Sal marinho: um tesouro para a saúde

Qual a importância do sal? Para que o usamos? Sua função é apenas dar mais sabor à comida?

Longe de ser apenas um tempero, o sal é uma das substâncias mais importantes para a vida humana, devido à sua rica composição em sais minerais, os quais são utilizados em praticamente todas as nossas funções orgânicas.

Os sais minerais são vitais para a saúde, pois regulam inúmeras funções: glandulares, hormonais, enzimáticas, ósseas, vasculares, nervosas, imunológicas e outras, ao ponto de podermos afirmar que sem os sais minerais não poderíamos existir e nem sobreviver.

Porém, estes sais não são encontrados no sal comum de cozinha, ou sal refinado. O que as pessoas conhecem normalmente é o sal de cozinha, ou sal refinado, que é composto apenas por cloreto de sódio em alta concentração, que é um tipo de sal mineral, ao qual se adiciona, depois de refinado, um outro mineral, o  iodo. Então, o sal de cozinha não pode cumprir a função de nutrir e regular o organismo humano, já que só conta com dois sais minerais: o cloreto de sódio e o iodo.

Além de não cumprir as funções nutritivas e reguladoras para o metabolismo humano, o sal refinado produz uma série de malefícios para o organismo. Estes malefícios já foram estudados e comprovados à exaustão por médicos e cientistas, até o ponto do sal refinado ser proibido para as pessoas que têm hipertensão (já que é um de seus causadores) e desaconselhado para alguns distúrbios cardiovasculares e renais.

A importância dos sais minerais no sal refinado e no sal marinho

O cloreto de sódio tem, entre outras funções, a capacidade de regular os níveis de líquidos dentro e fora das células do corpo; portanto apresenta uma função benéfica ao organismo. Porém, o sal de cozinha refinado contém uma grande concentração de cloreto de sódio, e quando o ingerimos em grandes quantidades, o organismo fica descompensado e acumula mais líquido do que o normal, o que leva a edemas e à hipertensão arterial.

Por sua vez, ao longo do tempo, a hipertensão arterial prejudica os vasos sanguíneos, que se tornam endurecidos, inflamados e lesionados internamente, o que se conhece como arteriosclerose. E esta pode levar ao acúmulo de placas de colesterol e sais na parede dos vasos, gerando a aterosclerose. Esses três processos – hipertensão, arteriosclerose e aterosclerose – danificam o sistema vascular, o coração, os rins e o cérebro, podendo ocasionar infartes, AVCs, insuficiência renal etc.

O iodo também é um mineral muito importante para o corpo humano, auxiliando as funções da tireóide a regularem o metabolismo corporal. Mas, o iodo que é agregado artificialmente ao sal de cozinha, na forma de iodeto de potássio, tende a prejudicar o organismo, afetando a tireóide, podendo causar-lhe disfunções e nódulos. Isso ocorre porque o iodo é adicionado em quantidades excessivas (20% a mais do que o iodo normalmente encontrado no sal natural) ao sal refinado, levando a um desequilíbrio nas funções da tireóide.

Além disso, o sal refinado carrega aditivos químicos, que lhe são agregados durante o seu processo de indutrialização: dextrose, carbonato de cálcio,  ferrocianeto de sódio, prussiato amarelo de sódio, fosfato tricálcico de alumínio, óxido de cálcio e  silicato aluminado de sódio são os mais comuns, o que torna o sal refinado um produto artificial, prejudicial ao organismo.

Já, o sal marinho contém naturalmente estes dois sais minerais – cloreto de sódio e iodo – de forma equlibrada e saudável para o organismo. Mas, além destes, contém mais 82 sais minerais, plâncton, krill e outros micronutrientes importantes para a vida humana. Estes elementos são extremamente ricos para o organismo, que os utiliza em múltiplas funções: ativação e equilíbrio das funções glandulares, construção de tecidos, incremento do sistema imunológico, fortalecimento ósseo, estabilização do sistema nervoso, regulação do metabolismo dos líquidos, da função renal e outros.

