Salles analisará impacto antes de decidir sobre ferrovia biocêanica na Amazônia

Projeto com financiamento da China prevê a construção de uma ferrovia para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico atravessando os territórios de Brasil, Bolívia e Peru

Por Agência EFE

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta quinta-feira (14) que é preciso avaliar os relatórios de impacto ambiental e desenvolvimento antes de tomar qualquer decisão sobre o projeto que prevê a construção de uma linha ferroviária bioceânica, que atravessaria parte da Amazônia.

Salles analisou o projeto e fez outras observações sobre seus desafios na pasta em entrevista concedida à Agência Efe após participar das reuniões de alto nível da IV Assembleia do Meio Ambiente da ONU (UNEA-4), em Nairóbi, capital do Quênia.

“Não podemos tomar decisões sem conhecer os relatórios técnicos. É preciso avaliá-los para chegar a um consenso. Além disso, vamos estudar se é melhor preservar a Amazônia antes de dotar a população dessa região dos serviços que ela precisa”, disse o ministro.

Um projeto com financiamento da China prevê a construção de uma ferrovia para ligar o oceano Atlântico ao Pacífico atravessando os territórios de Brasil, Bolívia e Peru. O caminho resultaria na economia de milhares de quilômetros no transporte marinho de mercadorias para a Ásia.

Em entrevista coletiva antes de conversar com a Efe, Salles afirmou que concentrará os esforços em “solucionar problemas que afetam os brasileiros”. Sobre a mudança climática, o ministro disse que deixará a discussão para técnicos, cientistas e acadêmicos.

“Não nego a mudança climática, mas não podemos destinar recursos a isso quando eles são necessários em outras áreas de desenvolvimento do Brasil”, afirmou Salles em Nairóbi.

O ministro afirmou que defenderá a proteção da Amazônia e o controle do desmatamento por meio da tecnologia, com uso de radares e drones para monitorar a região com auxílio do setor privado.

“Sobretudo entre os meses de maio e novembro, quando as nuvens dificultam a ação dos satélites”, explicou.

Para Salles, o desmatamento da Amazônia está mais ligado à mineração ilegal do que com o agronegócio. O ministro considerou a produção agrícola como um dos setores mais importantes para a economia brasileira, ressaltou que ela será incentivada no governo de Jair Bolsonaro e que é compatível com a proteção florestal.

Perguntado sobre a poluição nos oceanos, Salles destacou que o país precisa atuar para impedir que o lixo chegue aos 7.491 quilômetros da costa brasileira, mas não deu detalhes de como o Ministério do Meio Ambiente pretende lutar contra o plástico.

“Não é certo dizer que o governo do Brasil não está preocupado com o meio ambiente. Nos últimos meses, estamos desenvolvendo ações para a sua proteção”, afirmou Salles, ressaltando que não irá repetir o que os governos anteriores fizeram na pasta.

“Falavam muito e não implementavam tudo o que diziam”, criticou.

“Como resolvemos o problema da mudança climática sem resolver o problema do saneamento e da água?”, questionou Salles, citando dois pontos que constam nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU.

Salles destacou que o Brasil precisa de investimento estrangeiro e de tecnologia que o país não possui, citando especificamente o caso do tratamento de resíduos. “Somos conscientes das nossas limitações. O Brasil é um país continental, precisamos ter uma estratégia para o tratamento do lixo”, reconheceu.

O ministro está em Nairóbi para participar das negociações da UNEA-4, que termina amanhã após cinco dias de reuniões.

 
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