A saúde e a fé cega na ciência

Boa parte dos terapeutas que trabalham com abordagens profundas e integrativas para ajudar as pessoas na compreensão de si mesmas e de suas doenças orgânicas não se cansa de observar, descobrir e maravilhar-se com as intrincadas relações entre a mente, as emoções e os processos orgânicos.

Buscar e perceber junto com a pessoa os motivos de suas severas tensões orgânicas e de suas consequentes doenças é um trabalho delicado, paciente e muito belo que muitas vezes leva a curas de doenças complexas que persistiram durante anos (e que são tratadas de forma grosseira e superficial pela medicina convencional, mediante quimioterapia, cirurgias mutiladoras etc).

É incrível como uma simples e bem orientada auto-percepção pode revelar todos os estados psicológicos subjacentes que promovem os distúrbios e doenças físicas das pessoas. Mais maravilhoso ainda é perceber a retomada da consciência de si mesmo que o indivíduo alcança durante esses momentos de calma profunda e sincera auto-percepção, e também aprender o quanto de abundante inteligência e capacidade reflexiva e auto-curativa todos possuímos.

A fé cega na ciência

A medicina atual, dominada pela enorme e insidiosa pressão das indústrias farmacêuticas, adoeceu gravemente, perdendo praticamente toda a capacidade de compreender as bases das doenças.

As pressões dessas indústrias levam cientistas e médicos a especializarem-se nas investigações dos tecidos e órgãos doentes, assim como no mundo dos microorganismos para incentivarem a busca de substâncias e remédios químicos capazes de sanarem os tecidos e os órgãos e destruírem microorganismos. Por isso, todo o contexto psicossocial dos indivíduos – o qual impressiona fundamentalmente as estruturas psicológicas e físicas das pessoas, e que é a causa básica das doenças – é praticamente todo descartado por médicos e cientistas. Estes acabam criando premissas rasas, incompletas e bastante ineficientes para a compreensão e a cura real das doenças.

Temos visto os recentes escândalos que envolvem o uso abusivo e descabido da ritalina pelos médicos para tentarem controlar crianças nas escolas; crianças que foram classificadas, erroneamente, como sendo hiperativas e desconcentradas, devido ao uso do poder médico e da falta de ética das indústrias farmacêuticas. Igualmente, temos visto pessoas famosas como Angelina Jolie, Sharon Osbourne e outras sendo mutiladas em cirurgias de dupla mastectomia preventiva devido ao medo do câncer de mama infundido pelos médicos – estes doutrinados ou vinculados às indústrias que controlam patentes de genes associados ao câncer de mama.

Leia também: Quando medicina e indústria farmacêutica preferem doenças

A indústria farmacêutica e a perpetuação das doenças

Como somos capazes de prescindir da nossa sensatez e inteligência, deixando aos médicos e cientistas a decisão de classificar e tratar em massa as crianças com produtos químicos que alteram profundamente seus organismos e suas consciências? Como é possível que deixemos o nosso poder de reflexão e as nossas próprias percepções serem tão profundamente aviltadas pela imposição do controle do “saber médico e científico”, que muitas vezes tem se mostrado mentiroso e manipulador, devido à sua corrupção pelos interesses financeiros?

Como se educa a consciência de uma criança? Com remédios ou com atenção e orientação? Como se previne o câncer, extraindo órgãos preventivamente ou cuidando, com inteligência e responsabilidade, da saúde mental e física?

Precisamos recobrar a nossa sensatez, autoconfiança e a capacidade de refletir com sabedoria sobre os eventos, porque estamos perdendo a nossa consciência, entregando as nossas escolhas e o nosso poder de reflexão nas mãos de homens que têm se mostrado falhos e corruptíveis, mesmo ostentando títulos aparentemente honoráveis. Assim como grande parte da política e da religião, boa parte da ciência se corrompeu, sendo seduzida pelo poder e pelo dinheiro, marginalizando os verdadeiros bons cientistas e bons médicos.

Recuperando a lucidez e o poder pessoal

Hoje, a ignorância que temos a respeito de nosso corpo, dos nossos estados psicológicos interiores e da relação entre a nossa mente e a nossa saúde nos torna reféns dos remédios químicos e da visão insuficiente e desumana da medicina atual. Claro que existem bons médicos e muito bem intencionados, mas sem uma mente atenta e questionadora, a maior parte dos estudantes de medicina, dos médicos e até mesmo dos professores de medicina cai constantemente na visão puramente física sobre o que é o ser humano e o que são as doenças. Isso pode ocorrer especialmente devido ao pensamento fragmentado, materialista e conservador que predomina na ciência e à influência mal intencionada das indústrias farmacêuticas.

Além disso, as indústrias farmacêuticas têm feito coisas altamente inescrupulosas, devido a considerar pessoas e países como mercados financeiros a serem expandidos, e não seres humanos a serem curados e sociedades a serem assistidas.

Cada indivíduo tem um corpo, do qual é responsável, e uma consciência, que quando atenta e utilizada com reflexão e sabedoria leva à compreensão de si mesmo e de seus distúrbios e doenças. É preciso sair da ilusão de que as doenças são processos casuais, incompreensíveis e devido a agentes externos, deixando-as totalmente nas mãos dos médicos, cientistas ou quaisquer outros profissionais da saúde. Claro que estes são apoiadores, às vezes maravilhosos, mas não devem se tornar responsáveis pela vida, saúde, consciência ou decisões dos indivíduos.

Precisamos nos tornar atentos, responsáveis por nós mesmos, conscientes de nossas escolhas e ações, e do resultado das mesmas em nossa mente, corpo e saúde. A autoconsciência e o autoconhecimento são um processo lindo de recuperação da autonomia pessoal e uma possibilidade real de desenvolvimento de um riquíssimo e vasto potencial interior. Se cada um souber o quão fascinante e rica é a sua consciência e o quão capaz é o seu pensamento e o seu ser, “milagres” acontecerão, porque aquele que adoece por falta de consciência é o mesmo que se cura quando esta se recobra.

Leia também: A autocura está ao nosso alcance

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Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

 
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