Especialmente importante nos dias de hoje são os benefícios que os elementos contidos no sal marinho proporcionam para o enriquecimento da qualidade nutricional do sangue, para a boa função glandular e hormonal, e, especialmente no combate à osteoporose.

 

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Sal marinho e outros sais

Hoje estão na moda alguns outros tipos de sais, como o sal rosa do Himalaia, o sal cinza do mar celta, o sal light, o sal líquido e outros.

A coloração particular de alguns tipos de sais deve-se às diferentes concentrações natuais de minerais em suas composições; assim, por exemplo, o sal rosa do Himalaia contém mais ferro e manganês, o que lhe dá sua coloração rosada.

O sal rosa do Himalaia tem basicamente os mesmos sais que o sal marinho, mas diz-se que por ter sido conservado intacto durante centenas de anos debaixo de lava vulcânica nos Himalaias é um sal extremamente puro e saudável, servindo inclusive para banhos medicinais. Mas, o que é bastante salgado mesmo é o seu preço, já que o quilo custa de R$ 40,00 à R$ 150,00, em média.

O sal cinza do mar celta é também um tipo de sal marinho, mas que é colhido em Guérande, Bretanha, na costa norte da França, em grandes tanques de argila expostos ao ar livre, e que devido ao processo de coleta da “flor de sal”, ou fina camada superficial de sal que se forma na superfície desses tanques de argila em certas condições atmosféricas, é considerado um sal muito especial. Para quem gosta de refinamento, além das qualidades nutritivas do sal marinho, este é o sal indicado. O quilo deste sal é em média R$ 60,00, fora o frete.

O sal light é o mesmo sal refinado, porém com menos concentração de cloreto de sódio (de 50% até 70% a menos de sódio) e adicionado de cloreto de potássio (em geral, adicionado na proporção de 50%). A sua única vantagem em relação ao sal comum é que devido à diminuição da quantidade de cloreto de sódio e à agregação de cloreto de potássio, a tendência aos edemas e à hipertensão cai em relação ao uso do sal comum. O custo do sal light é de R$ 9,80 a R$ 20,00.

Já o sal líquido é o sal refinado diluido em água mineral e sem aditivos. Contém menos concentração de cloreto de sódio, mas não possui todos os sais necessários a saúde, como o sal marinho. O preço de um frasco de 250 ml é em média R$ 13,00.

O que realmente vale a pena

A maioria das pessoas faz uso do sal para enriquecer e dar sabor aos alimentos diários, e, para tanto, o que deve prevalecer é um alimento nutritivo, mas ao mesmo tempo econômico, que possa fazer parte do cotidiano. Por isso, o que realmente importa no assunto do uso do sal para a maioria das pessoas é o quanto este beneficia a sua saúde ou a prejudica, e o quanto é viável escolher um alimento nutritivo acessível.

Sendo assim, o sal marinho parece ser a melhor escolha, porque além de realmente beneficiar a saúde, tem um preço bastante acessível: o quilo custa em média de R$ 3,00 a R$ 6,00. Em comparação com o sal refinado, os benefícios do sal marinho são enormes, já que o refinado, cujo o quilo custa de R$ 1,00 a R$ 3,00, é um produto artificial que causa danos sérios à saúde, enquanto o marinho incrementa, regula e é essencial para a saúde como um todo.

Além disso, no quesito sabor, o sal marinho salga tão bem ou melhor do que o sal refinado, porque tem um sabor mais amplo e menos saturado. Enquanto o sal refinado apenas dá muita ênfase ao seu próprio gosto concentrado, especialmente quando perdemos a mão e exageramos no sal. O sal marinho dá um sabor mais equilibrado aos pratos, e não se torna tão desastroso quando erramos na medida.

Porém, isso não quer dizer que devamos exagerar no seu uso, e especialmente não quer dizer que os hipertensos possam usá-lo livremente a gosto. Por ter muito menos cloreto de sódio do que o sal refinado, de fato prejudica menos os hipertensos, mas ainda assim, eles devem ser bastante parcimoniosos ao utilizá-lo e utilzá-lo em pouca quantidade e sempre prestando atenção em sua pressão arterial.

 

Alberto Fiaschitello é terapeuta naturalista e cientista social

 

 
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