o esôfago até o ânus).

Curar-se da SII (assim como de qualquer outra doença ou distúrbio)significa recuperar as memórias vinculadas ao seu surgimento, e entender as formas de reação-padrão (comportamentos) que se estabeleceram daquele momento em diante na pessoa, porque estes comportamentos acompanham-na 24 horas por dia, determinando constantemente as reações do seu tubo alimentar e seus sintomas associados, como espasmos, cólicas, lentidão no movimento peristáltico, prisão de ventre, diarreia etc.

A questão alimentar

Algumas pessoas que têm SII podem dizer que quando comem certos alimentos, como laticínios, pimentas, chocolates, glúten e outros, passam mal dos intestinos, tendo diarreia, cólicas, enjoo etc, e isso é realmente verdade.

O caso é que seus intestinos encontram-se irritados e hipersensíveis cronicamente e qualquer estímulo mais intenso ou irritante produz um desarranjo intestinal. Por isso, ainda que busquem o caminho certo para dissolverem os padrões emocionais que causam a SII, elas precisam cuidar dos intestinos, tornando-os menos irritados, mais relaxados e calmos, enquanto não alcançam a saúde perfeita. É por isso que uma alimentação suave e sem alimentos irritantes ou alergênicos é ideal até que a cura interior se processe: frutas de sabor suave, legumes feitos no vapor, arroz integral e poucos condimentos são indicados; e, por outro lado, alimentos irritantes devem ser evitados, como refrigerantes, doces, chocolates, frituras, pimentas, leite, alimentos gordurosos e outros.

O chá de hortelã e especialmente o óleo essencial de hortelã-pimenta (mentha piperita) têm ótimos resultados na SII, aliviando as tensões intestinais, as cólicas, os espasmos, a distensão abdominal e os gases.

Publicamos nessa semana um ótimo artigo sobre as bases alimentares ideais para quem tem SII; vale muito a pena ler: 9 super dicas contra o Intestino Irritável 

A preocupação

Mesmo que uma alimentação saudável e suave seja muito benéfica a todos e especialmente a quem sofre de SII, a mente é ainda mais crucial neste processo.

Quem tem SII vive preocupado com tudo o que come e, muitas vezes, torna-se temeroso de ter uma vida social normal, porque teme passar mal e ter diarreia onde quer que vá, sentindo-se constrangido.

A preocupação em relação aos possíveis alimentos prejudiciais e com a manifestação dos sintomas – cólicas, gases, diarreia – passa a ocupar uma grande parte da vida de quem tem SII, provocando um desgaste emocional/mental contínuo.

Além disso, torna-se um aspecto negativo em relação à intensificação das crises, porque o medo e a tensão geradas pela auto-sugestão de que os alimentos lhe farão mal, tendem a produzir ainda mais tensão e hipersensibilidade nos intestinos.

Por isso, uma das grandes ajudas que a pessoa pode dar a si mesma é parar de interferir nos processos alimentares, tentando controlar tudo, preocupando-se com cada coida que come, procurando safar-se disso ou daquilo; ela precisa deixar que seu próprio organismo “decida” o que pode ou não comer, o que lhe faz bem ou não, porque afinal não são realmente seus intestinos que estão doentes, mas seus condicionamentos emocionais negativos que precisam ser curados e deixarem de afetar seus intestinos.

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A SII realmente tem cura, mas para isso é necessário que a pessoa queira, de fato, descobrir o que desencadeou este distúrbio em si mesma e cure-se definitivamente depois de alcançar a cura de seus sentimentos e a normalização de seus comportamentos.

 
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