Os significados da flor de lótus na cultura indiana

A flor nacional da Índia, o lótus (Nelumbo nucifera), inspira profundamente a cultura antiga e moderna do país, enriquecendo sua arte e literatura.

Para aqueles que têm viajado através do sul da Índia rural, pontos turísticos com lagoas de lótus certamente são reminiscências inesquecíveis e belas da viagem. A associação da flor com a cultura indiana remonta a milhares de anos, assim inspirando, modelando e nutrindo o espírito da Índia como uma civilização ancestral.

A riqueza da literatura tradicional indiana é um sinônimo de sua antiga língua, o sânscrito. Em sânscrito, cada palavra encarna um mundo de experiências.

De acordo com K. K. Yatheendran, um estudioso do sânscrito de Kerala, o lótus tem muitos nomes inspiradores em sânscrito, cada um evocativo de uma experiência diferente: Pankeyrooham (nascido da lama), Sahasrapatram (mil pétalas), Kamalam (que decora a água), Shatapatram (o das cem pétalas) e Amboroham (que brota da água), para citar apenas alguns.

Yatheendran diz que o lótus aparece recursivamente na literatura sânscrita sendo usado às vezes metaforicamente, como na expressão “vadana amboojam”, que significa um rosto como uma flor de lótus ou um rosto brilhante.

O lótus recebe sua melhor menção na literatura moderna indiana no famoso soneto “Lótus” de Toru Dutt, “O amor foi à natureza pedir uma flor/Uma flor que fosse uma rainha indiscutível/…”

A flor também se encontra gravada na arte indiana em vários contextos, um símbolo muito comumente visto em templos indianos, e, mesmo na modernidade, o lótus é sinônimo de pureza e bondade nas artes.

“É de se notar que as flores geralmente só são oferecidas a uma divindade na Índia quando floresceram completamente, exceto o lótus, cujos botões também são oferecidos”, disse Yatheendran ao Epoch Times.

O lótus também é encontrado em murais pré-históricos e pinturas rupestres pelo país. A mais notável é a pintura de Padmapani na Gruta 1 de Ajanta, no estado de Maharashtra. Em sânscrito, Padmapani significa literalmente ‘o portador do lótus’.

A flor também é um motivo popular em Kolams (ou desenhos Rangoli) – um estilo de padrões decorativos (como mandalas) desenhados no chão com arroz em pó, giz ou grãos sintéticos coloridos. Acredita-se que os desenhos tragam prosperidade à família.

Mesmo durante o período Mughal, motivos de lótus foram representados na arquitetura. Na cidade de Shah-jahana-bad, fundada pelo Rei Shah Jahan (1627-1658 d.C.), está localizado o famoso Forte Vermelho, onde o lótus foi usado como um símbolo da juventude e da longevidade que sempre se renova.

Os apartamentos exclusivamente femininos (o Rang Mahal) foram projetados na forma de um grande lótus, com pétalas delicadamente estampadas em relevos, pinturas murais e esculpidas em arcos arquitetônicos como molduras floridas que dão ao lótus um caráter onipresente. No centro da construção há uma bacia com uma haste delgada com um lótus prateado emergindo e do qual a água jorra.

 
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